Blog da Editora Virgília - Sobre Livros e Cultura

Amigo é coisa para se guardar do lado esquerdo do peito… Lula e Sarney

lula-barba.jpg

Ontem vi na Folha que o Claudio Weber Abramo iniciou também um movimento Fica Sarney! Fico feliz, tive a irônica idéia antes. Parece que deu certo, não pelas razões corretas, mas porque o homem político brasileiro anda mais amarrado do que deveria. Veja o presidente, esse mudou bastante, pena que não tenha o desejo e a vontade de tratar dessas mudanças de forma profunda num livro.

Abandonou vários companheiros de derrota (Dirceu, Genoíno e outros), mas não abandonou o companheiro de vitória (Sarney e outros caciques do PMDB, que surgiram nos anos gloriosos, não nos anos da batalha), e assim continuamos a não apurar nada. O pior é o reflexo no cidadão médio, sim, pode me acusar de pretensioso por me colocar acima dessa média, mas é triste ouvir o que se ouve nas ruas, a generalização impera no coletivo e, pior, invade o individual, as pessoas passam a se achar no direito de fazer o mesmo, já viram presidentes de “direita” e de “esquerda” e todos agem igual, “eu também vou agir assim”… E eu continuo a acreditar num comportamento moral, mesmo não acreditando num deus, que a maioria desses envolvidos, não só acredita, como não cansa de citar…

Flip mesa 5: de onde para onde? Richard Dawkins

richard_dawkins.jpg

Não percebi nenhum protesto religioso durante a fala de Richard Dawkins hoje na Flip. Como os ingressos estavam esgotados, assisti em pé, fora da tenda do telão, tomei um pouco de chuva, mas reconheço que Dawkins me ajudou a expressar mais firmemente uma crença importante, uma das mais profundas que uma pessoa pode ter.

Rebateu as questões que veriam na religião a primazia, ou melhor, a exclusividade da moral, aceitou que sim, as religiões cumprem um papel importante, porém falso e respondendo ao que responderia se fosse confrontado com deus, disse: quem é você? Thor? Apolo? o deus católico?Alá? Maomé? Zeus? Ou seja, deixa claro que não é possível um acordo quanto a esse conforto. Também defende que no mínimo, deixemos as crianças decidirem depois de crescidas, não existem crianças católicas, só crianças com pais católicos, essa briga já tive muito com minha família, eu faço questão de deixar claro para os meus filhos minha posição atéia, ainda não insisto, não prego, chegará a hora.

Dawkins argumenta que como não há outra vida, o melhor é aproveitar essa mesmo, sem ficar fantasiando possíveis perdas e penalidades, não deixar para depois o que se deve fazer nessa vida, que mesmo sem deus, não condena ninguém a sair matando, bebendo, fodendo, todos que na frente cruzarem. Uma voz lúcida, bem melhor que a bonita camisa que usava…

Flip mesa 3: ficção e verdades

karamabloch.jpgchave-da-casa.jpgelza-a-garota.jpg

A segunda mesa que assisti hoje reuniu além de uma mediadora que falava um pouco além da conta, os escritores, Arnaldo Bloch, Tatiana Salem Levy e Sérgio Rodrigues. Discutiram a fronteira entre ficção e a verdade, na definição de Rodrigues: ficção um atalho para a realidade.

Deles só livro o Bloch, e gostei bastante, Levy está na minha fila, ganhou a categoria revelação do Prêmio São Paulo, o do Rodrigues, não comprei, mas me pareceu interessante, se depender do papo de hoje, compro e passo na frente da Tatiana.  Tinha lido sobre as questões ideológicas e o quanto as ideologias podem mudar nossas análises, isso é muito verdade num país com a nossa história recente, eu já acreditei que quem era de esquerda era honesto e humanista, ando menos ideológico ultimamente, fui obrigado a admitir que panacas e calhordas sentam-se de ambos os lados da vida.

