Feliz 2009 - Leia bastante

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A foto não é das melhores, foi tirada de forma meio envergonhada, meio chocada, com o meu celular.
Estávamos em família (eu, minha mulher e os dois filhos), fazendo um almoço de final de ano. Nesses encontros o conceito de família é checado (como o é a cada instante de convivência), são 4 aspirações diferentes, quatro fases de vidas, um casal descobrindo sua maturidade, um filho descobrindo sua pré-adolescência, e uma filha ainda no início da infância. Diferente dos contos de fada, nem tudo caminha para a mesma direção, mas acredito que é necessário trabalhar muito e isso requer dedicação de todos.
Quando olhei para o lado vi um casal chegando com um filho e estranhei o “computador” que colocaram na mesa, esses dias não são tão ativos de trabalho, o pai estava vestido de forma bastante informal. Minha surpresa foi descobrir que não se tratava de um computador e sim de um dvd portátil. Coube a criança, de uma idade próxima a da minha filha, escolher entre 2 filmes da Disney. Decisão tomada, o pai colocou o dvd, apertou o play e junto com a mulher foram servir-se de salada.
Não bastasse a influência da televisão como educadora de muitas crianças em casa, agora os aparelhos de dvd substituem os pais também nas interações fora de casa, quando todos estão juntos. Do jeito que a coisa anda, as babás tempo integral vão ser lembradas como o máximo de humanidade na educação dessa geração, ou então, as crianças de hoje só saberão responder emocionalmente apertando botões…
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Assisti Gomorra hoje. Sala lotada, há tempos não via assim. Dormi no início, o filme é escuro, denso, pouco agradável, até um pouco confuso, mas é daqueles que precisam ser vistos. Momentos de confronto humano com o que a espécie tem de pior, não adianta querermos que seja assim só com a máfia italiana. Algo de parecido acontece nas nossas cidades, não há seguranças, insulfims, blindagens que afastem as pessoas disso.
Não fui o único, depois que acordei, ouvi alguém por perto roncando, apesar de todos os tiros e gritos. Mas daí, tentando tapar os buracos com a minha mulher, concluímos que o filme não é mesmo tão claro, também que não precisava ser, mostra o que se propõe. Estou concluindo a leitura de O tigre branco, lá também há uma mostra clara das diferenças entre as classes e o quanto elas são insustentáveis. Se não se acordarmos, as máfias invadem mais ainda as sociedades. Hoje nos jornais, matérias sobre os 50 anos da revolução cubana, lembram que até Kennedy foi para lá aproveitar a vida em “puteiros” bancados pela máfia local. Eles estão aqui, com muito dinheiro para comprar e matar. Melhor assistir e procurar um jeito, nem que pequeno de ação, para que essas situações diminuam, não aumentem.
Li 54 livros em 2008, editei 9, co-organizei 1 (onde também escrevi um capítulo), escrevi um outro onde sou co-autor, e ainda um terceiro como ghost-writer. Escrevi 13 resenhas e uma matéria com indicação de leituras para 2009 e ainda meus dois primeiros contos de ficção. Poderia ter sido mais, mas já é uma produção.
