Arte serve para quê? Acostamento…
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Assisti na última terça no Campo Lacaniano uma palestra do pintor Sérgio Fingermann, gostei bastante. Não conhecia muito do trabalho dele, confesso que gostei mais das palavras do que já vi do trabalho, mas essas foram profundas.
Se não falasse nada sobre a ética de fazer o que se acredita, e falou muito. Se não falasse nada sobre o falar do trabalho de outro ao invés do próprio, e falou muito, já teria valido a pena a noite apenas pela reprodução, sem fonte identificada, de que a arte é como um acostamento. Se você andar apenas pela estrada, vai ver muita paisagem e não perceber nada. Se quiser curtir a paisagem, vai ter que parar no acostamento e aí sim, enxergar algo, abandonar a seqüência ininterrupta e impossível de perceber do dia-a-dia. A arte serve para isso, um break, um refresco, uma possibilidade de pegar detalhes que se não dedicados, nunca serão descobertos.
Dá para viver sem arte? Sim, até acho que é possível, mas é isso, chegar e ser incapaz de descrever o que se passou. Uma vida sem paisagem, focada apenas no na ultrapassagem, no evitar acidentes.
Abaixo um trabalho de Sérgio, alguém que se cruzar a sua vida, dê seta, estacione e ouça.
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