Psicanálise e família
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Há alguns dias acabei a leitura do livro de Janet Malcolm. Tenho me interessado bastante por psicanálise, estudado, até talvez como opção profissional. O livro é da década de 80, o mundo mudou rápido desde lá. A jornalista americana passou um tempo em conversas no consultório com um psicanalista americano, um freudiano tradicional, discutindo questões importantes da relação analista-analisado, questões que povoam a imaginação dos que temem um divã.
O título, Psicanálise, a profissão impossível é retirada de Freud, que colocou a profissão na impossibilidade juntamente com a educação e o governar. Para quem deita ou pretende deitar no divã, a leitura é mais do que recomendada. Estou discutindo alguns aspectos de lá com minha analista, transpondo Nova York da década de 1980 para São Paulo de 2008. Sou entusiasta da psicanálise e descrente das soluções rápidas, mas não tenho dúvidas de que é melhor olhar e discutir suas questões internas, mesmo que em terapias alternativas do que continuar a não ouvir suas incertezas.
A Veja de hoje trás um artigo com o psicanalista francês Charles Melman onde o final da família e a estranheza deste em perceber que o interesse maior pela análise é dos jovens são o destaque. Os jovens, devido ao fim da família, não sabem mais o que desejar. Pesquisa da Folha mostra que é isso mesmo, que a família não está só chegando ao seu final numa estrutura de papéis, está sim chegando ao final pela opção das pessoas. Entre os brasileiros maiores de 16 anos que não tem filhos, estonteantes 59% afirmam não querer ter. 15% dos que tiveram filhos, assumem que preferiam não ter tido. Ou seja, ou algo muda, ou é o início lento e demorado de problemas para a espécie.
As pessoas não estão conseguindo olhar para o futuro com esperança, estão preferindo um prazer rápido e com isso, juntando todos os fatos, não sabendo de onde vem esse prazer. Fico na torcida para que meus pais não tenham feito parte da amostra da pesquisa e respondido que se arrependeram, isso iria provocar um desvio longo e sério no meu processo analítico…