Alguns foram abandonados e nunca mais serão retomados, outros não, volto a eles. Se tivesse que escolher 5, abaixo as capas dos meus favoritos do ano, todos já comentados aqui e mais abaixo a listagem completa das minhas leituras:
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Janeiro
1- Padre Sergio - Liev Tolstoi
2- A Sonata a Kreutzer - Liev Tolstoi
3 - A morte de Ivan Ilitch - Liev Tolstoi
4- A economia em Machado - Gustavo Franco
5- Memorias do Subsolo - Dostoievski
Fevereiro
1 - Esau e Jaco - Machado de Assis
2- Carta a D. - Andre Gorz
Março
1 - Orfaos do Eldorado - Milton Hatoum
2 - A morte e a morte de Quincas Berro D’agua - Jorge Amado
3 - Correio do tempo - Mario Benedetti
4 - Cultura das transgressoes no Brasil - etco + ifhc
Abril
1- Psicanalise, profissao impossivel
2 - Uma historia de amor com final feliz - Flavio Gikovate
3 - O banco Medici - Tim Parks
4 - O conto do amor - Contardo Calligaris
5- Eu, um outro - Imre Kerstész
Maio
1- 1968 Um ano que nao terminou - Zuenir Ventura
2- Por que ler Shakespeare - Barbara Heliodora
3- Lessons from private equity - Gadiesh & MacArthur
4- 1968 O que fizemos de nos - Zuenir Ventura
Junho
1- Uma questao de carater - Joseph Badarraco
2 - Por que ler Borges -
3 - O livro das citacoes - Eduardo Giannetti
4 - Diario de um ano ruim - J.M. Coetzee
5 - O livro das perguntas - Pablo Neruda
Julho
1 - Fantasma sai de cena - Philip Roth
2 - O encontro - Anne Enright
3- Tudo o que voce pensa, pense ao contrario - Paul Arden
Agosto
1 - Primeiras estorias - Guimaraes Rosa
2 - A arte de produzir efeitos sem causa - Lourenco Mutarelli
3 - Ex-libris - Plinio Martins
4 - O maniaco do olho verde - Dalton Trevisan
5 - Angu de sangue - Marcelino Freire
6 - The brand gap - Marty Neumeier
Setembro
1 - O homem no escuro - Paul Auster
2 - O Senhor Walser - Goncalo Tavares
3 - Historias ficticias - Goncalo Tavares
4 - Rimas da vida e da morte - Amos Oz
5 - O primeiro a gente nao esquece - Washington Olivetto
Outubro
1 - Historia do pranto - Alan Pauls
2 - Cio - Marne Lucio Guedes
3 - Madame Bovary - Gustave Flaubert
4 - O senhor vai entender - Claudio Magris
Novembro
1 - Dom Casmurro - Machado de Assis
2 - Freud criador da mente moderna - Peter Kramer
3 - Poesia completa - Jose Paulo Paes
4 - Concerto barroco - Alejo Carpentier
5 - Escrevendo com a alma - Natalie Goldberg
Dezembro
1 - A volta ao dia em 80 mundos - tomo I - Julio Cortazar
2 - Mito e transformacao - Joseph Campbell
3 - Coroas - Miriam Goldenberger
4 - Tigre branco - Aravind Adiga
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O novo livro da Mirian Goldenberg, Coroas, não entrega tudo o que promete. Li na busca de melhor entender o envelhecimento, há menos que minha expectativa. Não deixa de ser interessante e recomendável, quem já conhece seus livros sabe que são meio colcha de retalhos, junção de entrevistas, artigos e outras coisas.
A leitura deste vale muito para entender a relação feminina, e por decorrência, masculina, com o corpo, identificado pela autora como “capital”, conceito diferente das espanholas e alemãs, também avaliadas no livro. Um outro capital muito valorizado pelas mulheres é o “marital”, ou seja, por mais que as relações sejam complexas e não resolvidas, nós humanos ainda dependemos muito de um outro.
Fala da diferença de posicionamento entre a Playboy francesa e a brasileira. Enquanto lá há um desejo de desenvolver uma sexualidade mais artística e com algum conteúdo, por aqui, o desejo de explorar as celebridades, representando a diferença explorada no livro em relação a roupa. Na França a roupa é utilizada como elemento de sensualidade, e tende a cobrir. No Brasil, de sexualidade e tende a mostrar. Lá, um marco da mudança, no final do ano passado, foi Juliette Binoche, utilizado aqui, para embelezar, e muito, este blog.
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Na década de 80 tinha uma certa dificuldade em assistir alguns filmes de Bergman, lembrei disso ao olhar para o relógio várias vezes ao assistir A fronteira da alvorada, filme do francês Philipe Garrel que narra a relação entre um fotógrafo e uma atriz-estrela, casada, iniciado após uma sessão de fotos. Eles se separam, mas não o suficiente para quem ficou vivo viver a sua vida.
Sempre que vou com minha mulher, a primeira coisa que falamos ao sair é: gostou? Ia responder que não, mas fui percebendo que o filme me fez refletir bastante, não é para isso também que serve o cinema?
Filmado todo em preto e branco, com uma música que não faz questão de ser simpática, já se tem o tom, faz que você questione e entenda a fragilidade dos relacionamentos e os “perigos” que envolver-se com pessoas novas sempre trás. Mostra também como é possível “ver coisas” se não se está em paz com a sua consciência. O final é forte, mas necessário. Se não quiser rever a fragilidade da condição humana, não vá assistir, não chegará ao fim. Se for, garanto que vai depois pensar nas pessoas que passaram pela sua vida e rever se fez as escolhas certas.
