Cem anos de madame Beauvoir, acordai mulheres!

Dia 9 de janeiro deveria-se ter comemorado os 100 anos de nascimento de Simone de Beauvoir. Não vi nada na imprensa, descobri hoje no Caderno 2. O interessante e para as mulheres ficarem atentas é a reedição de suas obras que vêm por aí. Cutuquei a minha mulher para não perder essa onda e definir, nem que seja com as contradições de Beauvoir, sua relação com o dito Segundo Sexo.
O que se fala da importância de sua obra é muito pouco. A foto acima auxilia a pensar a questão do feminino, só posso palpitar do lado de cá. Cobro das mulheres com as quais me relaciono diferentes papéis, me esforço para que todos estejam baseados num mesmo modelo, mas a dificuldade da coerência, se é que é necessária, não é exclusiva minha. Viver é isso, o que não se pode é deixar escapar a oportunidade de se avaliar. Escrevo isso bastante atrapalhado por uma dessas mulheres, minha filha de 3 anos que penteia o seu cabelo e cantarola uma musiquinha sobre o seu machucado de ontem. Me esforço para encontrar a concentração para finalizar e sugerir que essa diferença de papéis entre homens e mulheres há de ser um tema que está longe de ser equacionado, onde muitas partes blefarão razão, outras desdenharão com emoção, o segredo talvez seja explorar e confrontar o que mulheres como Beauvoir escreveram e viveram, aí sim, garantia de não correr o risco de passar sem ter passado, a única hipótese descartável.
