24 de Junho de 2008

Qual questão humana?

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Confesso que fui assistir ao filme do diretor Nicolas Klotz acreditando que teria assunto para um post direto no outro blog do qual participo, o da HSM. Sai em dúvida se a indicação do filme fazia sentido para pessoas completamente voltadas ao mundo profissional. Sim, o filme é sobre presidente, vice-presidente, RH e outras coisas, mas como o título diz, é sobre ser humano.

Sai do cinema com aquela sensação de ter entendido menos do que toda a minha vivência já possibilita. Não é um filme fácil. Fui sozinho, portanto não tinha com quem comentar, ao ver o cartaz na saída, notei que o mesmo havia ganho o prêmio de crítica da Mostra de São Paulo do ano passado, fiquei mais preocupado. Mas se você prefere filmes lineares e crescentes, não vá. Esse incomoda, pelo que diz, pela tonalidade, pela atuação das pessoas.

Li algumas críticas e concluo que valeu. A associação dos processos seletivos com o nazismo parece forte, mas merece ser pensada, a certeza de que lembranças do passado assombram, é uma constatação sempre necessária. A indicação de que nem todos conseguem separar as experiências pessoais das missões na empresa um alerta. Um filme que requer atenção, concentração e disposição de encarar o cotidiano aceito como algo a ser questionado. Afinal, não é todos os dias que alguém não lhe deixa dar desculpas, o faz pensar que a saída “eu estava apenas cumprindo ordens” foi também dada pelos oficiais da SS durante o nazismo. Forte? Sim. Necessário? Também. Indigesto? Um pouco.

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