O que o Vaticano e a igreja católica não querem enxergar
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O Estadão de hoje trás na página 2 um artigo do cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilo P. Scherer. Pelas minhas convicções tendo a não ler esses emissários, mas a chamada do texto me causou uma revolta: Que mal fizeram esses bebês para que se trame contra sua vida?
Diante de tamanha apelação e absurdo, li todo o texto. Não pode ser mais contrário ao que penso. Ainda mais depois de ter assistido ao Ensaio sobre a cegueira, como comentei no post abaixo, o filme é um mergulho na alma humana, uma alma já bastante atormentada de nascença, sem a necessidade de instituições poderosas e ideológicas como a igreja precisarem espalhar o medo e a culpa. Tenho uma posição clara a favor do aborto, acredito que deva ser sempre uma decisão pessoal. Mas o texto não tratava disso, tratava sobre o aborto dos anencéfalos. Para mim, defender a vida (a breve vida) de um anencéfalo é tramar contra a vida de sua mãe, é expor a um sofrimento ainda maior uma mulher e o restante da família, é, numa posição radical, formação de rebanho, garantir culpados e sofredores para suas missas.
Já passou da hora dos religiosos, supostamente sem nenhum contato direto com a questão, enxergarem um pouco além de suas teóricas convicções. Minha resposta a Dom Odilo é uma outra pergunta: “Que mal fizeram essas mães para que se trame contra sua vida?”
