Arquivo: Março de 2008



Que imagem melhor reflete o ex-governador?

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Desculpe São Paulo! Memórias do Brasil grande pára os Jardins

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É com um misto de pesar e prazer que a Editora Virgília informa que o lançamento de seu livro, Memórias do Brasil Grande, do Wilson Quintella, parou o trânsito nos Jardins ontem em São Paulo. Por volta das 20:30 quem queria chegar no Baretto, no hotel Fasano tinha que enfrentar alguns minutos de congestionamento desde a Oscar Freire. Entre amigos, familiares, autoridade e leitores, foram vendidos 365 exemplares. Sucesso grande! Procure nas boas livrarias. Se não achar, reclame!

A morte, a vida, Amado e Da Matta

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Roberto Da Matta, no caderno 2, dá prosseguimento aos seus comentários sobre a obra de Jorge Amado e a vida das pessoas. Dessa vez falou especificamente sobre A morte e a morte de Quincas Berro D’Água, livro que li no final de semana e portanto posso opinar. Acabei o livro de Amado e também um do Mario Benedetti que comentarei no próximo post. Gostei do livro de Amado? Sim, gostei. Faz pensar sobre o que é a vida? Sim, faz. As considerações de Da Matta alteram a leitura? Sim, as considerações de Da Matta deixam a história um pouco mais interessante, aprofundam questões que na obra ficam flutuantes. Sem esse tipo de comentário o livro fica mais pobre? Sinceramente acho que sim, e aí arrisco dizer ser uma das razões pelas quais a leitura de Benedetti fala mais direto comigo, não é mais prolixa, mas é mais exata, cortante.

Deixo a sugestão da leitura da história do Berro D’Água, da reflexão sobre o que é a morte e sobre os limites da vida, de que tipo de vida estamos falando. Num tema tão complexo para qualquer humano, a possibilidade de análises tende ao infinito, mas vou deixar a principal, desenhada por Amado e colorida por Da Matta: quando efetivamente morremos, quando vamos fisicamente para um caixão ou um pouco a cada decisão que contrarie um impulso pessoal, uma vontade, um desejo, em detrimento à uma regra, uma expectativa de outros? Como queremos ser vistos e quem queremos que esteja no nosso velório?

Virgília lança o seu terceiro livro - Memórias do Brasil grande, veja o que o escritor Thales Guaracy diz a respeito.

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Grandes obras, grandes homens Por Thales Guaracy

Você provavelmente nunca ouviu falar de Wilson Quintella, embora ele esteja presente no seu dia a dia. Toda vez que você acende a luz de sua casa, ali está, de certa forma, o doutor Quintella. Quando passa pela ponte Rio Niterói, pela Dutra, pela Castelo Branco e outras importantes rodovias do país, deve algo a Wilson Quintella. Cada vez que pousa no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, no Aeroporto Tom Jobim, no Rio, em Manaus, em Goiânia e outros tantos lugares, ele também está lá.

Não é à toa que você não conhece Wilson Quintella. Eu mesmo pouco sabia a seu respeito, até ser convidado para ajudá-lo a terminar seu livro de memórias, que está sendo publicado agora pela editora Virgília, em associação com a Saraiva (“Memórias do Brasil Grande”, título que eu me orgulho de ter sugerido). Advogado de formação, ele trabalhou por 35 anos no grupo Camargo Correa, começando de baixo, até se tornar o presidente da empresa e braço direito do legendário Sebastião Camargo.

E, como se sabe, o doutor Camargo e seus homens de confiança sempre primaram pelo trabalho silencioso, longe dos holofotes – uma discrição considerada essencial para o sucesso de seu negócio, que ajudou a levar a Camargo Corrêa a ser a maior empreiteira do mundo, e o doutor Camargo a se tornar, com seu velho cachimbo e olhos de chinês, o primeiro bilionário do Brasil, tendo saído praticamente do nada.

