19 de Fevereiro de 2009

Visão do Brasil e do mundo fica menos serena - Gilberto Dupas

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Fiquei sabendo ontem do falecimento do Gilberto Dupas, daqueles que merecem esse registro, cruel, de sua morte. Morreu com 66 anos, deixando diante de si muitos anos passíveis de uma intensa produção intelectual.

Se analisar o que se passava diante do país e das interações entre países nesse globalizado mundo era sempre algo esperado dele, a identificação de um câncer colou a serenidade e profundidade do pensamento em analisar a morte e todos os sentimentos que vem com o final. Ontem o Estadão antecipou o artigo, acabou sendo o último, escrito e programado para ser impresso na edição de sábado. Falava das tentativas “humanas”, as aspas são minhas, de prolongar a vida, da recusa em se aceitar algo inevitável, que não é remediado e não deve ser, por nenhum esforço artificial. Vale a pena ler e elucubrar sobre os caminhos que a “ciência” oferece à alguns, para mim, uma ilusão cara, penosa e passageira, numa tentativa de afastar o final. Dupas soube não apenas refletir, vi que seu último livro era uma ficção que incorporava em linguagem metafórica várias dessas questões, mas também, talvez pego de surpresa, exercer seu fim de forma serena. Foi cedo e as dezenas de livros e centenas de artigos foram pouco diante do que viria, mas formam um bloco coerente, o respeito e a admiração de muitos, esculpido.

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