Arquivo: Setembro de 2008



Refletindo a pátria

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Já li a Folha de S. Paulo, o Estadão e o Globo de hoje, ou estava muito distraído, ou só ao consultar a agenda para marcar um compromisso me dei conta que era 7 de setembro. Olhei para o meu filho e me lembrei que na idade dele, já teria desfilado. Sim, algumas hipocrisias do governo militar, mas será que não vai fazer falta uma certa conexão dele com o país?

Só se quiser refletir a sexualidade

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Shortbus é um filme claramente provocativo, diria até que quer chocar. É interessante imaginar a reação desse americanos médios, republicanos que estão animados com a indicação de Sarah Patlin para vice de Mcain. O jeito de passear por Nova York é criativo, falou-se da cena do personagem urinando na banheira, para mim a yoga com final íntimo é mais inusitada.

O filme mostra um local onde tudo é permitido, onde as pessoas tentam encontrar o mínimo de paz com seus desejos. É incrível como ainda hoje a sexualidade é algo tão reprimido, se não fosse assim, alguns estabelecimentos estariam abertos ou funcionariam de forma mais tranqüila. Aliás, é inevitável a associação entre o ex-prefeito de NY que freqüenta o Shortbus e o atual de São Paulo, ainda no poder e reprimindo os locais. Quem sabe, se daqui alguns anos quando alguém resolver retratar o Shortbus de nossa cidade e a fila da prefeitura já tenha andado, não se tenha um bom personagem para a versão paulistana… Há forte temática gay, caso se incomode, não vá.

Realidade sem fim

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Acabo de assistir a Linha de passe. Utilizei um método freqüente, ler as críticas quando retorno do cinema. Assim busco a visão dos críticos um pouco nas sensações, um pouco na memória. A maioria foi mais positiva do que eu.

Gostei do filme? Gostei, mas esperava algo mais forte. Não quero com isso dizer que “pimenta nos olhos dos outros é refresco”, mas eu já consigo imaginar a realidade daquela família, se estou distante na estrutura da minha vida diária, não fujo, não me encastelo e escondo atrás de filmes e locais completamente protegidos. Assim não preciso do filme de Walter Salles e Daniela Thomas para ser apresentado a realidade do evangélico, do motoboy, do aspirante a craque, do “procuro meu pai motorista de ônibus” e da mãe-pai que houve de todos os filhos sobre sua “inconstância sentimental”.

Talvez para quem vive a vida com filtros, o filme tenha essa força que eu procurava. Sim, o filme mostra a vida na periferia de uma cidade cruel como São Paulo. É importante para visualizar como as alternativas de violência e marginalidade se impõem aos seus habitantes, como é difícil resistir, como o contraste empurra essa juventude para um caminho negativo. Tudo isso está no filme. Gostei bastante das atuações masculinas, até mais do que a da Sandra Corveloni, que julgo correta, contida. O não final do filme deixa claro que as confusões nessas vidas, nas nossas vidas está longe de um final feliz.

Pecado nos detalhes

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Ir ao D.O.M. para mim é a busca de um momento especial para celebrar, era aniversário da minha mulher. Sempre leio as entrevistas do Alex Atala, nas quais ele tem uma consistência interessantíssima, admiro a inclusão e divulgação de ingredientes regionais brasileiros. A inclusão do restaurante na lista dos 50 melhores do mundo pela revista Restaurant é a garantia que paladares restritos terão acesso à vários ingredientes até então considerados pouco nobres.

Mas confesso que a experiência ficou aquém do imaginado. O serviço não foi além do correto. O couvert, que não inova há anos, não trouxe o prometido complemento, ninguém perguntou se gostamos dos pratos? Gostamos? Sinceramente, não. Pedi o cupim, detalhe, não como cupim desde que vi um programa na televisão com o Marcos Bassi mostrando a composição, quase 60% de gordura da carne. O acompanhamento dele estava ótimo, o aroma do purê com pequi quase me levou a Goiás, ao Mato Grosso, mas a carne, incrivelmente dura e com temperos tímidos, cometi uma heresia com a carne assada daqui de casa…

Algumas pessoas pareciam que tinham a função de observar, ou esqueceram de minha mesa, ou ainda não entenderam que num restaurante daquele padrão, os detalhes são tão importantes quanto a criatividade do chef. 

Encontrar a sua voz

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Há duas semanas assisti uma palestra do Marcelino Freire, tinha comprado o seu último livro mas ainda não lido, é uma belíssima edição, sem sacanagem, nem parece que é da Record. Gostei muito do autor, direto, pragmático. Nordestino, filho de mãe quase analfabeta, ficou aos 9 anos impactado por Manuel Bandeira e iniciou uma perseguição ao seu sonho. Depois de alguma estrada começa a acontecer.

Já foi reconhecido pela crítica. Comprei esse “primeiro” livro, pelo menos o primeiro por alguma editora, a Ateliê. Ler Angu de sangue é escutar o Marcelino falando. Se não acho que algumas rimas são fáceis e simples, reconheço que é um autor que encontrou a sua voz, isso não é pouco, gosto de sua escolha de temas e a coragem da abordagem, muitas vezes mais do que o desenvolvimento. Inclui-o no rol dos que vou observar.