21 de Dezembro de 2008

Me senti assistindo Bergman com 18 anos…

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Na década de 80 tinha uma certa dificuldade em assistir alguns filmes de Bergman, lembrei disso ao olhar para o relógio várias vezes ao assistir A fronteira da alvorada, filme do francês Philipe Garrel que narra a relação entre um fotógrafo e uma atriz-estrela, casada, iniciado após uma sessão de fotos. Eles se separam, mas não o suficiente para quem ficou vivo viver a sua vida.

Sempre que vou com minha mulher, a primeira coisa que falamos ao sair é: gostou? Ia responder que não, mas fui percebendo que o filme me fez refletir bastante, não é para isso também que serve o cinema?

Filmado todo em preto e branco, com uma música que não faz questão de ser simpática, já se tem o tom,  faz que você questione e entenda a fragilidade dos relacionamentos e os “perigos” que envolver-se com pessoas novas sempre trás. Mostra também como é possível “ver coisas” se não se está em paz com a sua consciência. O final é forte, mas necessário. Se não quiser rever a fragilidade da condição humana, não vá assistir, não chegará ao fim. Se for, garanto que vai depois pensar nas pessoas que passaram pela sua vida e rever se fez as escolhas certas.

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