
Uma notícia que rola pela net é que o “guru” Seth Godin desistiu das editoras. Eu como editor, nunca optei por ele, não preciso portanto desistir agora…
Para mim Godin é um marketeiro interessante, mas alguém consciente de que precisa dos livros para vender palestras e consultorias. Lá fora diz fazer sucesso, por aqui, já transformou muito papel bom em encalhe. Estou com isso dizendo que ele está errado em confrontar as editoras e seus modelos de negócios? Claro que não, acho que o momento é propício para que todos revejam seus interesses, suas expertises, suas possibilidades. Cada um deve sim exigir o melhor para si, mas é preciso reconhecer que os editores, uma grande parte deles, faz um trabalho descente, esforçam-se e correm riscos por seus autores. Não dá para retribuir com remuneração equivalente ao que se ganha e cobra no mercado de palestras ou consultorias, mas é preciso sim ver as escalas.
Estou voltando agora ao mercado, animado que vai crescer. Existirão aqueles que querem ir direto com uma livraria? Sim, existirão, estão errados? Não sei, ainda acho que livro é um tipo de produto não tão igual aos outros, requer um certo trabalho, e principalmente um tempo para ser deglutido.
No Link de segunda há uma interessante matéria com Nicolas Carr, não sei se esse também desistiu do formato tradicional, pelas suas idéias, acredito que não, mas prega que a rede está “emburrecendo” as pessoas, no mínimo estaríamos ficando mais superficiais e menos focados, com menor capacidade de processamento vertical. Isso é sério, qualquer pessoa na meia idade olha para um jovem com um misto de inveja por perceber nele a capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo. Como tudo na vida, o que não está sendo considerado é o custo, e tudo tem um preço. Os jovens tem uma enorme capacidade horizontal, migram de um aplicativo ou programa para outro com leveza absurda, o que não sabem é como vão encarar um tal vazio criado pela falta de densidade, um dia ele vem.
Então, calma lá. Que editores, muitos deles, estão velhos e precisam olhar o mundo com outros olhos, sim, precisam, mas não será seguindo os senhores Godin, Covey ou Coelho que o mundo vai começar a resolver seus problemas.
Caros autores e futuros autores, nós aqui sim pretendemos e vamos trabalhar também nas plataformas digitais, porém ainda acreditamos no livro em papel como algo prático, até com um componente que beira o sagrado, no sentido de um produto capaz de ter auxiliado a humanidade a sair das trevas, e que o homem, no seu caminho individual, quer mesmo é percorrer uma longa e desafiadora viagem para terminar reconhecido por poucos, aqueles que lhe fazem sentido, cercado de sua história, da maior parte dela que puder.
Nós vamos continuar tentando atrair autores, mas só aqueles que acreditam que existem profissionais que agregam valor às suas idéias, interlocutores capazes de ajudá-los a desenvolver melhor seus conteúdos, que entendem de formas de empacotar e que podem sim separar o joio do trigo. Para os que vêem apenas uma commodity de varejo, façam seus acordos diretos com livrarias ou sites de venda, vão ganhar mais, que a busca pelo seu algoritmo seja bem-sucedida, vou ficar por aqui de olho aberto tentando aprender, vendo onde posso aplicar o meu talento em resolver alguma frase, escolher um título, um subtítulo, um detalhe ou uma capa inteira.
Há aqueles que acreditam que tudo é apenas comercializar, esses dificilmente terão lugar na Livros de Safra, porque o nosso nome vem de agricultura, de um esforço em trabalhar a terra e encontrar as melhores condições para as sementes darem fruto, ciente de que as condições climáticas podem complicar. Um desabafo a uma mídia que abre espaço para muita coisa boa, mas também para muito lixo. Já disse aqui várias vezes: pare de ler esse blog e vá ler um grande escritor, um grande livro, com certeza terá mais lastro, um lastro de pensamento, capaz de iluminar um pouco quando estiver no meio do blackout causado por tamanho amontoado de frugalidades e besteiras.