Arquivo: Novembro de 2007



Granta, uma decepção. Catálogo do Conde Fortsas, uma surpresa…

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A minha expectativa era grande, conversei com o editor que já avisou  que o projeto era de construção de imagem do selo Alfaguara, que aliás publica ótima literatura em projetos muito agradáveis, minha expectativa aumentou.

Li na imprensa que essa era a semana que a revista/livro Granta chegaria ao mercado, a edição cobriria novos autores norte-americanos, serão dois números por ano. Fui ao lançamento do História do Futuro do Brasil certo que compraria a Granta, a coleção do Borges e o livro O futuro do livro. Acabei comprando apenas os 4 primeiros Borges e O futuro do livro. Ainda não comprei a Granta, vou acabar comprando, mas a recusa inicial foi um protesto contra o pessoal da Objetiva. Um protesto pelo papel e falta de projeto gráfico sedutor, quem gosta de livros e novos escritores quer fetiche, por favor, mudem a partir do próximo número.

Quem é apaixonado por livros e se depara com a edição fac-símile do Catálogo do Conde Fortsas entra imediatamente em estado de perturbação, aconteceu comigo. Por enquanto só o encontrei na Livraria da Travessa do Rio, a editora Dantes lançou 130 exemplares desse fictício catálogo dos livros de edição única que deixou bibliófilos do mundo todo em polvorosa. A edição é um primor, impressa em serigrafia em papéis especiais, traz no lugar das orelhas dois envelopes, de um sai um poster maravilhoso, de outro,  a versão em francês do catálogo. Eu não resisti, o preço era bastante salgado, apelei ao crédito e tenho o de número 123 na minha biblioteca. Espero que tenha ficado curioso, enquanto escrevo paro um pouco e acaricio minha edição, vou fechar, encaixar na sobre-capa de acetato e colocar com muito cuidado na minha estante. Achei melhor não correr o risco de danificar nada e portanto, não apelei ao meu scanner, vou deixar você com a imagem da Granta, na esperança que alguém da Objetiva leia, compare com o catálogo, todo bom editor deveria ter,  e de o tal upgrade no próximo. Mas se eu fosse você não descansaria até dar uma boa olhada nesse fetiche, não vai se arrepender…

 Corre atrás

X Idéias: Tanure x Steinberg. Só brilho nos olhos resolve?

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Ontem a casa estava cheia, mais de 200 pessoas foram ouvir as idéias da Betania Tanure e do Herbert Steinberg no primeiro programa do X Idéias lá no Porão das Artes do Parque do Ibirapuera. Todos preocupados e perdidos, invisto mais na carreira ou alivio pela família?

Primeiro Betania apresentou os fatos que estão no seu último livro e mostrou que a vida não anda fácil para executivos de alto nível. Por trás das máscaras do mundo corporativo estão homens e mulheres descontentes, reproduzindo um discurso oficial e caminhando na direção do abismo, o pior abismo possível, o abismo interior. Steinberg argumentou que quando se tem significado e faz o que gosta, não há estresse. Contou que fez um período sabático e voltou dele achando meio bullshitagem, que é apenas uma questão de encontrar a trajetória própria. A mediadora Soninha pontuou algumas diferenças e repassou as dúvidas da platéia. Não é fácil para ninguém, homem ou mulher fazer a opção, todos prefeririam ter sucesso mas com uma vida equilibrada, só que isso não é tão simples. Para os dois debatedores é sim possível compatibilizar sucesso profissional e vida pessoal, mais fácil para Herbert, bem mais difícil para Betania, que preve apenas um equilíbrio no mínimo bastante nervoso e instável. Para eles só se dá bem quem tem o brilho nos olhos. E brilho nos olhos não é só vontade, é também se conhecer bem. Só para aqueles que já queimaram muitas pestanas nisso, investiram horas e horas em sua qualificação. Mas é claro que não estou falando apenas de diplomas, muito menos os de instituições de comércio/ensino, tão disseminadas hoje em dia. Está aberta a temporada de caça das faculdades (veículos de comunicação comemoram, nunca faculdades e colégios anunciaram tanto). Não deixe os que conhece caírem nessa, pratique na sua empresa: é melhor uma formação prática aliada a postura e ação cultural do que um diplominha meia-boca, complemento de horas do bar da esquina. Mas adianto, estou brigando pela moralização e qualidade do ensino, longe, de me aliar ao discurso vazio, inconsequente e esperto do presidente Lula para justificar sua opção. 