O que eu descobri? Que Wilson Quintella é figura essencial para conhecer a história das grandes obras que permitiram ao Brasil um salto econômico do qual hoje ainda dependemos. Na Camargo Corrêa, o doutor Quintella teve participação decisiva na construção das grandes hidrelétricas, como Itaipu e Tucuruí. Da Transamazônica. Dos grandes aeroportos. Das nossas ferrovias e do metrô paulistano, em sua fase pioneira. Além de outras obras essenciais para a vida contemporânea, tantas que não cabem neste parágrafo. Em seus empreendimentos particulares, ele acabou sendo uma figura fundamental no atual boom das exportações de soja e tornou-se um inovador até mesmo na criação de cavalos e de gado.

Descobri mais, que Wilson Quintella é uma figura essencial para compreender as políticas desenvolvimentistas no Brasil desde Juscelino Kubitschek. Homem que privou da amizade de presidentes da República, ministros, governadores, empresários e figuras anônimas cujo papel ele procura resgatar em suas memórias, conheceu os bastidores da política e da economia de ponto de vista mais que privilegiado: como participante direto. E ajudou a influenciar de forma decisiva a economia brasileira ao longo dos últimos 50 anos. Esteve por trás de grandes eventos nacionais, de empreendedores e homens que faziam funcionar a máquina do governo.

Essa é a maior qualidade do doutor Wilson: sem ser engenheiro, conduziu a maior empreteira do Brasil e do mundo, ao lado de Sebastião Camargo, com a receita de que os negócios, as obras e um país são feitos com os homens, e não com os números. Por isso, diferente de um tratado seco de negócios, administração ou engenharia, suas Memórias são uma deliciosa, instrutiva e importante coleção de histórias sobre os personagens que fizeram a história recente do Brasil, onde aparece gente como Adhemar de Barros, Fernando Henrique, Jânio Quadros, presidentes e superministros militares, Jango Goulart, JK e empresários de igual importância.

Estas Memórias são sobre gestos magníficos, bobagens monumentais, empreendimentos inacreditáveis. É um livro sobre covardia e coragem. Sobre grandes homens, desde o mais humilde, capaz de arriscar a vida numa obra, até estadistas ainda hoje pouco compreendidos, sobre os quais doutor Wilson ajuda a lançar luz. E que tinham a preciosa qualidade de não se levarem tão a sério quanto estes nossos governantes contemporâneos.

Para quem tem uma empresa, a leitura de Memórias do Brasil Grande é fundamental. O livro relata em detalhes como foi construída a maior empresa privada do país, seus valores e procedimentos. Num ramo que sempre foi tocado em ambiente fechado, as memórias do doutor Wilson funcionam como a abertura de uma velha caixa preta. Ele conta as idéias, o método de trabalho e as malandragens do doutor Camargo, nem sempre disposto a seguir o mandavam os livrinhos.

Dá uma boa idéia de como funcionavam as relações entre as grandes empreiteiras e os governos, sempre um mistério para a opinião pública, dando margem a suspeitas de grandes negócios ilícitos. (Minha conclusão? Bem, nesse departamento, era um tempo de inocência, se comparado com o que vemos hoje).

Ainda mais importante, o livro do doutor Wilson nos aponta como se pode fazer um país grande, que pensa grande e age grande. Capaz de olhar para o futuro e prepará-lo. Descortina as condições necessárias para um crescimento extraordinário. E sai do forno justo num momento em que se pede uma nova onda de crescimento para atender aos imensos desafios do Brasil de hoje. Daí, sua importância imediata.

As memórias do doutor Wilson têm uma pitada da melancolia dos mais velhos, à qual ele tem direito, chegado na casa dos seus 80 anos. Por vezes, nos dá aquela sensação de que estamos num momento em que não se fabricam mais homens como aqueles, nem se reproduz o seu tipo de conduta, que ainda deveria ser um exemplo. Ao mesmo tempo, nos mostra como esses grandes homens podiam ser também tão humanos e cheios de fraquezas, movidos muitas vezes por amor ao dinheiro, mas em outras por desinteressado patriotismo ou pela mais genuína vontade de fazer.

