Arquivo: Fevereiro de 2008



Espelho XVIII

Ser humano é necessitar estar numa relação mas não ter a paciência e a perseverança de investir nela. É contrapor os atrativos do desejo e do desconhecido aos defeitos, que aparecem antes das virtudes, da relação acomodada. Mas ser humano também é não ter a coragem do movimento na hora necessária.

Carta a um adúltero

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Em recente lançamento da CosacNaify, Carta a D. - História de um amor, o pequeno livro de André Gorz vale muito mais pela sua belí­ssima edição, papel de capa especial e em formato de envelope. Sim, o livro contém uma reflexão interessante e necessária para Gorz fazer as pazes com sua consciência. Sim, o livro leva o leitor a considerar e colocar sua própria relação sob foco. Sim, o livro dá indí­cios e sugestões de valores importantes numa relação a dois.

Mas o livro fica pequeno diante da atitude dos dois, duplo suicídio. Escolheram dar um fim às suas vidas individuais ao mesmo momento que sua vida de casal. Uma doença degenerativa fazia Dorine sofrer muito. Uma escolha irretornável!

Como andam as suas escolhas? O título deste post não é uma provocação, não é uma censura. Meu objetivo não é  julgar, é questionar se todas as alternativas foram aproveitadas e tentadas? Se as tentações do desejo foram vistas numa perspectiva de relacionamento de longo prazo? Se a pessoa que está a seu lado mereceu aquele último esforço antes de partir para a novidade? Vida a dois é um dos maiores desafios numa sociedade hedonista e consumista, onde a satisfação buscada fica cada vez mais distante…

Espelho XVII

Ser humano é confundir entre razão e emoção para justificar sua vontade. 

Espelho XVI

Ser humano é buscar na razão uma forma de justificar sua emoção.

Razão x Emoção: o que a saída de Fidel provoca!

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 Esperei um pouco para comentar a saída de Fidel. Confesso que ainda não achei o tom, sinto que os 49 anos não são simplesmente entendidos fora do contexto cubano e de suas influências. Fidel e Cuba representaram uma coisa no Brasil e outra na Inglaterra, mas para mim não há comparação na abordagem dada nas revistas acima.

Como dizem, muitas vezes, uma imagem vale mais do que mil palavras. Escolha a sua e mergulhe no que é dito!

Tempo a Favor, tudo o que você precisa saber para enfrentar ou se preparar para os 40…

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Já estão no site todas as informações referentes ao livro do Renato Bernhoeft. Tem release, sumário, opinião do editor e a introdução. Quem está próximo dos 40, passou ou vai chegar, pode acompanhar as posições do Renato diante as opções da vida, e para isso, ele pode falar. Optou por não ter uma trajetória convencional, é um curioso que foi fazendo, correndo atrás e se preparando para aproveitar as oportunidades que apareceram e, também, as que criou.

A empresa que leva seu sobrenome é a principal consultoria de empresa familiar no Brasil e comemora 30 anos. Mas apesar de tudo isso, é fácil ve-lo nos teatros e cinemas procurando não perder o pé da movimentação cultural, ou seja, continua curioso. Sou o editor, portanto suspeito e com interesse no livro, mas indico.

Espelho XV

Ser humano é enxergar nos outros o interno que se tem dificuldades de reconhecer no espelho.

Sensualidade, intimidade e terapia

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O Caderno 2 de hoje traz matéria sobre o lançamento da Alfaguara (aliás, livros que dão gosto de ler e ter…), Marylin - ultimas sessões do psicanalista e escritor Michel Schneider. É uma obra onde a ficção preenche as lacunas da história e conta os encontros e efeitos da relação de Marylin Monroe e seu terapeuta Ralph Greenson. Nunca fui muito tocado pela sensualidade de Monroe, se tivesse nascido uma ou duas décadas antes, com certeza seria, mas confesso que me interessei pelo assunto, infelizmente não consigo colocar o livro no meu plano de leitura atual, ao ler duas ou três frases de Marylin  adicionadas na matéria. Aqui vão elas como inspiração para você se lançar a leitura:

Não terminei o curso secundário. Posava. Era modelo. Olhava-me nos espelhos e nas pessoas para saber quem eu era.”