Importante da mesa foi o resgate da procura pelas raízes e o poder de catarse da escrita, além do tradicional mas sempre necessário: quanto mais particular, mais universal. Falou-se também de coragem, coragem de se expor. Isto é inerente à arte, sem exposição não há arte, não há história, mas isso não quer dizer que toda ficção é ou precisa ser biográfica, aliás, como também disse Rodrigues, a realidade não existe, se você não concorda, ou ainda viveu pouco, ou apesar de rodado, tem vivido pouco…

Flip Mesa 2: Separações

outra-vida.jpgdomingos-oliveira.jpgseparacoes.jpgseparacoes1.jpg

O escritor Rodrigo Lacerda e o diretor, ator, dramaturgo e pensador Domingos de Oliveira participaram de uma mesa hoje na Flip sobre o tema: Separações. Um, não tenho certeza, trouxe sua visão, o outro, a sua vida, a mesa funcionou muito bem porque tanto Lacerda, quanto o mediador Paulo Roberto Pires, aceitaram o peso de Oliveira.

Este mostrou que apesar de falar “difícil”, muitas vezes com uma dicção até penosa, faz todos prestarem atenção e diz coisas das mais interessantes. Falou de suas cinco separações mas falou de vida, do que o homem quer e precisa, mesmo sem saber ou ter certezas, quem esteve presente pode acompanhar digressões sobre essa coisa estranha e banal que é viver todos os dias. Como disse Domingos de Oliveira, ou se é contra, ou se é a favor, mas o normal é, mesmo para os a favor, pensar no suicídio.

Em relação ao tema, quem está casado quer liberdade, quem tem liberdade, quer companheirismo, isso é ser humano. Não existe caminho certo, não dá para se vangloriar, vem aí um novo filme, Inseparáveis. Já tinha começado a ler o livro do Rodrigo, depois comento.

Manuel Bandeira, o homenageado

bandeira.jpg

A palestra de Davi Arrigucci na abertura da Flip foi apaixonada e técnica, precisava ter vontade para entender, tendo, chegava-se ao melhor de Bandeira. Lembro de um curto curso de voz que fiz, declamava Bandeira, ficava farto do lirismo…

Arrigucci falou da importância da leitura e do quanto esta abriu o mundo para Bandeira e para os poetas brasileiros. Contou que Bandeira, condenado a morte na casa dos 20, tuberculose, viveu uma longa vida sempre com essa perspectiva e isto marcou sua escrita, sua visão de mundo.

Uma obra marcada pela consciência das circunstâncias e dos desabafos e pela descoberta e criação do alumbramento, quase uma epifania. Um dos poemas ditos por Arrigucci e que diz muito de bandeira, de quem a Cosac vem fazendo belos relançamentos, para você se introduzir, ou relembrar: 

Momento num café

Quando o enterro passou
Os homens que se achavam no café
Tiraram o chapéu maquinalmente
Saudavam o morto distraídos
Estavam todos voltados para a vida
Absortos na vida
Confiantes na vida.
Um no entanto se descobriu num gesto largo e demorado
Olhando o esquife longamente
Este sabia que a vida é uma agitação feroz e sem finalidade
Que a vida é traição
E saudava a matéria que passava
Liberta para sempre da alma extinta

Espelho LXIV

Ser humano é sentir o corpo reagir rebelde ao comando do cérebro, é admirar o que nem se consegue compreender direito…

Lágrima pela obra: Pina Bausch

pinabausch.jpg

Ainda não adquiri o controle sobre as palavras para ser sucinto, deixar apenas as emoções falarem, talvez não seja a minha praia. A dança para mim é isto. Tenho poucas palavras para descrever, um monte de sensações. Há uns 15 anos abandonei um ballet para assistir um jogo da copa do mundo, dificilmente farei isso novamente.

Assisti a dois espetáculos de Pina Bausch na vida. Talvez tenha sido a mídia que me convenceu de sua importância, não lembro muito, sim de ter gostado bastante no geral, misturou-se na minha formação cultural.