Surpresa, o livro do doutor Wilson traz ainda muito humor, um humor peculiar, um tanto britânico, à moda dos antigos cavalheiros, que ele dividia com o próprio Sebastião Camargo. Uma fina ironia de quem sabe rir de si mesmo e tratar como se não fosse nada os desafios dignos de um faraó que eles enfrentavam. É como ele mesmo diz: “Nós fazíamos as coisas porque não tínhamos idéia dos problemas e dos riscos, porque se tivéssemos, jamais entraríamos naquilo”.

Ao revelar como alguns homens fizeram o Brasil ser realmente grande, doutor Wilson nos dá a certeza de que podemos ser ainda mais. É uma iluminação, uma inspiração, e uma diversão. Pode ser que você desconfie do que estou escrevendo, ou da minha capacidade de isenção, porque depois de alguns meses de convivência, e de trabalho árduo, ao qual o doutor Wilson continua acostumado, acabei me tornando seu sincero amigo e profundo admirador. Tenho certeza, porém, de que com a leitura de Memórias do Brasil Grande ele dificilmente deixará também de conquistá-lo.

Visite os sites do Thales Guaracy.
O do escritor: http://www.thalesguaracy.com.br/
e o do resenhista: http://www.pensomasexisto.blogspot.com/

Peça para sair, rápido!

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A capa da revista da Folha de hoje traz matéria da Rosset e outras empresas que estão adotando treinamentos baseados no BOPE. O ex-capitão Paulo Storani e o pit bull Luppa estão transformando uma moda do cinema numa outra empresarial. Além de Rosset, Unibanco AIG e outras empresas estão utilizando da linguagem e da filosofia empregada no treinamento da tal tropa de elite para convencer seus funcionários a adotarem as metas da empresa como suas. Funciona? Duvido. Só deve funcionar por um tempo, com a mesma eficácia de qualquer palestrinha motivacional.

Se na sua empresa te chamarem por um número, saia logo. Se no próximo treinamento, “investirem” mais de 3.000 reais por pessoa para que cumpra missões e faça treinamentos que remetam ao BOPE, das duas uma, ou você deve sair, ou não deveria estar lendo este blog. É incrível como no mundo corporativo ainda insistem em imaginar que as pessoas não têm neurônios suficientes para pensar. O teatro corporativo está fugindo dos limites. É claro que muitas vezes atingir metas mais do que desafiadoras, requer algo extra, mas o que fica deste tipo de “investimento”?

Acho que o melhor mesmo é pedir para sair, antes de passar o ridículo, de pagar o mico. Os executivos que estão aderindo a moda, deveriam assistir ao documentário do Marcos Prado, produtor do Tropa de Elite, chama-se Estamira. Lá, a loucura está retratada de uma forma muito diferente dos escritórios. Talvez não consigam cobrir cotas de vendas, mas podem se entender um pouco melhor…

Jorge Amado e a auto-estima do brasileiro

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Roberto Da Matta no Caderno 2 de hoje inicia uma conversa sobre a possibilidade do brasileiro caminhar para finalmente se livrar do que Nelson Rodrigues chamou de complexo de vira-lata. Segundo Da Matta, fazia muito tempo que as coisas não andavam bem e portanto não era possível ter uma visão da vida um pouco mais em perspectiva. Para ele pode ser um sinal da morte do “quanto pior, melhor”, tomara, mas não vamos nos enganar. Da Matta tem mais condições do que eu de um olhar perspectivo, tenho uma tendência a acreditar que ainda está tudo muito devagar, mas reconheço que as circunstâncias do mundo nos impõem uma direção única.