Aprendi, lendo a obra de Freud, que os fracassos são muitas vezes desejados pelo inconsciente.”

As pessoas têm o hábito de me olhar sempre como se eu fosse uma espécie de espelho, e não uma pessoa. Elas não me vêem. Mas vêem sua própria obscenidade em mim. Depois, colocam uma máscara e me tratam como mulher obscena.”

Leia o livro e faça o curso. Faça o curso e leia o livro

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Clovis Corrêa da Costa, autor do História do Futuro do Brasil transforma o livro em curso. Se você não pretende imigrar o melhor é entender esse país, ser capaz de analiar o passado para prever possibilidades de futuro. Serão 16 aulas, sempre às terças às 20 hs na MasterSchool, Rua Ministro Rocha Azevedo, 419. Maiores informações, clique no link abaixo.

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Espelho XIV

Ser humano é olhar para o todo depois que o seu está garantido.

Cavalo dado não se olham os dentes?

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Matéria do Caderno 2 de hoje fala sobre a doação do banco Credit Suisse para a Pinacoteca do Estado e MAM comprarem algumas obras de artistas contemporâneos. A iniciativa é bem-vinda num país onde não se tem espaço e tradição para cultura pública. Melhor ainda que foi dado aos curadores a autonomia de compor a obra como melhor lhes parecer a carência de seus acervos. Dois milhões de reais são louváveis! Quisera outros bancos ou empresas fizessem isso com freqüência, por isso a crítica não é para inviabilizar, mas sim para questionar alguns pontos.

Isso só aconteceu porque o head de uma das operações do banco é um dos maiores colecionadores do país? Onde está a imprensa aguerrida que não questionou o valor da doação? Sei que esse foi um ano ruim para os bancos estrangeiros mas ninguém acha que por mais que se tenha que reter talentos, doar R$ 2 milhões para dois museus e pagar US$ 20 milhões de bônus para cada um de seus 3 principais executivos dá uma outra dimensão a ação? E os bancos brasileiros que em breve deverão inundar a mídia com o anúncio de seus lucros do ano. Vai haver disputa?

Fazendo o que no circo?

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Confesso que não consigo entender toda a atração do ex-presidente FHC pelo Cirque du Soleil. Mesmo me considerando tucano, agora mais do que nunca por falta de opção, acredito que algúem com um passado desse deveria se policiar e evitar presença nas bocas livres do circo, aparecer, e também frequentar, locais mais ligados a questões importantes do país. É a segunda vez, assim até eu vou apoiar o patrulhamento ideológico de seus antigos colegas da FFLCH. Alguém há de ser contra essa namoro perverso entre a mídia e a indústria dos políticos e das celebridades. No circo, vai tirar foto com quem?

Andar poder gerar energia. Pensar gera o que?

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Deu na Folha de hoje que cientistas estão desenvolvendo um aparelho capaz de captar a energia gerada no atrito das partes do joelho e depois poder transmiti-la para objetos. Para se ter uma idéia, um minuto andando é capaz de alimentar uma conversa no celular de 10 minutos. O aparelho ainda pesa 1,6 kg, mas mostra alternativas para as crises energéticas e fontes limpas de geração. Uma provocação, se o funcionamento do joelho é capaz de gerar energia, o funcionamento do cérebro é capaz de gerar o que? Sugestões?

Qual é o tema de Allen? E o seu?

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Hoje tem uma matéria no Caderno 2 sobre o novo filme de Woody Allen, Cassandra’s Dream. Foi lançado lá fora enquanto Allen finaliza o próximo, já rodado em Barcelona e se prepara para voltar a filmar em Nova York. A matéria aponta que felizmente Allen encontrou na Europa financiadores para suas idéias (numa piadinha tipo intelectual, idéias de eterno retorno), e pode discutir um dos temas de sua vida: moral e acaso.

Nesse filme que mesmo sem ter estreado ou visto, recomendo, como todos os filmes de Allen, se alguns não são brilhantes, fazem questionar a tragédia ou a comédia que está inserida na nossa existência, dois irmãos que vivem de maneira modesta encontram razões diferentes para precisar de mais grana. A solução está num tio bem-sucedido, um homem de negócios. É claro que soluções têm preço, é claro que quanto mais rápida maior é a probabilidade de ter um componente moral não resolvido. Tal a conexão machadiana de Luiz Zanin Oricchio, a ocasião faz apenas o furto, o ladrão já nasce pronto, concorda?

