Conexão perdida
Nesse final de semana estava eu em Itapeva, cidade onde cresci, visitando meus pais quando resolvi dar uma última busca no que sobrou da biblioteca do meu avô. Fôra eu seu principal assaltante, na verdade seu segundo, o principal foi o tempo, muito deve ter se perdido, vários livros tem não só o desgaste natural como a marca dos cupins a lhe acrescentar um pouco mais de história e a aumentar para mim o fascínio pela simplicidade e praticidade do produto, isso sim é que é tecnologia, disponível e resistente.
Entre outros, encontrei o livro acima, abro curioso e me dou conta que a edição contém 3 obras de Tolstói, duas delas eu tinha lido esse mês, postei comentários aqui no blog: Sonata a Kreutzer e A morte de Ivan Ilitch. Como não sou chegado a buscar conexões esotéricas preferi refletir sobre a queda da conexão que poderia ter se estabelecido. Será que o meu avô leu esse livro? O que poderia ter achado? Que pena que não conversamos sobre isso, que pena que ele não passou isso para a minha mãe, minha tia ou mesmo minha avó, até hoje viva. Que prazer e que possibilidades se perderam em eu não poder discutir com o meu avô todas as questões existenciais propostas por Tolstói nesses livros. O que vou fazer é tomar um cuidado extra para que o ciclo não se repita. As edições que li estão todas grafadas e comentadas, junto agora essa achada e deixo minha biblioteca preparada para que os meus descendentes possivelmente se interessem por esses assuntos e possamos expandir um pouco mais nossa família, discutindo também assuntos tão sérios e necessários como os dessa obra, e ter o privilégio de discutir isso com os laços visíveis e invisíveis que nos unem… Mas para isso, pouco vai adiantar minha competência intelectual, vai valer mesmo é o amor que conseguiremos regar!
