25 de Abril de 2008

Poder, arte e religião sempre caminharam juntos

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Hoje fui a SP Arte no prédio da Bienal em São Paulo. Não fui comprar, como disse para um artista amigo, apenas educar os olhos. A feira é interessante, é óbvio que não tem o cacoete de vanguarda, mas traz um bom panorama da arte brasileira e alguma coisa de países vizinhos, pouco da Europa.

É claro que sou contra o fato do evento acontecer com recursos da lei Rouanet. O ingresso não parece subsidiado, as galerias afirmam que o preço da locação do espaço não é, comprar arte, está longe de ser algo indispensável, apesar de, na minha opinião, absolutamente necessário, mas é um luxo que ainda poucos podem se dar (não vou discutir aqui que muitos dos que podem, lamentavelmente não tem cultura e educação para isso. Nada contra o design, mas entre um bom pintor ou um bom escultor e um designer da BMW ou da Audi, não hesito), ou seja, preferiria ver os recursos dos impostos viabilizando companhias populares em locais populares.

Mas a SP Arte é apenas um gancho para falar da Renascença e da história dos Medici, seu banco e sua ligação com o poder e a religião. O Banco criado no final do século XV durou 99 anos e foi poderoso. Seus proprietários incentivadores da arte. Qual a conexão com a religião? Bem, para ter o poder que tinham, eram o banco oficial dos papas, cobravam seus impostos, dízimos e financiavam festas e funerais da igreja. Financiavam também a nomeação dos bispos. Sim, os bispos “pagavam” para ter suas paróquias, depois isto voltava na arrecadação que tinha uma parte distribuida de volta ao papa. Os banqueiros contavam com vistas grossas em relação a usura, pecado então, e com um resultado incentivado pelo parceiro que no fim tinha a decisão sobre o juízo final, portanto arrecadava muito, livrando “os pecadores do inferno”.

Mesmo assim o banco quebrou. A solução de Lorenzo, o Magnífico foi conseguir emplacar seu filho como papa. O poder mudou de sentido na família. Toda a história do Banco Medici e de seus familiares está muito bem retrato nesse livro da editora Record, escrito por Tim Parks., O Banco Medici. Boa leitura para quem quer entender a confluência entre arte, poder, religião e a vaidade humana.

Um comentário em “Poder, arte e religião sempre caminharam juntos”


  1. boa indicação. vai para lista …

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