
Ontem assisti a A alma boa de Setsuan, peça de Bertold Brecht dirigida por Marco Antônio Braz, com Denise Fraga, Ary França e um bom elenco. Fui pelo texto, discute se é possível ser bom para os outros e você mesmo. A personagem vivida por Fraga, uma ex-prostituta só consegue se livrar da sacanagem e abusos dos que a ajudam ao incorporar uma outra personalidade, um primo durão.
O final é interessante, cobra do expectador o pensar para a solução da situação em que nossa espécie se encontra. Mas não saí convencido de que é eficiente. O humor do texto e das interpretações não me conquistou. Acredito que a peça corra o perigo de não agradar aos mais exigentes, pelo seu humor caricato (pretendo assistir A megera domada e daí faço uma comparação mais consistentes. Na casa dos 20 anos, assisti a Ubu, peça do mesmo Ornitorrinco, adorei, recomendei, desconfio que terei outra reação agora, mas aguardemos…), nem aos que foram atraídos pela exposição global de Denise Fraga (aliás, ela estará no próximo livro da Virgília, juntamente com 38 outros respondentes sobre criatividade), lá encontrei uma tia que acredito ter escolhido essa peça por esta razão. Ou seja, para democratizar, opta-se por uma tentativa global e não se agrada profundamente nenhum dos dois extremos.
Fiquei na última fila do teatro (Reinassance), é verdade que o vendedor alertou, mas a posição lá é péssima e demonstra descuido com o teatro, o ar estava desligado e no final estava muito quente. No site do teatro até ontem era possível supostamente assistir Visitando o senhor Green, com Paulo Autran e Dan Stulback, em tempos de blogs e internet, não ter um site minimamente atualizado é grave. A menos que seja uma homenagem ao Paulo Autran…
Vale assistir A boa alma de Setsuan? Vale, mas não vá com enormes expectativas, pode sair com aquela sensação de queria um pouco mais.