Qual é o tema de Allen? E o seu?
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Hoje tem uma matéria no Caderno 2 sobre o novo filme de Woody Allen, Cassandra’s Dream. Foi lançado lá fora enquanto Allen finaliza o próximo, já rodado em Barcelona e se prepara para voltar a filmar em Nova York. A matéria aponta que felizmente Allen encontrou na Europa financiadores para suas idéias (numa piadinha tipo intelectual, idéias de eterno retorno), e pode discutir um dos temas de sua vida: moral e acaso.
Nesse filme que mesmo sem ter estreado ou visto, recomendo, como todos os filmes de Allen, se alguns não são brilhantes, fazem questionar a tragédia ou a comédia que está inserida na nossa existência, dois irmãos que vivem de maneira modesta encontram razões diferentes para precisar de mais grana. A solução está num tio bem-sucedido, um homem de negócios. É claro que soluções têm preço, é claro que quanto mais rápida maior é a probabilidade de ter um componente moral não resolvido. Tal a conexão machadiana de Luiz Zanin Oricchio, a ocasião faz apenas o furto, o ladrão já nasce pronto, concorda?
Allen pertence a um grupo restrito de cineastas que me fazem pensar. Hoje se tivesse apenas que escolher dois, não hesitaria pelo conjunto da obra em selecionar Bergman e Allen, com muita pena de deixar de fora Lars von Trier, mas este tem ainda muito o que produzir. É claro que existem outros, é claro que existem filmes, mas falo de uma obra, falo de identificação pessoal, falo de seleção de temas.
As referências de Dostoiévski na obra de Allen são freqüentes, finalmente comecei a leitura de Crime & castigo, infelizmente ando com uma agenda que está me deixando muito menos tempo do que o desejado e necessário para a leitura, ainda mais que me propus a mergulhar nos russos e este é o ano do centenário da morte de Machado de Assis, o que me empurra para sua obra. Vai ser, como apontou Eduardo Gianetti no Mais da semana passada, a guerra da esperança contra a ironia e o pessimismo quasenãoesperançososalvoporumfio. E você, tem um tema de vida? Um tema de obra?
