Ousadia e irreverência no Metropolitan
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O Metropolitan é um daqueles museus interessantes mas que acabam exigindo demais de seus visitantes. Ou você dedica alguns dias ao museu, ou escolhe o que ver, é muito grande. Optei pela exposição do francês Gustave Courbet (1819-1877), classificado como um dos mestres do realismo francês. Minha afinidade com a pintura se inicia nos que seguiram a Courbet, não tenho muita paciência para o que de forma ignorante, classifico como classicismo, mas se você não for radical, consegue me entender.
O trabalho de Courbet é bastante ideológico, tomou posição em questões políticas, desafio os critérios das artes. Não selecionado para uma exposição, armou um grande evento paralelo. Falastrão, sabia que era necessário chocar e desafiar as pessoas. Suas pinturas ficaram escondidas por um tempo. Além de colocar algumas cenas de lesbianismo explícito na tela, a Origem do mundo de 1866 tem sua ousadia. Há poucos anos vi numa Bienal em SP o trabalho de um chinês que também retratava vaginas e se mostrava de vanguarda. Mesmo sem Mao ou Revolução Cultural, mostrar isso em 1866 é mais ousado, mas dizer: “Eu tenho 50 anos de idade e sempre vivi em liberdade; deixem-me acabar a vida assim; quando eu estiver morto deixem que falem: ‘Ele não pertenceu a nenhuma escola, a nenhuma igreja, a nenhuma instituição, a nenhuma academia, muito menos a nenhuma regime, a não ser, ao regime da liberdade’.” Ainda válido, pior, necessário numa sociedade cada vez menos livre de rótulos e dependente de se imaginar vista.