Hoje li o texto de Deborah Colker no Estadão, algo curto e emocionado. Se alguém que respeito tanto como a Colker ao encontrar Bausch sentiu as pernas trêmulas e a dificuldade de falar ou perguntar, eis de fato reações humanas, e isto é o mundo da dança ao extremo. Já me senti assim diante de alguns ídolos…

Tinha que ser você: se fosse livro estaria na zona da auto-ajuda e da alta-ajuda

tinhaqueservoce.jpgtinhaqueservoce1.jpg

Assisti Tinha que ser você. Gostei, é o que acredito de mais honesto se pode fazer para o público geral. Há temática, há vida real, há sonho, há desejo, mas fica no limite, apela, mas não escancara.

Sim, dois ferrados se encontram já no segundo tempo. Um não consegue ser músico, conforma-se em ser publicitário, quantos escritores publicitários você não conhece? (conheço vários), já fiz aqui minha homenagem quando da morte do Zé Rodrix que deixou de ser músico para criar os jingles que Harvey cria no filme. Outra não consegue se livrar da mãe e talvez dos fantasmas de um aborto.

Aparecem barreiras, mas o mérito do filme é os personagens não fugirem do seu passado. Não o socam no desvario do presente e nas perspectivas futuras. É claro que o filme foi feito para o espectador torcer, mas está mais para futebol amador do que para os galáticos do Real Madri. Torci, é um bom passatempo, dá para levar aquele amigo que te acha mais inteligente e ele vai sair do cinema também se achando mais inteligente. Se eu fosse você não contaria que aquilo fica na zona fronteiriça. Se o amigo achar meio bobo, na próxima, leve-o a um francês dos tradicionais…

Twitter, sou contra! Ainda mais com o Mano

twitter.jpg

Pode ser que eu mude de idéia, acho difícil, mas ainda não consegui aderir ao twitter, é verdade que aderi ao blog quando este já estava crescido e hoje, incorporei-o a minha rotina, mesmo sem ficar em busca de ferramentas para aumentar sua efetividade. Acho que deve ser democrático, quem quiser, que o visite.

É claro que sou prolixo demais para o twitter, e por mais que isso possa ser um defeito meu, acho um exercício desnecessário de concisão esse negócio de cento e poucos caracteres, nesse tamanho não há reflexão…

Também não entro em algo em que o Mano Menezes é tido, pela mídia inglesa, como um dos dez mais influentes do mundo. Sinceramente, só sendo corintiano muito desocupado para seguir o Mano (sou são-paulino e estou “curtindo” uma entressafra), acho-o competente em campo, mas basta. Não quero saber mais nada sobre ele, deixe-o fazer o que quiser. Num mundo com o Mano de referência, o que será dos manos???

Fica Sarney!

sarney2.jpg

Junte-se a mim na campanha Fica Sarney!

Veja se não tenho razão, se Sarney sair, o máximo é da presidência do Senado, duvido que teria a hombridade de renunciar e prestar o serviço de esclarecer alguns pontos e levar consigo apenas aqueles que como ele, já meteram de fato a mão na jaca.

Deixar a presidência do Senado é o caminho mais fácil e rápido para nada acontecer, tudo continuar como está, no ritmo que vem sendo tratado. Acredito que a FGV, eu estudei na de São Paulo, em geral mais séria que a Fundação e suas concessões no RJ, vai apresentar outro relatório dizendo o que fazer, sem dizer, porque nada vai mudar do jeito que precisava. Isso me lembra um jantar ontem, o pai de meu amigo é um dos mais bem sucedidos executivos do país, meu amigo falava sobre detalhes da casa, brinquei que divulgasse aquilo, a imagem do pai ficaria comprometida, era o típico exemplo de casa de ferreiro, espeto de pau. Não interessa que é alguém ocupado, é a casa dele…

E o Senado? Bem, o Senado é um reflexo do povo brasileiro. Sarney é aquilo, todos os outros senadores são aquilo, quem não for, sim, que saia, deixe os iguais lá. Tirar o Sarney agora é fingir que vai se moralizar. É fingir que algo está sendo feito. Prefiro então que lá fique, pelo menos, não terá tempo para escrever mais nenhuma obra. A cultura brasileira agradece a política. Toneladas de papel poderão continuar árvores, melhores que a criação deste brasileiro acostumado a clamar por brasileiras e brasileiros apenas no início de seus formais discursos.

