Família à irlandesa
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Anne Enright ganhou o importante Man Booker Prize em 2007 por O encontro, bateu um veterano nesse prêmio, Ian McEwan. Só isso já me intrigou a lê-la. O tema do livro, universal, questões de família. Verônica narra o encontro dos Hegarty no velório do irmão mais próximo. Para chegar aí, vai as origens da família, descrevendo as relações, as presenças e as ausências, desde seus avós.
A escrita é madura, amplia os horizontes, narra os acontecimentos que se passaram ou poderiam ter se passado, na sua, na minha, ou em qualquer família. Talvez até tenham acontecido, mas não tenhamos ficado sabendo, afinal, família também não é isso, um perdoar o esconder? Senti falta de um componente romanção, aquela vontade de não parar, a velocidade não é tão rápida, suporta-se um dia longe, porque parece que a autora deixa claro que as revelações não são brotantes, prefere trabalhar as circunstâncias, o mergulho.
Da família de seus ascendentes para a de seus descendentes essa mulher toca de maneira corajosa no afeto que liga uma pessoa a outra, desde seus avós, até suas filhas, discutindo os momentos diferentes que vivem juntos, um homem e uma mulher. Bastante recomendável.
