1968, o ano que não terminou
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A caixa é um charme, fetiche. Não tinha lido 1968, o ano que terminou, comprei, emprestei e nunca mais vi de volta. Comprei agora de novo e li rápido. Tenho uma queda por esses relatos, mais do que isso, uma questão para resolver na terapia: sinto um pouco de inveja de quem lutou por uma causa. Por mais que hoje, amadurecido ou endireitado, não cheguei no PFL/DEM, apenas estou desiludido com os partidos e os homens públicos, eu veja que muita besteira se fez, acho que faz parte do papel do jovem. Minha geração fez pouco, mais do que se faz hoje, mas estive nas ruas, brigando pelas diretas, fazendo boca-de-urna pelo PMDB, depois PT e depois PSDB, mas lá se vão uns 20 anos…
O livro do Zuenir de 1988 é muitíssimo bem escrito e mostra de forma gostosa o porque as pessoas entraram naquilo e o que foi o ano de 1968. Os principais acontecimentos estão lá, tudo começando numa festa de reveillon. A mudança de costumes está mais no segundo livro, O que fizemos de nós, esse ainda estou lendo, mas a imprensa escrita trouxe muito de 1968 nas últimas semanas. Dos otimistas aos pessimistas, a rebeldia em vários países, brigando contra controles diferentes, mudou menos do que se queria. No Brasil, não se encurtou, nem arrefeceu a ditadura, desembocamos num hiato político, a mercê de velhos costumes clientelistas, impregnados na esquerda e na direita, a democracia serviu para revelar isso.
Para quem tinha 3 anos naquele ano ou anos insuficientes para ter participado, a leitura serve como base para entender alguns dos caminhos desse país, serve também para entender um pouco da espécie, ver como no fundo, o homem começou a olhar ainda mais para si.