Deixa o Sarney no Senado, assim ele nos lembra quem somos e não escreve mais nada!

Cultura é para ter ou mostrar?

flip-2.jpgflip-1.jpg

Você vai para a Flip (Festa Literária de Paraty)? Eu vou, mas concordo com uma reflexão colocada por José Godoy no Valor de ontem: a literatura está se tornando a nova vedete do verniz da maquiagem social.

O que isto quer dizer? Talvez que seja mais produtivo demonstrar ter cultura do que vivenciar a cultura, internalizá-la e modificar a ação. Confesso que fico um pouco receoso de não conseguir ver nos números de venda de livros, todo o entusiasmo observado na Flip, nas aulas da Casa do Saber, da Escola São Paulo e tantas outras iniciativas.

Dá para entender, lógico. Pegue António Lobo Antunes, li apenas um livro seu, não é um escritor fácil, bem mais fácil é assistir sua palestra, conhecer duas ou três histórias suas e utilizar isso como cartão de apresentação, como adicional de inteligência diante de um interlocutor com tantos ou mais buracos do que você. Ou então uma aula, não é melhor um professor herdeiro dos cursinhos, mastigar todo o pensamento filosófico daquele grego ou francês e ainda por cima, correr o risco de conhecer um carão bonitão, uma mulher interessante. Muito mais fácil do que mergulhar sozinho na obra desses caras todos, que é claro, pouco se preocuparam em criar um caminho de acesso universal.

Fico me perguntando qual é a média de leitura de todas as pessoas que rapidamente já fizeram esgotar os ingressos para a tenda dos autores e até para a tenda do telão. Imagino que Lobo Antunes nunca se imaginou tão lido no Brasil. Se sim, não teria ficado 25 anos sem vir para um lugar que fala a sua língua e guarda um pouco de sua história…

Quem me encontrar pode tirar a prova, estarei sem maquiagem, cosmética ou cultural…

Livros tóxicos! Você sabe do que se trata?

toxicos.jpg

Não, não é nada disso, não é a esse tipo de droga que o pessoal se refere ao falar sobre Livros Tóxicos. Não sei a posição deles sobre drogas, mas sei que criticam bastante a utilização de conteúdo apenas ligado ao “mainstream” no ensino de economia das universidades.

Para eles, tóxico é o conteúdo neoclássico de qual FHC foi tão acusado pelo PT, depois outro seguidor convicto da teoria. A idéia do professor Edward Fullbrook, da universidade West of England, é olhar para todos os lados quando se pensa em economia e não apenas nas soluções tradicionais que tiveram nessa última crise, sua contestação mais direta.

É uma discussão econômica técnica e importante. Debates entre correntes ideológicas podem sim acrescentar um pouco de brilho e criatividade às soluções, mas se incluídos representantes das mais diversas classes e interesses, poderiam representar um amadurecimento e uma aproximação com os valores principais de uma fatia mais representativa de toda a população do que a que vem sendo privilegiada há tempos.

Se quiser conhecer mais sobre o assunto, deixo a indicação do Caderno Eu & Fim de Semana do Valor Econômico de ontem, ou então, o site do ensaio Toxic Textbooks, clique aqui:

Michael Jackson, morreu sem se encontrar

michael-jackson-3.jpg michael-jackson-2.jpg michael-jackson-4.jpg michael-jackson.jpg

Nunca gostei muito da produção de Michael Jackson, talvez tenha preferido as músicas do tempo do Jackson Five, mas é inegável a importância dele para a música pop mundial. Lendo um de seu obituários descubro que já vendeu 750 milhões de disco, é muita coisa.

Mas o que me chamou mais a atenção foi como alguém chega aos 50 anos vivendo tão superficialmente, tão sem coragem de se enfrentar. Foi o preço do sucesso? Da exposição? Não sei detalhes se brigou com a cor ou com o vitiligo, pouco interessa, nos dois casos há a recusa psicológica por trás. Brigou com preferências, com formas, com o tempo, aceitou poucas coisas, não se satisfez com nada, nunca se encontrou. Triste.

