Um velho intelectual e um jovem capitalista querem a mesma mulher
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Acabei a leitura do novo livro do Coetzee (Diário de um ano ruim), aquele que disse num post que me “irritava” (“uma mulher e um mulherengo formam uma combinação natural, como o peixe e o anzol”, ou então,”É interessante quando homens representam um para o outro. Eu vejo isso com os amigos do Alan também. Quando o Alan me leva para alguma reunião no escritório, os amigos dele não dizem Que gostosona que você tem! Que peitos!! Me empreste por uma noite! Pode ficar com a minha! Eles não dizem isso, mas é o que fica piscando entre eles… porque é para isso que eu sirvo, por isso é que ele me compra roupas novas e me leva com ele… ). Gostei muito e recomendo. Concordo com alguns críticos que o formato não é dos mais cômodos, não possibilita a leitura do jeito que estamos acostumados. Ficava em dúvida em o que ler, mas nada grave. É possível sim caminhar com os ensaios e as histórias. Na maior parte do livro as páginas são dividas em 3: um ensaio sobre um tema geral, a visão do escritor sobre a jovem que o ajuda, e a visão da jovem sobre o escritor e o que ele escreve.
Lá se misturam opiniões sobre o mundo na parte de cima e na debaixo as vidas de três pessoas vão se entrelaçando, o escritor, a jovem filipina gostosa, fútil, com quem ele começa a trocar e o seu marido financista sempre querendo encontrar uma boa forma de ganhar dinheiro.
A história de baixo é simples, porém suficiente para impelir os homens a constatarem o que as mulheres representam em suas vidas. Um intelectual preocupado com as grandes questões do mundo ainda descobre que existe dentro dele uma certa libido que ainda sobre no capitalista de meia-idade que nunca sabe se a aproveita com a mulher ou a exibe para os amigos. Vale a leitura!
