27 de Outubro de 2008

Quem ama, tem peso na consciência…

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O italiano Claudio Magris também ficou na fila para o prêmio Nobel de literatura. Ainda não li nada do Le Clézio para avaliar se injustamente. Não tinha lido nada do Magris, livros pequenos servem como excelente empurrão à leitura. Esse, O senhor vai entender, não chega à 60 páginas. Mas vale a leitura. As orelhas criam uma expectativa mais forte que a realidade, mas um editor não pode ficar culpando o outro por tentar vender o seu peixe…

É uma carta onde Magris acerta as contas com o seu passado. Por indicação da orelha, corri atrás do mito de Orfeu e Eurídice. Orfeu, perdeu sua bela amada e inconformado, lutou por ela, até no reino dos mortos. Seus dons musicais e sua força conseguiram mudar o destino da vida, mas para isso, ele não deveria olhar para trás até que estivesse de novo sob o sol. Muito próximo ele deu aquela olhadinha para se certificar que sua silenciosa amada ali o estava, o talvez, apenas pela curiosidade mortífera que nos acompanha. Ao cair nessa tentação, perdeu a amada para sempre.

Magris também não resistiu, mas se no mito, era apenas a beleza de Eurídice que era reforçada, na vida de Magris, a escritora Marisa Madieri parece ter desempenhado um papel bem mais importante do que a simples graça. Além do perdão, atuou direta e profundamente na obra do marido. Magris chega a admitir, no mundo da ficção, que sem ela, ele não seria quem é. Amor, justiça, peso na consciência? Leia e tire suas conclusões…

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