Se acontece nas melhores, imagine nas outras…

frente-aconteceprata.jpg socorro.jpg

Sim, eu conheço o universo familiar, coordenei o Acontece nas melhores famílias e escrevi um capítulo. Já vivi e li o bastante, inclusive o Ilusões perdidas de Balzac, mas por pior que aconteça nas famílias empresárias, parece que é ainda distante da família bigoduda e política lá do Maranhão.

É incrível, fico imaginado como será o Natal deste ano deles. Deixo como sugestão de leitura um livrinho que lancei como editor há uns 5 anos, Socorro: roubaram o meu queijo. Tive uma discussão interna que hoje descubro me fazer mais sentido. Alguns na editora queriam classificar o livro como parábola, eu bati o pé e fiz questão de deixar como o que era, paródia, mas no Natal lá no Maranhão ele pode servir como parábola…

Aliás, a história deste livro é um exemplo de como as coisas são desconexas nesse país. Vendeu mais de 10.000 cópias, número absurdo para o mercado editorial brasileiro, foi totalmente na cola do Quem mexeu no meu queijo, best-seller para medianos com pouca criatividade e profundidade. Fiz o teste, perguntei para a área comercial tanto da editora quanto das livrarias e ninguém sabia explicar do que se tratava. Eu sei, explico aqui e talvez seja a solução não só para leitura, mas também para um novo livro do patriarca da família.

Na história, os personagens, envolvidos em escândalos econômicos são presos, reclamam da mudança de regras e dos honorários dos advogados e para ganhar dinheiro para pagar, resolvem escrever um livro de auto-ajuda, especificamente porque não dá trabalho e vende muito, dinheiro fácil, para o autor. Daí escrevem uma história comparando funcionários-padrão e ratos, uma tiração de sarro só.

Fica a sugestão, se conheço o Brasil, apenas de troca de presentes para A família maranhense, para que eles se divirtam um pouco mais nesse encontro, encontrem um quebra-gelo, porque não consigo pensar em todos fingindo que está tudo normal e merecem ser respeitados. Se quiser ver outras versões sobre isso, basta acompanhar o Zé Simão na Folha.

Resistir é possível!

hammerstein.jpg

Por enquanto apenas li o posfácio de Hammerstein ou a obstinação, onde o autor explica porque não o considera um romance e como foi se aproximando da história do general e comandante do exército Kurt von Hammerstein-Equord. Hammerstein, apesar de toda a sedução e força popular na direção de Hitler, não o apoiou, manteve-se a margem e sofreu, junto com sua família a consequência disto.

Comprei também porque na orelha há uma menção a gênero indefinível, o autor explica o recurso da conversa entre mortos e vivos para explicar pontos da história e da sua utilização de fontes de pesquisa. Mas comprei principalmente para ver, pelas lentes de um lúcido intelectual, um pouco mais do período e das condições de formação de tamanho mal, reforçando algumas máximas de Bertrand Russell que apontam que muitas vezes se a maioria aponta numa direção, essa é a garantia do caminho errado, tão e simplesmente, pela qualidade da amostra média do gênero humano.

Minha fila de leitura está enorme, meu volume de trabalho grande, mas vou começar. Hoje descobri quatro livros começados, isso não me importa, o que me assusta, é que só lembrava de dois… Fica a dica.

A consciência até desaliena! Pena que não em todos

vlado.jpg

O Caderno Aliás de ontem revelou um personagem para mim desconhecido, o desembargador Márcio Moraes, então jovem juiz que no ano de 1978, numa jogada do sistema (passaram um processo de enorme peso para um jovem substituto com receio que o titular, a beira da aposentadoria já não temesse mais o futuro e tomasse decisão na direção que Moraes resolveu seguir), que saiu pela culatra, escolheu abandonar o medo e a alienação e como declarou no jornal fez uma opção: “uma encruzilhada pessoal, em que tive de ser digno da situação que o destino me colocou ou não poderia mais me olhar no espelho”.