Essa é a introdução do texto dele, depois é um reforço num assunto e numa campanha que está bem posicionada na mídia, se considerar que se trata de uma obra literária, é algo inédito na ambição e amplitude: o relançamento da obra de Jorge Amado. Belas edições, todas com posfácios interessantes, ainda não li nenhum livro, mas já escolhi por onde começar, num projeto delicado, estético. Fica a dica, utilize Jorge Amado para tentar conciliar as pessoas que existem dentro de você.

Espelho XXI

Ser humano é ao atingir o poder, buscar mais privilégios do que deveres.

Poder e virtude

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Os dois articulistas de contra-capas de cultura dos principais jornais de São Paulo abordam variações do mesmo tema. João Pereira Coutinho, Folha, e Arnaldo Jabor, Estado, falam sobre relações entre poderosos e amantes. Cada um dá um enfoque para culturas supostamente muito distintas, embora as reações dos eleitorados pareçam similares. Dois homens ambiciosos fogem do esteriótipo virtuoso do poder, cadê as famílias que o suportam? Um, parece esquecer o trabalho anterior, e vai cometer o crime para o qual aumentou a pena, além da exposição, escolheu apenas 4 diamantes quando poderia ter optado por 7. Segundo Jabor, como bom paranóico, fez tudo para ser descoberto…

Já Sarkozi se casa com um amor recente, alguém aparentemente pouco talhada para o cargo e os preconceitos que cercam uma primeira dama. Parece que nem os franceses estão preparados para uma primeira dama que se declara “monogâmica de vez em quando, embora prefira a poligamia e a poliandria…”. Não expulsaram o presidente, apenas o punem com uma baixa popularidade. Preferiam a hipocrisia de Mitterrand, vivendo uma parte da semana com cada família.

Esse é um desafio ímpar para poderosos, como ser exemplo de virtude e valores, virtude e valores que valham votos no coletivo, mas que também satisfação seus desejos, aumentados pela posição? Parece que se não for para usufruir, de que vale toda a aura que o poder trás? Quem quer ser mártir?

Espelho XX

Ser humano é utilizar as marcas do início como base das ações adultas. É ter dificuldade delas se libertar, é arriscar não ir adiante por não perdoar quem lhe julga que faltou.

Sem presente - Orfãos do Eldorado

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O novo livro de Milton Hatoum conta a história de um homem que fica na espera de um amor idealizado. Vive entre a expectativa da mulher que experimentou e a sombra de um pai com quem não conviveu afetivamente. Nesse dilema destrói passado, presente e futuro e descobre que, como a cidade ideal perdida no fundo do rio, a vida tem alguns mitos reais. Muito bom!

Quem quer viver assim?

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© da foto Rudy Trindade

Esse é o palhaço Carequinha, merece todo o respeito por ser um artista. Agora tem gente por aí que sinceramente…Duas notícias da Folha de S Paulo me deixaram chocados. A primeira na Mônica Bergamo de domingo sobre festas infantis. Que a loucura das pessoas é incontrolável e capaz de beirar o ridículo para aparecer e mimar seus filhos, eu sabia, já paguei uns micos desses. Mas seu Marcelo Antony e seu Reinaldo Gianecchini aceitando cachê para animar festinhas de criança mascarados, sinceramente… Espero que venha um desmentido.

A outra matéria é de hoje, caderno Cotidiano, relatando os argumentos de venda da corretora para os apartamentos do complexo do Shopping Cidade Jardim. Só podem ser piada, piada da melhor qualidade, que o Carequinha não conseguiria criar, palhaço algum no mundo iria prometer acabar com o cheiro do Pinheiros para os afortunados. Se conhece alguém que está efetivamente levando a Ilha da Fantasia a sério, sugira uma passadinha no circo. Costuma resolver.

 

Espelho XIX

Ser humano é enxergar no que gosta um potencial maior do que o real.

Há esperança!- Brechó dos Livros

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Se passar o mouse por este blog não difícil será de perceber que na minha visão, apesar de me dar por inteiro, penso que viver nos dias de hoje é um desafio e tanto para as possibilidades que poderiam ser. Ou seja, tá foda. Tenho por característica, criticar mais do que elogiar. Hoje vou fugir a regra, vou não só elogiar, mas também recomendar.

