17 de Maio de 2008

Para ir com o filho e depois, continuar próximo

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Ontem fui com meu filho de 11 anos assistir a Speed Racer. Tinha uma lembrança positiva do desenho que permeou minha infância, não lembrava detalhes, hoje correndo pela manhã, lembrei todinha a música que me foi ensinada para decorar as preposições (a, ante, até, após….). Meu filho nunca tinha ouvido falar até ser atingido pela intensa campanha do filme.

Nessas horas me policio para não ser um adulto educador chato. Mas a maturidade de 42 anos tolhe um pouco da criança que ainda existe dentro de mim, vá lá, talvez essa criança seja um pouco mais singela e emocional do que tecnológica. O filme tem muita cor, uma mistura de realidade e ficção, como li numa crítica hoje, reflexo do mundo em que vivemos. Meu filho gostou, eu saí de lá convencido que não adianta lutar contra o poder da indústria “cultural” americana. Eles tem cores, música, efeitos especiais a seu favor, eu, além de carregar o ônus de ser pai e ter que educar tenho menos efeitos especiais a apresentar. Também me convenci que o negócio é deixar que o impacto dos valores de uma cultura muito distante do que eu acho ideal aconteça agora e depois eu tento dar uma dose de realidade. Ou seja, mais uma vez me vi no papel de “separar” o meu filho de algo que lhe parece natural. Será que conseguirei? Tenho dois adversários muito poderosos, nem sei quem é mais, a mãe, ou a indústria de Hollywood…

2 comentários em “Para ir com o filho e depois, continuar próximo”

  1. Thiago

    Daqui a pouco você verá que mais adversários vão surgir: os colegas de seu filho (e suas influências) e ele próprio que, com a adolescência, vai querer dividir a primazia do terreiro com você. Meu filho faz quinze anos na semana que vem e estou vendo esse filme. Portanto, aproveite enquanto é o ídolo do seu querido menino.


  2. Thiago

    Sei que isso vai acontecer e é inevitável. O pior é saber que não só não serei mais o ídolo, como também necessariamente frequentarei o fundo do poço por algum tempo, mas é por uma razão nobre, a autoafirmação deles. Cabe a nós a paciência e a continuidade do trabalho mesmo diante de muitas agressões, digo isso, porque, mesmo tendo sido filho de pai “ditador” e o atacado pouco, depois de “velho” comecei a entender melhor o meu “velho”, trabalho para ter uma proximidade mais fácil, mas ela sempre aparece, no pior dos casos, ou no caixão, ou, pior ainda, na consciência do que fica…

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