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Li partes do O Homem e seus símbolos de Jung há muitos anos. Não é minha corrente psicanalítica preferida (apesar de ainda fazer), às vezes me parece um pouco esotérica demais, mas por circunstâncias de um projeto comprei Mito e transformação de Joseph Campbell e gostei bastante da leitura.
O trabalho de Campbell para a localização do mito e de suas origens e decorrências parece um daqueles papos com os senhores sábios da aldeia, aquela pessoa que olha a vida com a perspectiva do tempo passando, já capaz de abandonar o individual. Recomendo fortemente a leitura, é daquelas que não fazem mal, acrescenta sabedoria, combustível de análise e interpretação, você pode discordar, como discordo de vários pontos no mundo que vivo, como disse com um amigo, bebemos Coca Light, (share de 1,8% de mercado), mas é interessante ver como histórias e estórias permanecem por séculos e são próximas em culturas muitas vezes muito diferentes.
Tem uma clara explicação da teoria freudiana, didática, algo que me ajudou a consolidar conceitos, só por isso já valeria, dificilmente vou confundir um neurótico e um psicótico, pelo menos nos conceitos, na vida real, ainda vou ser bastante enganado…
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Acabo de voltar do Teatro Alfa, eu, minha mulher e minha filha de 4 anos. Uma companhia estrangeira não veio para a temporada, ou foi cancelado pela subida do dólar e os 2 ingressos da temporada se transformaram em 4. Decidimos levar os filhos. Meu filho de 11 anos imediatamente arranjou outra coisa para fazer, entendi, ainda se fosse algo que remetesse a cowboy, futebol, ou qualquer outro ícone masculino, vá lá, mas ballet, deixamos não ir.
Já minha filha curtiu bastante, acho que é algo que os pais deveriam fazer, uma forçada de barra, mas daquelas que podem ter efeitos positivos a longo prazo. O espetáculo dura pouco menos de 2 horas, é claro que no final já não conseguia se concentrar, deu umas cochiladas e saiu brava, reclamando da “perfeição” dos movimentos e da conseqüente reação entusiasta da platéia, com gritinhos e aplausos, talvez ela leve jeito para crítica.
Mas traçando um paralelo com a coluna de hoje do João Pereira Coutinho que fala sobre o último livro de Doris Lessing, a versão de como poderia ter sido a vida dos pais delas se a guerra não existisse, Coutinho lembra que pais infelizes não criam filhos sorridentes… Ou seja, acho que levar crianças a um espetáculo desses pode ser uma abertura de universo, num mundo cada vez mais massificado. Talvez daqui alguns anos ela consiga ter consciência que a música era do Tchaikovsky, do Quebra-Nozes e não de uma das “princesas da Disney”. Já vai ter valido, além de poder dar uns sorrisos.
Para os adultos, não é sempre que se é possível estar ao lado de alguém que ainda acha que os papéis picados que surgiram do teto, são passarinhos. Aprendi bastante…

O oitavo livro da Virgília começa a ir para as livrarias. Quem se interessa por design ou então pelas questões que envolvem a vida com todas suas implicações nesse mundo complexo deveria dar uma checada.
O autor, John Thackara, tem sólida experiência em design, para a curadora do MOMA, Paola Antonelli, “Thackara tem um sistema digestivo invejável”, para ela, ele é capaz de pegar os mais diversos fatos e tendências de diferentes locais, processá-los e resumi-los… São 14 capítulos explicando algumas transformações e complexidades que impactam nossas vidas e como o design pode ajudar. Mas não é um livro apenas para designer, é para leitores preocupados em ter uma relação mais consciente e efetiva com o entorno. Para a sua vida profissional, ou então, para a sua vida pessoal. Thackara irá colaborar com esse blog nas próximas semanas, em inglês, globalizado como este mundo já está.
Veja os detalhes aí à esquerda, em Livros, ou então clique aqui: Plano B detalhes
Ser humano é sujeitar-se a muito para fugir do envelhecimento, é perder noção do digno, é aceitar e curtir o marketing a favor mas criticar quando está no sentido contrário.
