12 de Setembro de 2008

Enxergue seu pior lado - Ensaio sobre a cegueira

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Voltei agora do cinema. O filme tem do Fernando Meirelles um ritmo, um nervosismo característico. Cheguei a ler algum crítico temendo que o diretor cedesse a mediocridade americana, não acho que o fez. O filme incomoda. Não pelo que se vê ou se enxerga, mas pelo que nos faz entender sobre nós mesmos. Não é agradável sabermos como tendemos a reagir em situações extremas, ainda mais quando cada extremo é relativo. Nem todos seguram e muitos já se entregam ao primeiro aperto.

Ver nosso lado ratazana não é digestivo, mas é necessário. Incomoda, sim, talvez ainda esteja com uma ligeira dor de cabeça. A música do Uakti contribui (isso é um elogio), o ritmo da câmera também, mas o que incomoda mesmo é ter que olhar para nosso espelho interno, o que ele mostra é o que muitas vezes tentamos fugir.

Sim, o livro é de ficção, sim o filme pode ser encarado como diversão, não importa como chegue lá, mas é importante sair da zona de conforto e exercitar seu aparelho visual, num exercício, diretamente conectado com o seu estômago e todo o aparelho perceptivo. Aliás, vale mencionar que o Fernando Meirelles é um dos entrevistados do Andy Smith no livro da Virgília: Jeito brasileiro.

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