Allen pertence a um grupo restrito de cineastas que me fazem pensar. Hoje se tivesse apenas que escolher dois, não hesitaria pelo conjunto da obra em selecionar Bergman e Allen, com muita pena de deixar de fora Lars von Trier, mas este tem ainda muito o que produzir. É claro que existem outros, é claro que existem filmes, mas falo de uma obra, falo de identificação pessoal, falo de seleção de temas.

As referências de Dostoiévski na obra de Allen são freqüentes, finalmente comecei a leitura de Crime & castigo, infelizmente ando com uma agenda que está me deixando muito menos tempo do que o desejado e necessário para a leitura, ainda mais que me propus a mergulhar nos russos e este é o ano do centenário da morte de Machado de Assis, o que me empurra para sua obra. Vai ser, como apontou Eduardo Gianetti no Mais da semana passada, a guerra da esperança contra a ironia e o pessimismo quasenãoesperançososalvoporumfio. E você, tem um tema de vida? Um tema de obra?

Espelho XIII

Ser humano é sonhar com uma situação elaborada e desejar simplesmente um corpo.

Quem te viu, quem me vê…

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Carnaval é para mim sempre uma época de reflexão. Nunca vou me esquecer do estresse quando tinha 13 anos após o meu pai me colocar para dentro do baile e dizer, agora vê se dança. Com muita vergonha iniciei ali minha curta trajetória nos salões de Itapeva, cidade onde morava. Venci a vergonha e confesso que nos 5 anos seguintes me diverti muito, depois já tinha namorada séria e o carnaval foi se transformando em outra coisa na minha vida. Naqueles anos, ainda ingênuos, era momento de beijar, se não existia uma musa única, valia a quantidade na comparação com os amigos à espera da abertura da padaria ou do sol nascer, momentos que não se apagam.

Agora já faço coisa menos divertida no carnaval, mas não menos interessante, uma delas é ir ao cinema, quase sempre de um filme ao outro. Ontem fui assistir Paranoid Park e o 4 meses, 3 semanas e 2 dias. Recomendo os dois filmes, como também recomendo a leitura dos artigos do Aliás de ontem sobre o corpo e carnaval. José de Souza Martins nos lembra o quão transgressor é o período do carnaval na perspectiva do ano, o quanto esses dias podem representar na vida de uma pessoa, o quanto as pessoas deixam submergir desejos e personalidades que se encontram soterradas dentro de si. Lembra também que a relação com o corpo hoje, na era das tatuagens e piercings pode estar esvaziando o carnaval. O meu carnaval se esvaziou porque, pelo bem ou pelo mal, para mim era sinônimo de sair dançando abraçado, pegar na cintura para dar um pulinho e dar alguns beijos gostosos. Coisa que como passei a poder fazer com a minha mulher a qualquer horário, se esvaziou ao longo do ano.

Já a matéria ao lado sobre o corpo sem gorduras e a possibilidade de se olhar o corpo também como uma peça de design, mostra não só como a magreza migrou das classes pobres para as aristocráticas, como também o quanto a loucura de um corpo perfeito afeta as mulheres brasileiras, sim, os brasileiros consomem 90% dos remédios para emagrecer produzidos no mundo. Algo está errado na dita terra da felicidade. A moça acima, ao lado do cartaz do filme passou pela 42a. cirurgia plástica. Ângela Bismarchi fez uma cirurgia reversível para deixar os olhos mais próximos a uma oriental, tema do desfile de sua escola, mas o fez porque quer entrar para o livro dos recordes, ainda lhe faltam mais 5 cirurgias. O que estamos fazendo com nossos corpos? Qual a relação disso tudo com o filme? Assista, você vai ver que não me refiro ao que a estudante faz ao 4 meses e tanto, mas sim ao que a amiga é obrigada a fazer com seu corpo para que o médico não deixe a estudante numa situação ainda pior.

Consigo ficar sem os beijos, não consigo ficar sem as reflexões e o aprofundamento do que somos como espécie. Quem me vê…