1 de Março de 2008

Discórdia em família

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Na verdade não li a edição acima de Esaú e Jacó, li a herdada do meu avô, da coleção da Garnier. Prefiro Memórias Póstumas, mas é inegável que muitas vezes você há de se pegar com aquele sorriso irônico tomando conta do seu rosto. Outra coisa antológica dessa obra é o novo conceito para o velho ditado: a ocasião faz o crime, o ladrão já nasce pronto.

A disputa dos dois irmãos serve para irmãos, pais ou mães aceitarem que as desavenças são inerentes às pessoas e vão acontecer na sua própria família. Repito, vão acontecer, podem ficar mais submersas, mais na superfície, mas existirão. A mudança do Império para a República é o pano de fundo.

Os dois amam a mesma mulher, incapaz de tomar uma decisão, mais difícil ainda quando se envolve com a família dos manos. A mãe, vive sua eterna vontade de ver a profecia de uma adivinha se comprovar, que os filhos sejam grandes homens, e tenta manipular para que a concordância impere. Mas a vida não é apenas uma consecução de desejos ou respostas aos esforços. Quem se interessar pelo tema não pode perder Dois irmãos do Milton Hatoum.

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