 Usem o Brechó dos Livros de Campo Mourão, é só clicar abaixo. Estava no dia 4/3, última terça,  procurando 5 livros que faltavam na coleção das Obras Completas do Machado de Assis que herdei do meu avô. Achei no Estante Virtual que lá no tal do Brechó do Livro em Campo Mourão Paraná eles tinham a edição completa, os 31 volumes, R$ 190,00. Precisa apenas dos 5, mas fui adiante, a promessa era que com compras de R$ 200,00 o frete seria grátis. Comprei e em seguinda recebi um e-mail com as instruções de pagamento. Somente depósito no Banco do Brasil, resolvei encerrar logo tudo aquilo, entrei no site do banco e fiz um doc e passei um e-mail. Às 21:43 recebi novamente um e-mail do mesmo Pedro, confirmando que tinha recebido a indicação e que dentro de 7 dias eu receberia os livros.

Hoje, 7/3 por volta da hora do almoço meu filho me interrompe, estou escrevendo um livro como ghostwriter, com uma enorme caixa. Olhei, mas somente consegui agora sentar para conferir se estava tudo certo para enviar um e-mail elogiando a rapidez. Abro um livro, leio algumas coisas, comparo com a edição que tenho e de repente além do livro extra coleção que tinha comprado encontro outro com um simpático bilhetinho avisando que aquele livro era uma cortesia porque dois volumes estavam com a capa soltando e não tinha dado tempo de arrumar, preferiram enviar com urgência. Agora não só fiquei impressionado com a rapidez, aí pode ter sido até um pouco de sorte, mas impressionado com a dedicação do tal Pedro. De quando era a data do bilhete? Do próprio dia 4. Ou seja, enquanto eu não consegui postar nada aqui, o Pedro conseguiu receber o meu e-mail, embalar 33 livros, ter uma idéia fidelizadora,  preparar um bilhetinho, colocar tudo no correio. Pedro, Parabéns! Pena eu acreditar que você é minoria. Pelo menos sei que em Campo Mourão já tem alguém disposto a brigar com a mediocridade reinante aí fora.

 Visitem o brechó do Pedro, é bem mais rico que o da Prada!

LIVROS DO PEDRO, NÃO DA PRADA!

O que diz esta imagem?

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Será este o destino dos livros? Proteger do inverno nas mais variadas maneiras?

 As capas da New Yorker tendem a ser interessantes ou provocativas. Para uma revista com a tradição cultural que tem, estampar na sua capa o trabalho de Adrian Tomine sugerindo o ciclo do livro desde a autora até a fogueira para se proteger do frio…

Discórdia em família

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Na verdade não li a edição acima de Esaú e Jacó, li a herdada do meu avô, da coleção da Garnier. Prefiro Memórias Póstumas, mas é inegável que muitas vezes você há de se pegar com aquele sorriso irônico tomando conta do seu rosto. Outra coisa antológica dessa obra é o novo conceito para o velho ditado: a ocasião faz o crime, o ladrão já nasce pronto.

A disputa dos dois irmãos serve para irmãos, pais ou mães aceitarem que as desavenças são inerentes às pessoas e vão acontecer na sua própria família. Repito, vão acontecer, podem ficar mais submersas, mais na superfície, mas existirão. A mudança do Império para a República é o pano de fundo.

Os dois amam a mesma mulher, incapaz de tomar uma decisão, mais difícil ainda quando se envolve com a família dos manos. A mãe, vive sua eterna vontade de ver a profecia de uma adivinha se comprovar, que os filhos sejam grandes homens, e tenta manipular para que a concordância impere. Mas a vida não é apenas uma consecução de desejos ou respostas aos esforços. Quem se interessar pelo tema não pode perder Dois irmãos do Milton Hatoum.