26 de Janeiro de 2009

De onde devemos buscar nossas referências?

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O mercado, famosa entidade máxima da sociedade capitalista é soberano, democrático, exibe e reserva lugar ao sol para todos. Numa sociedade de tradição oral, como lembrou Antonio Carlos de Almeida no suplemento Eu&final de semana do último Valor de sexta, para lembrar porque o brasileiro e o seu representante mor, lêem tão pouco, o pouco que se le é muitas vezes de se perguntar, é melhor não ler nada ou ler isso?

Quem precisar aprender algo com a tal da baleia do Sea World (O que a baleia Shamu me ensinou sobre a vida, amor e casamento)  não está olhando em volta, é triste imaginar que existe mercado para esse tipo de livro. Ainda não me conformo com os livros de histórias de cães e gatos, por mais que esses dominem espaços no passado reservados a exemplares humanos. A tentativa de facilitar as coisas é sempre perigosa, sempre corre-se o risco de passar do ponto. Preconceituosamente, porque sequer peguei o livro, apenas o vi na vitrine da livraria do aeroporto ontem, convoco todos a repensarem se precisam mesmo de tudo tão mastigado. Editores, livreiros, leitores, qual é o mínimo que nos garanta uma evolução de uma geração para a outra?

Falando em vida inteligente recomendo fortemente a leitura do artigo do Renato Janine Ribeiro no mesmo suplemento, reproduzo aqui o último parágrafo, mas vale a leitura integral, introduzi um link no parágrafo. Abaixo a burrice, olha a profundidade das questões que o Janine coloca, pobre Shamu…

Quer isso dizer que o capitalismo está condenado à ganância, que pode destruir o mundo, assim como está eliminando riquezas enormes? Não sei. O que deu força ao capitalismo é que apostou em paixões, digamos, fáceis de seguir. As alternativas a ele, feudais ou socialistas, exigem mais de nós. O capitalismo é confortável. Não pede uma alta moralidade. Lida com os homens “como eles são”. Uma sociedade cristã, socialista ou amiga da natureza demandaria muito mais de todos nós. Será que nos dispomos a pagar o preço da moral? Ela não é barata. Por isso, a questão é mais funda: pode ser que, estes séculos, estas décadas, tenhamos vivido na ilusão de que dava para viver bem e para viver segundo o bem. Pode ser que não dê. Pode ser que tenhamos de escolher. A ética é cara. Pode custar riqueza, cargos, a própria vida. Estaremos dispostos a incluir o heroísmo, talvez até o martírio, em nosso rol de experiências possíveis? Se não, a destruição periódica que o capitalismo efetua pode continuar sendo mais conveniente para nós. Mesmo que, um dia, o planeta acabe.  

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