Meu irmão não pode reclamar de mim - Irmãos Karamabloch
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Se você não souber muito bem o que ler e estiver disposto a esmiuçar realidade de família, ou então, estiver numa fase meio baixo astral com a sua, leia Os irmãos Karamabloch. Garanto que além de uma leitura muito agradável, de entender um pouco melhor a história do Brasil, de ver como empresas progridem apesar de seus sócios e diretores, você com certeza, olhará para a sua família muito mais relaxado. É uma pena que o Natal já passou, quem leu o livro do Arnaldo Bloch antes do encontro familiar deve ter tido muito mais paciência com os irmãos, tios, cunhados e outros agregados que aparecem nessas horas.
Os irmãos Karamabloch conta a história da família e do extinto “império” Bloch/Manchete. Deveria inspirar as próximas histórias de empresas ou pessoas, não há a máscara de só contar o belo e esconder os podres, de criar santos e ídolos. É claro que quem alcançou sucesso tem seus méritos, mas a maioria insiste em proteger tanto dos possíveis deslizes que criam imagens irreais, ou só aceitas por aqueles com nível de senso crítico até menor do que a taxa de juros no Japão hoje. No livro do Arnaldo o corretor do word deve ter se frustrado bastante, várias marcações em vermelho foram mantidas. Os xingamentos de um irmão para o outro lá continuaram, isso é muito rico.
É também muito rico lembrar o papel que a revista Manchete desempenhou no Brasil e ver como não é fácil mudar de área. Bloch passou a vida toda de desconto de duplicata em desconto de duplicata, no único momento que estava saudável, resolveu seguir a nova geração e apostou na televisão. O sucesso inicial foi inebriante, suficiente para perder a noção da vaidade e achar que era tão poderoso quanto Roberto Marinho, aí, “mexeu com os deus” e para o céu foi quebrado…
