Supostamente para descobrir sua voz interna…
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Como ando estudando para escrever, compro bastante coisa na área. Achei o título um pouco apelativo, Escrevendo com a alma, mas a editora é séria, Martins Fontes. Tem a chamada de mais de 1 milhão de livros vendidos. Só fui até o fim porque sempre há esperança daquela dica simples, porém matadora.
Não encontrei, mas sobraram apelos razos mais para a auto-ajuda do que para provocar uma reflexão de estilo e profundidade do texto. Algumas coisas óbvias e importantes: se você quer ser um bom escritor, deve fazer basicamente três coisas: ler bastante, ouvir com atenção e profundidade, e escrever bastante. Ou seja, tá vendo, todo mundo pode, é verdade? Sim, é, mas o duro é explicar porque então se é apenas uma questão de abertura e trabalho, uns poucos conseguem…
Das várias figuras quase politicamente corretas, a que preferi foi “compostagem, a imaginação do corpo como um depósito de lixo: acumulamos experiência e, a partir da decomposição das cascas de ovo, folhas de espinafre, pó de café e sobras de carne, descartados pela mente, surgem nitrogênio, calor e adubo. É desse solo fértil que brotam nossos poemas e histórias.”
O livro, lançado agora no Brasil tem um defeito grave. Há 20 anos, quando fez de fato sucesso, o computador não era uma realidade diária e constante na vida das pessoas. O livro é do escrever à mão, o mundo não é mais assim, além de poesia, escrever à mão um texto de médio para longo, é algo praticamente extinto.
