Mulheres e amantes
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Uma garota dividida em dois mais do que vale a ida ao cinema. Poucas coisas que você está fazendo agora valem mais a pena do que se confrontar com um pedaço de nós mesmos depositado em cada um dos personagens. Ironia e hipocrisia estão muito presentes nesse filme do diretor Claude Chabrol, aliás, aos 78 anos, lúcido e muito produtivo, usufruindo de seus VGBL ou PGBL, não tenho muita certeza, e ao lado de vários membros de sua família, trabalhando, em excelente qualidade.
É a história de uma jovem que se apaixona por um importante escritor, muitíssimo “bem-sucedido”, não apenas materialmente, mas com uma relação modelar. Não resiste a garota, como parece resistir a poucas coisas, a medida que o filme apresenta os personagens. Preste atenção na editora dele (confesso que ainda não conheço colegas assim, mas vou começar a imaginar nas editoras, quem pode cumprir papel semelhante…). A garota se envolve e ao se dar, entra em contato com um lado para o qual não estava preparada.
Como tentativa de retomada, cede a um milionário caricato (atenção dândis, depois desse filme, veja bem o que fazer com suas peças Paul Smith…) que não suporta ouvir a verdade. Um quadro muito verdadeiro e bem-humorado da sociedade, dos desejos e das questões que a vida pode colocar aos que não se escondem atrás de “morais e formatos” confortáveis.
