Freud, ou os fins justificam os meios…
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Nunca tinha lido nada mais profundo sobre Freud. Comprei a biografia escrita pelo Peter Gay, Uma vida para nosso tempo e também o livro do Renato Mezan, O pensador da cultura. Dois livros parrudos que de um jeito ou outro não me clamaram à leitura. Quando me deparei com esse da série Breves Biografias, - Freud - Criador da mente moderna - decidi diminuir minha ignorância.
Valeu a pena, muitas vezes senti falta de um texto mais fluido, mas deu para conhecer melhor o modo de pensar de Freud. Pessoa difícil, assumidamente carente de amigos e inimigos, e nem tão assumidamente capaz de revelar o quanto transformou suas interpretações em fatos. Também fica claro que não praticava o que pregava, mas isso não é tão grave quando se percebe que praticava e criava a teoria ao mesmo tempo. Muitas de suas interpretações foram questionadas, algumas destruídas, mas ele sistematizou algo novo. O seu incosciente, você deve a ele.
Interpretação dos sonhos, um de seus principais livros, e depois um grande best-seller, vendeu durante os primeiros 10 anos uma média de 75 cópias. Ele tinha um pouco da consciência da dificuldade de sua tarefa, mas dela não desistiu. Durante a Guerra temeu por sua sobrevivência e aceitou pagamento em batatas. No final da vida, quando cobrava 20 dólares por consulta, esnobou 100.000 dólares para contar ao senhor Goldwyn, da MGM, como as mentes funcionavam (desde o início a indústria de Hollywood foi profissional na tentativa não só de conquista de seu público…). Mas sem ele, as famílias continuariam a ser estruturas tão complexas quanto são, só que sem a capacidade de olhar um para o outro com toda a ambigüidade que ajudou a ver.
