15 de Novembro de 2008

Ação, reflexão, o romance e as praias

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Admito que tenho algumas resistências ao Carlos Heitor Cony, lembro que li e gostei bastante do Quase memória, mas lá se vai mais de década e naquela época eu não fazia anotações algumas nos livros. Sei que sua obra está sendo relançada, até comprei O ventre, seu romance de estréia que ainda não li. Dos colunistas da Folha é um dos que menos leio, associo a Manchete, seminário e um conservadorismo exagerado. Mas patrulheiro em relação ao preconceito, sempre inicio a leitura.

O da Ilustrada de ontem foi dos mais úteis, trata da divisão do romance em duas vertentes básicas: ação e reflexão. Admite que alguns tem um pouco dos dois, mas conclui que à literatura caberia mais a reflexão e ao cinema e até teatro, a matéria-prima adequada seria a ação. Lembra Glauber Rocha que disse “José de Alencar foi um rio, Machado de Assis, um bica d’água”. Justifica que talvez por isso Machado de Assis nunca tenha alcançado o público que merece no exterior, ao contrário de Jorge Amado, vendeu milhões. Jorge Amado seguiria a linha de José de Alencar e permitiria aos gringos matar sua curiosidade de tipos tropicais. Para as reflexões, esses mesmos gringos, leriam os locais. Faz sentido.

Colocou também que prefere não ter seus romances adaptados para mídia de ação, algumas vezes, preferiu criar obras específicas já com esta necessidade embutida. Para quem escreve fica a questão: como Cony, “com as minhas limitações, procuro refletir sobre a condição humana em vez de narrá-la”, ou como Alencar, Amado e tantos outros, “colocar muita ação em personagens dramáticos”. Talvez esteja aí uma diferença entre o livro sucesso de crítica e o livro sucesso de público. Poucos conseguem ser os dois ao mesmo tempo. Se e quando Paulo Coelho ganhar o prêmio Nobel, não tenho dúvida que o próprio Albert Nobel encontraria um jeito de voltar e declarar extinto o prêmio, aí, em todas as áreas, o abuso teria sido excessivo…

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