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Eu não estou de saída para o Maracanã, não vou ao Morumbi, deve ser ignorância minha, mas Madonna não me diz nada. Nunca beijei ninguém embalado por ela, nunca curti dançar suas músicas e nunca achei seu comportamento e postura importantes, por mais que tenham contribuído para abrir algumas questões. Mas que a mídia brasileira está abusando, isso está, como disse o Ruy Castro na discussão sobre a Ilustrada, ninguém ainda levantou ou sacaneou a Madonna, é muita submissão.
Pelo menos estão sacaneando o Ronaldo. Quem consegue olhar para as fotos dele com a camisa do Corinthians e acreditar que ele precisa perder só 4 quilos? Mas eu já não agüento mais, a imprensa está servindo de mídia gratuita para as investidas do marketing, não só nesses dois casos, em quase todos. Tem um monte de assunto importante e a apelação para vender fica restrita a isso ou então com a morte do ex da Suzana Vieira.
Precisavam Veja e Época trazer isso na capa? Quem melhor falou desse assunto foi a Bárbara Gancia, na Folha de São Paulo, ao reproduzir uma frase do morto, dita poucos dias antes da overdose: “De que me adianta comer picanha argentina em restaurante chique e não fazer a digestão. Eu prefiro comer alcatra de segunda em boteco e passar bem depois”. Essa é uma das melhores frases que ouvi ultimamente na avaliação de uma questão. Atenção picanhas argentinas e alcatras, depois não reclamem que o mundo é machista, se vocês se prestam a isso. Aliás, já está na hora de questionar se as loiras donas de programas de televisão ainda merecem fazer ao vivo e ter o microfone à disposição para falar as besteiras que lhe vêem à cabeça. Como também foi levantado na discussão da Ilustrada, não dá para confundir Comportamento com Cultura…
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Assisti hoje Queime depois de ler, o último filme dos irmãos Coen. Gostei, não ri tanto, mas é daqueles filmes que você pelo menos ensaia a risada, uma risada na maioria das vezes por identificar comportamento familiares, mostrados num tom de ironia e absurdo que acabamos perdendo no dia-a-dia.
Classificaria como Hollywood sofisticado, filmado em Washington, não mostrou nem a Casa Branca, nem o Capitólio.
Eu sou fã de John Malkovich, ele está lá, quase representando o papel de John Malkovich, como estão lá as hipocrisias de casais e uma das melhores relações chefe-subordinados que já vi na vida, acontece na CIA, com os ex-chefes de Malkovich, se você aprender as sutilezas ali descritas, se dará bem em qualquer organização hierarquizada, atenção…
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Fui com sede ao pote mas a evolução da leitura foi muito mais lenta do que imaginaria. Não comprei apenas esse A volta ao dia em 80 mundos, como também o Último round, acredito que um dia volte, por enquanto resolvi ficar no Tomo I do primeiro, nem o Tomo II vou ler agora.
A edição é bastante charmosa, dois pequenos livros, não se engane, apesar das fotos e ilustrações, a letra pequena do miolo faz caber bastante texto, mesmo nesse formato “magro”. Não é ficção, não é ensaio, é um pouco de cada coisa. É possível perceber que se trata de um escritor maduro, de um escritor de fôlego, mas diria que é mais voltado para quem quer entrar nos detalhes da crítica e da “profissão”, ainda busco mais um conhecer e aprender boa ficção. Por isso, deixo-os, os três outros tomos, na estante por enquanto…
Tem sim algumas discussões interessantes para quem quer escrever e uma muito forte sobre tradução, sobre a impossibilidade de se captar o que o autor quis dizer em outra língua. Também dá uma boa espetada nos autores argentinos.
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Se você gosta de Cartola, não pode perder. Se não gosta, também não pode, se não conhece, eis a melhor chance, mesmo se você odeia música brasileira, tem muitos motivos para curtir esse CD, Cartola para todos, criado e produzido por Álvaro Fernando.
As principais músicas deste gênio popular brasileiro estão lá. Há também um depoimento do próprio cartola contando sobre suas mudanças das obras de tijolo e cimento para as obras gravadas por nomes de peso da música brasileira e até mesmo de outros países. As ilustrações já são de uma sensibilidade incrível, mas o pop que aparece é capaz de emocionar o mais insensível dos humanos.
