Arquivo: Outubro de 2008



Nobel francês

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Se você como eu nunca tinha ouvido falar no escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio , novo prêmio Nobel de literatura, e, também como eu, vai dar aquela checada na obra dele, vai ter alguma dificuldade. Li que são 4 livros traduzidos ao português, no site da Cultura encontrei apenas 3, nenhum com entrega imediata, ou seja, não é um autor disponível nas livrarias, agora vai mudar…

O peixe douradoA quarentena pela Companhia das Letras e O africano, Cosac Naify, acho que vou nesse, mais curto e resgatando um pouco da relação com o pai e o tempo vivido no continente africano.

A premiação deste ano ficou manchada pelas besteiras que o presidente do juri andou falando. O sueco Horace Engdahl fez generalizações extremas sobre a literatura norte-americana, não sou apaixonado pelos ianques, não moraria em lugares muito diferentes de NY, Chicago e San Francisco, mas reconheço que existem sim lá, apesar da mediocridade e dos absurdos da auto-ajuda, escritores de verdade, inclusive o meu preferido, Philip Roth. Ficou mais ou menos claro, que como todo prêmio, o Nobel também tem política. Nada grave, onde há homens política, não podemos ser ingênuos.

Espelho XLIII

Ser humano é sonhar, às vezes, agir para ter as regras e leis a seu favor, é minimizar as próprias tentativas de burlá-las. É ver com inveja a tentativa dos outros, ver com raiva a tentativa dos inimigos.

Animais e homens

um-medico-rural.jpg Li Um médico rural, esse pequeno livro do Kafka, aliás, a maioria dos seus livros é assim. Pequeno no tamanho, enorme na porrada. Kafka não é fácil, pelo menos para mim, precisa de uma racionalização. Estudei o conto Diante da lei, dos que mais gostei. O posfácio do Modesto Carone, também tradutor, ajuda bastante. Não só para explicar a relação do autor com o pai, quem não ainda não leu Carta ao pai, deve fazê-lo o mais rápido possível, mas para contextualizar a obra e a questão da transformação dos animais em humanos, ao contrário do que acontece em Metamorfose.

O advogado bucéfalo é para reflexões nas faculdades e escritórios de advocacia, já o “esperante” do Diante da lei é uma reflexão muito válida para uma cultura como a nossa, sempre nessa relação tão ambígua com a lei, não lembro a origem, mas “aos inimigos a lei” é algo que parece ter se disseminado no Brasil.

Sétimo livro da Virgília vai esta semana para as livrarias

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Quem quiser saber sobre empresas familiares deve comprar este lançamento da Virgília, Acontece nas melhores famílias.  Desta vez sou mais do que suspeito, além de editor, fui o co-organizador e também escrevi um dos capítulos: Lições de Machado de Assis e Milton Hatoum para famílias empresárias. A noite de autógrafos será em novembro, depois darei detalhes.

Veja só o time de co-autores: Andrei Lopez Bordin, Antonio Carlos Bordin, Antonio Carlos Vidigal, Édio de Almeida Passos, Ivan Lansberg, José Paschoal Rossetti, Kelin Gersick, Lélio Lauretti, Leonardo Viegas, Lucy Souza, Luiz Wever, Luiza Rangel de Moraes, Marcelo Melo, Matheus Mason Adorno, Modesto Carvalhosa, Paulo Henrique Lucon, Paulo Lucena de Menezes, Priscila M. P. Corrêa da Fonseca, Renata Bernhoeft, René Werner, Roberta Nioac Prado, Stephen Kanitz e Wágner Teixeira.

Outro comentário importante, a edição está linda. Os principais assuntos de interesse de empresários, executivos e interessados em empresa familiar estão ali.

Fotografia e o que se vê

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Fiz o circuito leitura do “As babas do diabo” e o assistir do clássico de Antonioni Blow-up. O filme foi inspirado neste conto de Julio Cortázar, um conto difícil, com instâncias diferentes de vozes em que a fotografia ganha um movimento que não há no filme. Neste, de fotografia impressionante para ter sido filmado em 1966, com detalhes estéticos e visuais ainda contemporâneos, a trama deixa claro o poder do fotógrafo e o que ele vê nas revelações.

E você, o que vê nas fotos? Além da discussão, vale para lembrar como era o processo de fabricação de fotografias.

Ah! o livro está esgotado (o conto está no livro As armas secretas), consegui comprar um último exemplar lá na Martins Fontes, livraria cada dia mais livraria para quem gosta de livros.

Resgate de memória

primeironuncaseesquece.jpg Tenho que confessar duas coisas: o Washington Olivetto teve um papel importante na criação do primeiro best-seller da Negócio Editora (minha primeira editora, e o livro se chamava Ah, se eu soubesse...), escreveu uma quarta capa instigante e deve ter feito muitos leitores comprarem o livro.

A segunda, eu ainda me lembro do comercial do primeiro sutiã. Dito isto, vamos ao livro, O primeiro a gente nunca esquece. É claro que é uma peça de propaganda do Washington, um publicitário assumido, assumido sim, mas sempre traindo a publicidade com a arte, música, com elementos ”mais nobres” da cultura. Vale a leitura? Vale, 70% das peças selecionadas são interessantes, servem como retrato de partes diversas da sociedade brasileira. Os outros 30% são bônus publicitário.

Se você trabalha em marketing, resta ler o livro e dar uma cobrada na sua agência para que consiga fazer algo que supere o plano de mídia em pelo menos algumas décadas. A Valisére não pode ficar com aquela sensação de pagou muito para a W/Brasil. Foi pouco, o investimento transcendeu, o livro veio simplesmente retocar a assinatura deste conceito que ficará cada vez dentro das nossas memórias.