Condenou a União Federal e contribuiu para a abertura política. Recebeu ameaças, arriscou seu futuro e o da família, mas preservou o espelho. É interessante como alguém sem participação política, sem maiores questões ideológicas e que até tinha ficado comendo pastel num bar, numa manifestação e desafio contra o sistema quando da morte do Vlado, teve consciência que há horas em que não se pode recuar. Esse acordou no timing certo, deve ter tido uma vida mais leve que a do Curió do post abaixo…

Valeu Márcio Moraes, fez mais do que muito dos corajosos que pegaram em armas e hoje atiram contra suas próprias biografias, e o pior, de dentro do poder!

Não li Meu querido Vlado do Paulo Markun, lançado pela Objetiva em 2005, mas já li outros livros dele. Escreve bem, tinha um envolvimento próximo com o assunto e deve ter relatado coisas interessantes. Fica à sugestão para os interessados no assunto.

Os homens falam e os pássaros cantam!

curio.jpg

Eu não sei porque os pássaros cantam. Quando menino tinha mania de tentar te-los presos em gaiolas, acompanhar sua reprodução. Os grandes inimigos eram os gatos, era horrível acordar cedo e ver a gaiola vazia, apenas restos de penas, tinha canários, azulões e curiós, pássaros difíceis, raros lá na minha região.

Mas nessa mesma época, em outra região tinha um Curió atuante, não tinha medo de gatos, não tinha medo de nada, talvez só da estrutura hierárquica acima. Educado militarmente tinha uma causa a combater e para isso, utilizou-se de vários métodos, alguns não tão assumíveis.

Passa o tempo e a condição humana nos aproxima dos bichos, do mesmo modo que um curió depois de muito abatido canta na gaiola, o Curió sentiu o peso da vida e quer cantar, canta abrindo seus arquivos secretos, mostrando que na luta ideológica alguns agiram com os braços, outros com as mentes e alguns ainda com os braços e mentes, mas mesmo os que pouco “pensaram” na época foram acometidos da diferença humana, a dona consciência, e daí, cada um encontra um jeito de acertar as contas. Curió resolveu falar, é claro que vem um livro por aí, talvez este livro revele se o canto é por reparação de consciência, vaidade ou vingança, mas que os homens falam e os pássaros cantam, isso fazem, mesmo engaiolados, mesmo que demorem muito, pouquíssimos contradizem esse traço da espécie.

Que a democracia brasileira mostre sua face!

Plano B - Plan B - In the bubble by John Thackara 9

capaplanob4x6.jpgEsse é o nono post sobre o livro Plano B preparado pelo autor e postado há alguns meses. No final dele estão os links para os detalhes do livro no site, ou então para os sites de venda das livrarias. Aproveite tudo o que o John tem a dizer, qualquer dúvida, cheque no site dele: www.thackara.com , ou aguarde até novembro quando estará no Brasil:

DEVELOPMENT EXTRACT

In a sleepy hamlet an hour from Bangalore, I encounter a group of villagers standing around a wide patch of ragi, a grain that is used to make dark bread, spread thinly over the road in a neat circle. Six chickens appear to be eating up the grain, while the villagers watch and chat. Why, I ask, don’t the villaegrs feed the grain in a trough? They laugh, and then explain that the chickens are eating tiny maggots, smaller than our eyes can see, which need to be removed from the grain before it can be stored. It’s a smart, low-tech solution to a pratical issue faced by farmers everywhere. A Google search for “clean bugs from grain” throws up the “Opico Model 595 Quiet Fan Batch Dryer With Sky-Vac Grain Cleaner” that strikes me as a far clunkier solution than the hens.  The word development is often used to imply that we advanced people in the North must help backward people in the South catch up with our own situation. It’s in this spirit that many designers donate their time and expertise to projects such as $100 laptops, emergency shelter, and mobile hospitals. continue…Informações sobre o livro:

Comprar Plano B na Livraria Cultura

Comprar Plano B na Livraria Saraiva

Buy In the Bubble at Amazon