O X Idéias promete, vou informar aqui os próximos passos.

É possível mudar este país? A História do Futuro do Brasil

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Amanhã é uma boa oportunidade para você aprofundar essa profunda recessão. O autor Clovis Corrêa da Costa lança na livraria da Vila da Lorena o História do futuro do Brasil. Adianto que não sou dos mais otimistas em relação ao que vem por aí para esse país. Quando questionado sobre a capa, aliás, uma foto artística do Caio Reisewitz, deixei claro que não quer reforçar o chavão, país do futebol. Mas é sim um céu nublado, nublado pelo passado, nublado pela política do presente, nublado pela ausência de líderes para o futuro. Tenho dois filhos pequenos, isso é mais do que prova de um fio de esperança, mas ainda há muito a mudar. Por isso acho que começar a Virgília com esse tipo de discussão é importante. Venha participar, se não puder comparecer a noite de autógrafos, compre o livro, ele mapeia o quê e o por quê da situação atual e das dificuldades para nos movermos e desarmarmos as armadilhas. Assunto necessário, compre o livro, mas mesmo que não compre, aprofunde a reflexão e a discussão, não se restrinja a superfície, há muitos interesses em jogo maquiando o que se diz e se ve.

O livro é sem dúvida uma contribuição, fatos e uma avaliação pragmática. Boa leitura! Afinal, já está na hora dos brasileiros pararem de adotar o que o Clovis chama de repertório tradicional, ou seja, nas horas de aperto, sempre se olha para o mesmo lado, mudam governos, mas os interesses que são defendidos em primeira instância, não mudam.

Primeiro debate do X Idéias no Porão das Artes

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Daqui a pouco acontece o debate entre Betania Tanure e Herbert Steinberg em torno dos dilemas entre a dedicação ao sucesso profissional ou a uma vida pessoal mais equilibrada.

Como sócio do projeto, vou postar amanhã alguns dos principais pontos desse tema tão diretamente envolvido com a vida de cada um. Mergulhar no trabalho e correr o risco de perder ou se afastar da família? Ou dar uma relaxada na carreira e depois correr o risco de culpar a família por um possível fracasso? Isso é como dizem por aí, estar entre a cruz e a espada… Chequem amanhã!

Luxo x Cultura. Aparência x Substância… Dasdente

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Deu na Vejinha e também em outros veículos a inauguração da nova clínica do Ateliê Oral, no prédio onde antes funcionava a Daslu. A julgar pelo posicionamento do “negócio”, o ambiente ainda continua infestado por luxo e mimos. Uma clínica odontológica com dentistas usando uniformes de grife, toalhas de algodão egípcio, sala de massagem, café especial (alíás, nada contra o café do Suplicy, na minha opinião, o melhor café de São Paulo) e com certeza uma conta salgada. Mas o problema não é esse, talvez seja até preconceito meu (nunca estive lá), mas na recepção as revistas, apesar de não poderem ser tão velhas como na maioria dos consultórios normais, devem seguir a linha “vazio, de virada rápida de páginas, com castelos, glamour, banheiras”.

Tudo bem, cada um faz o que quer com o dinheiro que tem, mas é mais um sinal do vazio cultural que representa a nossa era. Pouco preocupados e dispostos a consumir revistas mais inteligentes, livros, arte, teatro que não sejam os músicais da Broduei, cinema que não seja de Holiudi , porém, muito preocupados com o luxo e conforto, agora não mais do seu lazer, mais também de sua saúde. Duvido que os profissionais e os clientes dessa clínica já tenham ido correndo às livrarias iniciar a sua biblioteca da obra completa de Jorge Luis Borges que acaba de ser lançada pela Companhia das Letras. Preconceito? Talvez, mas quem se interessa por Borges e tantos outros escritores fundamentais talvez ainda ache que dentista bom é aquele competente, que ainda insiste em se vestir de branco, põe um diploma de uma boa faculdade na parede e tem uma mão hábil e um consultório necessário…

Uma lembrança muito inspiradora, uma crítica contundente…

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Hoje estava lendo uma revista Inc. e vi uma matéria homenagem a Anita Roddick, uma das mulheres mais instigantes e verdadeiras que conheci. Tive o prazer de editar o seu livro, Meu jeito de fazer negócios, a primeira vez que a encontrei foi às 6:30 da manhã, tinha ido pegá-la no aeroporto de São Paulo, iria acompanhá-la por uma semana na sua primeira visita a São Paulo. O Brasil ela já conhecia, mas só a Amazônia e Rio de Janeiro. Era um domingo e ela disse que faria o que eu fosse fazer com a minha família se ela aqui não estivesse. E assim foi, fomos a um show no parque do Ibirapuera, passeamos com meu filho pequeno.

