9 de Fevereiro de 2009

Relação autor-editor

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Na semana passada estive numa festa de aniversário da filha de um autor que ficou amiga. No final, na despedida, ganhei um beijo carinhoso do mesmo, já um senhor. Não pude refletir sobre minhas visões dessa relação que eu mesmo já disse que é “fadada a dar errado”.

Por que condenei a relação? Por algumas razões práticas. De um lado, o autor vai sempre encontrar pontos importantes a serem cobrados, principalmente em relação a falhas de distribuição (se você está para publicar um livro e a editora promete excelência nessa área, desconfie, ou está sendo mal intencionada ou tem padrões muito baixos de atuação, qualquer editora, por mais bem-sucedida que seja, tem consciência das dificuldades de distribuição de livros no Brasil). Do lado do editor, ele vai entrar em contato profundo com os pensamentos daquele autor e aí, conviver intimamente com ele durante um período, e aí, em alguns casos, são duas pessoas diferentes, ou seja, nem sempre todo mundo faz o que diz, ou melhor, o que escreve…

No período de lançamento do livro os dois estão ansiosos e focando na mesma direção, as expectativas ainda não foram encaradas pela realidade, tudo é possível, esse mercado é um dos mais próximos a loteria que eu conheço. Passado isso, tem o próximo lançamento do editor, a nova fase da vida do autor e a proximidade já não é tão grande, se o processo foi bem conduzido, resta um respeito e uma admiração mútua, que muitas vezes não é maior do que as cobranças.

Mas no final daquele aniversário pude sair com uma sensação de missão cumprida. Mesmo que as vendas tenham ficado aquém do esperado pelos dois lados, houve um consenso não dito que os dois lados deram o melhor de si.

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