22 de Janeiro de 2008

Hillary Duff, Dostoiévski e a sociedade de imagem

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Hoje queria começar a leitura de Memórias do subsolo, acabei de ler A economia em Machado de Assis que vou resenhar para a Gazeta Mercantil, mas tinha prometido levar o meu filho de 10 anos ao show da Hillary Duff e o fiz. Parti disposto a encarar o programa como uma análise socio-antropológica e principalmente como um momento de entender melhor esse cara que está crescendo e buscando o seu espaço, a sua individualidade.

Não descobri nenhum carisma especial na moça, mas deve ser problema meu, é uma febre entre os jovens. Tive ainda em casa uma discussão com o meu filho relativa a máquina fotográfica que ele insistia em levar. Eu tentava impedir, argumentei que estava claramente escrito a proibição de se fotografar, ele insistiu, eu cedi com a condição que se a câmera não voltasse ele iria arcar com o preju. Fomos, quando cheguei lá me deparei com milhares de máquinas, aqueles garotos e garotas além de gritar muito, fotografavam tudo, tentavam obter uma boa imagem, muito mais do que curtir ou assistir ao show. Ninguém deve ter conseguido, mas esse é o dilema dessa sociedade imagética, a todo momento se fotografa, nos locais públicos o que mais se faz é apertar um click, talvez seja apenas um estranhamento com relação a minha juventude quando se fotografava e ainda se mandava o filme pelo correio para ser revelado em Manaus (alguém aí lembra da Sonora?).

Mas como eu teria ficado se tivesse insistido em não liberar a ida da camêra?  O que iria dizer no meio de toda aquela bagunça? Que pelo menos nós estávamos cumprindo as regras? Qual seria a resposta dele? Por que então não se alteram as regras ou se exigem o cumprimento delas? Que impacto isso tem nas nossas vidas? Se isso acontece num simples show, imagine o que acontece em outros campos muito mais sérios da vida, aí, talvez somente Dostoiévski ajude, vou encarar.

Quanto a Duff, torço para que seja apenas uma fase do meu filho, que eu tenha dado exemplos suficientes para ir para ídolos mais sustentáveis com a idade.

Um comentário em “Hillary Duff, Dostoiévski e a sociedade de imagem”


  1. Oi, a nem sou muito fã da Hillary Duff e uma grande fã de Dostoiévski. Achei o texto super interessante que qualquer adolescente (como eu), tenha vontade de ler e pensar um pouco mais. AUEAHU Deve ter morrido lá no show, um monte de jovens, gritando, pulando, tirando fotos. É assim, a sociedade muda, os hábitos mudam, as coisas mudam e o mundo muda.
    Parabéns.

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