Andei com Anita entre SP e RJ nos mais diversos ambientes, foram muitas palestras, inúmeras entrevistas, jantares. A vi pacientemente responder sobre a Body Shop, falar com empolgação sobre as questões que defendia, brigar por seus interesses em relação ao livro e ao final fazer uma aposta sobre o número de vendas.

Infelizmente ganhei a aposta, o mercado brasileiro não a recebeu como merecia. Mas injustiça maior foi agora quando descobri quase um mês depois que Anita havia falecido. Soube pela Época Negócios, nenhum outro veículo relevante deu a notícia ou fez cobertura, ninguém mais foi buscar o que ela fez na condução da empresa, checar as causas que defendeu de forma muito ativista. Haja incompetência, páginas e páginas são impressas com conteúdo bastante questionável e quase ninguém fala da morte, ou melhor ainda, dos exemplos que Anita deixou as pessoas de negócios, ou melhor ainda, as pessoas com alguma ligação com a coerência e com a vida. Essa deixa saudades…

Para quem se envolve seriamente com livros…

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Esse pequeno livro do prêmio Nobel Orhan Pamuk é leitura obrigatória para quem gosta ou quer se envolver no mundo dos livros. São 3 discursos de agradecimento por prêmios recebidos que discutem com uma profundidade e uma seriedade marcantes a relação do ser humano com a criação. Pamuk em 30 anos produziu 7 livros, mesmo escrevendo diariamente, muitas horas por dia, ou seja, é alguém com produção constante e com um filtro também muito exigente. Outra importante constatação do livro foi o fato do pai do autor querer ser escritor e nunca ter se disposto a abandonar o conforto que tinha e pagar o preço de ser algo que era um sonho, sim, sonhos geralmente tem preços, exigem além de competência, muito sacrifício. Se você quer se atrever a escrever algo, não o faça antes de ter esse questionamento.

A Virgília é uma das realizadoras do X Idéias

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No próximo dia 27.11 no Porão das Artes do prédio da Bienal no Parque do Ibirapuera, acontece o primeiro evento do X Idéias, um debate entre Betania Tanure e Herbert Steinberg, onde a qualidade de vida e a dualidade entre a vida corporativa e vida pessoal vão ser confrontadas exaustivamente. A mediação é de Soninha Francine. Vai haver também uma exposição da galeria florenceantonio.com de trabalhos relacionados a essas questões.

Se você quer aprofundar o quanto vale abdicar da vida pessoal pelo sucesso profissional, não deixe de checar: www.xideias.com.br.

Editora Virgília lança novo título

Capa do livro A Historia do Futuro do Brasil A Editora Virgília acaba de lançar o livro A História do Futuro do Brasil, de Clovis Corrêa da Costa. O autor examinou a história do Brasil desde a fundação de Portugal e conclui que desde sempre houve um repertório de soluções tradicionais. O que você tem a ver com isso? Tudo, desde que sua vida, pessoal ou profissional, esteja conectada ao Brasil, é hora de entender e poder prever os movimentos futuros.

Veja o que o professor Bresser-Pereira falou sobre o livro:

Seu grande mérito é o de apresentar uma visão global do país. Os intelectuais acadêmicos perderam essa capacidade, enquanto Clovis, um consultor de empresas, não recuou diante do desafio de pensar amplamente.

Como uma grande empresa, o Brasil também precisa de um diagnóstico e de um plano estratégico nacional que lhe permita competir no quadro da globalização. A ortodoxia convencional dominante no Brasil desde o início dos anos 1990 fracassou. Não poderia ser de outra forma, já que não é uma estratégia nacional de desenvolvimento, mas o conjunto de propostas e pressões que os países ricos, nossos concorrentes, fazem a nós. Este livro apresenta subsídios importantes para a estratégia necessária.