Tem também o Angenor, interpretação de Cartola pela Cida Moreira, também imperdível, mas sem todo o charme gráfico, só no gogó da Cida, alguém que ouvi muito na juventude e assisti muito show no Sesc Pompéia.
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Precisava encontrar um jeito de deixar uma saudação ao São Paulo, afinal, nunca ninguém foi tri seguido ou então hexacampeão no Brasil. Sempre tem uma primeira vez. E é melhor que seja com o time da gente. Futebol serve muito mais para tirar sarro dos outros do que curtir o seu próprio time…
No Mais de hoje tem uma interessante entrevista com Hilário Franco Jr sobre futebol e o São Paulo, um exemplo de sucesso. A entrevista parte de uma interpretação: “o futebol é a expressão da sociedade que o contém”. Para Franco Jr povos com maior autoconfiança, ou arrogância, cantam mais durante o jogo, empurram mais os seus times. Esses não fazem como nós, não vaiam. Defende também que nossa pobreza cultural se reflete na pobreza das canções cantadas nas arquibancadas e na questão da violência. Mas o São Paulo campeão brasileiro de 2008 é um exemplo de que no meio de tanto confusão, há espaço para algo mais pragmático, abaixo Luxemburgo e as malandragens brasileiras.
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A Ilustrada fez 50 anos e para comemorar saiu o livro Pós-tudo, 50 anos de cultura no Brasil. Depois de uma bela folhada, comprei. Não é leitura de sentada, é para consulta, folhar, ver foto, texto, lembrar o que fazia na época de determinada reportagem, relembrar, no meu caso, de Flávio Rangel, Tarso de Castro. É inegável o papel deste veículo na cultura brasileira.
Logo após o índice tem uma página dupla com escritores, de um lado Clarice Lispector, autografando um livro, do outro Paulo Coelho sendo empossado na Academia Brasileira de Letras. Nem sempre a Ilustrada tem este contraste, aliás, nesse caso, para a sorte dos leitores, na maioria das vezes, a posição para o lado vivo desta dupla é acertadamente crítica.
Quem gosta do assunto precisa ter na biblioteca. Abaixo uma tentativa de reprodução da poesia do Augusto de Campos, inspiradora do título: Póstudo
quis
mudar tudo
mudei tudo
agora póstudo
extudo
mudo
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Como ando estudando para escrever, compro bastante coisa na área. Achei o título um pouco apelativo, Escrevendo com a alma, mas a editora é séria, Martins Fontes. Tem a chamada de mais de 1 milhão de livros vendidos. Só fui até o fim porque sempre há esperança daquela dica simples, porém matadora.
Não encontrei, mas sobraram apelos razos mais para a auto-ajuda do que para provocar uma reflexão de estilo e profundidade do texto. Algumas coisas óbvias e importantes: se você quer ser um bom escritor, deve fazer basicamente três coisas: ler bastante, ouvir com atenção e profundidade, e escrever bastante. Ou seja, tá vendo, todo mundo pode, é verdade? Sim, é, mas o duro é explicar porque então se é apenas uma questão de abertura e trabalho, uns poucos conseguem…
Das várias figuras quase politicamente corretas, a que preferi foi “compostagem, a imaginação do corpo como um depósito de lixo: acumulamos experiência e, a partir da decomposição das cascas de ovo, folhas de espinafre, pó de café e sobras de carne, descartados pela mente, surgem nitrogênio, calor e adubo. É desse solo fértil que brotam nossos poemas e histórias.”
O livro, lançado agora no Brasil tem um defeito grave. Há 20 anos, quando fez de fato sucesso, o computador não era uma realidade diária e constante na vida das pessoas. O livro é do escrever à mão, o mundo não é mais assim, além de poesia, escrever à mão um texto de médio para longo, é algo praticamente extinto.
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Saiu ontem o resultado do maior prêmio literário do Brasil, o do governo de São Paulo, como deu a lógica, a repercussão foi pequena. Deu Cristovão Tezza mais uma vez. Não fosse o livro do ano do Jabuti, teria levado todos, mas como disse aqui, para mim levou.
Também ganhou 200 mil reais a estreante Tatiana Salem Levy pelo seu As chaves da casa. Não estava lá, mas não entendi porque o prêmio foi apresentado pelo Cazé, pode ser puro preconceito, mas acho que a literatura merecia um personagem mais sério.