Arquivo: Junho de 2008



Eles têm o que falar? Expogestão 2008

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De 18 a 20/06 acontece em Joinville a ExpoGestão 2008. 2 dias e uma noite de palestras e discussões sobre gestão. Eu vou estar lá, por duas razões. A primeira, Joinville é uma cidade que me surpreendeu, você sente a economia nos lugares, a prosperidade, uma quantidade muito grande de empresas fazendo. A segunda é que terão alguns palestrantes dos mais interessantes. Existem outros, dê uma checada no site www.expogestao.com.br, o link também funciona nas fotos acima, mas eu vou falar do Drausio Varella, Oscar Motomura e Ram Charan.

O Drausio é quem menos conheço, li alguns de seus livros e me redimi ao ler o seu artigo descrevendo o mesmo martírio que o meu ao correr às 6 hs da manhã. É importante, ainda mais para os estressados de plantão empresarial, ouvir um pouco sobre saúde. O Oscar Motomura é uma cabeça das mais interessantes. Quem puder fazer o APG na Amana deve ir. É um treinamento diferenciado, para os que lêem os livros da Virgília e ficam com o Tico, o Teco e a turma toda funcionando.

Já o Ram Charan, fui o primeiro a publicar seus livros no Brasil. Dirigi uma vez com ele por São Paulo, ouvi sua contemplação de similaridade de São Paulo com Calcutá. É um indiano maluco, só essa palavra consegue descrever para mim alguém que não tem casa, literalmente vive de hotel em hotel. Isso lhe dá tempo de estudar execução a fundo. Trabalha de perto com alguns dos principais CEOS do mundo, se a platéia souber apertar, arranca detalhes interessantes.

Além desses, existem mais 10 outros nomes de destaque. Se estiver passando por lá ou para programar uma viagem para a região, essa é a hora. Vou postar o que mais de interessante ouvir.

Caráter nos nossos tempos

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Freud deve saber explicar muito bem, mas quem me conhece sabe que tenho muitas restrições a livros de negócios, a grande maioria se mistura com auto-ajuda e promete ferramentas rápidas de mudanças e ascensão profissional, mentira.

Esse livro do professor de ética de Harvard, Joseph Badaracco, é diferente. Usa a literatura para questionar o caráter de um líder. Mergulhar nos personagens de grandes autores, guiados pelo autor, é encontrar as mais profundas dúvidas escancaradas ali para deglutirmos. É entender um pouco como os valores, os princí­pios e o pragmatismo se colocam na vida e nas carreiras das pessoas. Indispensável para quem quer sobreviver no mundo corporativo, não sei se ajuda na promoção, mas que ajuda a dormir, isso ajuda, bem mais tranqüilo. No mínimo alerta para que prestemos de fato atenção nas ações e nas marcas que elas deixam, na superfí­cie ou nas profundezas, mas sempre com um atalho para vir à tona.

O autor sabe que o ideal seria a junção dos princípios e o pragmatismo, mas sabe também o quanto isso se mostra improvável no dia-a-dia das pessoas. Assim, é melhor cada um encontrar seu caminho para a coerência interna. Dica? A única é que o caminho é longo, demanda muito, uma vida…

Espelho XXX

Ser humano é olhar para o passado em busca de explicações para nossas ações, é tentar entender para onde o entorno caminhou e se fizemos alguma coisa.

1968 - O que fizemos de nós

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Acabei de ler o segundo livro da caixa do Zuenir, o 1968 O que fizemos de nós. Foi antes do final de semana o que já me fez olhar para as matérias da imprensa um pouco com aquele olhar de especialista no assunto, desprezando o que outros, menos capacitados, poderiam acrescentar. É brincadeira mas é verdade, ler os dois livros de 1968 permite ao leitor ter uma boa visão do ano, das questões do mundo e do Brasil. Não entender minimamente o que se passou é um buraco negro na via de qualquer um, daqueles que fazem falta cultural e de interpretação.

Já falei de algumas sensações de ter feito pouco, totalmente cabíveis aos da minha geração, já nascidos depois do golpe militar, mas ainda não contaminados pelas músicas eletrônicas e raves. Esse o que fizemos de nós é dos mais interessantes, me ajudou a entender um pouco os jovens de hoje e depois, na segunda parte do livro traz entrevistas com Heloisa Buarque de Hollanda, Caetano Veloso, César Benjamin, Fernando Gabeira, FHC, Franklin Martins e José Dirceu.

Essas entrevistas, além de acrescentar visões distintas do fato e dos rumos que se seguiram, deixam claro que o ser humano tem uma enorme capacidade de, pelo menos expressar, o quanto consegue adaptar a história ao seu ponto-de-vista. Gostei muito da lucidez do César Benjamim. Taí dois livros interessantes, bem escritos e que embelezam a biblioteca de qualquer um.