Cultura como luxo!
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A edição comemorativa de 10 anos da revista Cult, uma ilha de profundidade nas bancas repletas de celebridades, traz uma interessante entrevista com o controvertido filósofo francês Gilles Lipovetsky. Filósofo que escolheu o luxo e o consumo para observar o ser humano aponta que já para Shakespeare os objetos de luxo nos distinguiam da animalidade, para o homem sempre há de haver a busca do excesso, o não contentamento com a satisfação das necessidades naturais e que pode haver uma busca da beleza no luxo, uma busca da sensualidade, desde que não se descambe para o escandaloso, comum em vários atos de consumo do que ele chamou de “hipermodernidade”, sinônimo dos tempos malucos em que vivemos.
Assim a própria arte penetra no universo do luxo, principalmente pelos preços que a arte contemporânea atinge. Há também o hiperconsumo de cultura, seja nas milhares de músicas do IPod, nas fitas de DVDs, nos canais de TV a cabo, livros, blogs etc. Mesmo sabendo que a felicidade não se adquire como mercadoria, nossas vidas estão cada vez mais devedoras das mercadorias, cada vez mais o ser humano tenta se expressar por meio de marcas, todos sonham com marcas, se antes um pobre sonhava, tão e somente, poder viver, hoje, não que não tenham direito, sonham em consumir marcas, e o vazio fica mais próximo e íntimo de muito mais pessoas, todos perdidos em busca do sentido da vida… Vale a leitura!
