Livros demais, tiro no pé! - Inimigos da esperança
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Eis um daqueles livros que caíram na minha mão de um jeito pouco usual e que adorei que aconteceu. Foi durante uma entrevista com o Jézio, editor da Unesp, sobre o mercado editorial. Um dos exemplos dados foi este pequeno livro editado por eles em 2008.
O autor, Lindsay Waters, editor da Harvard University Press, fez esse ensaio baseado na realidade do mercado de livros universitários, na verdade, acadêmicos, americano, mas além de prazeroso, ele também representa o que acontece com a cultura em geral. Muitos livros sem critérios acabam mais atrapalhando do que ajudando.
As denúncias sobre a realidade da produção intelectual são graves, as pessoas não lêem e não criticam seus colegas, respeitam aqueles que foram publicados e avaliam quem os editou e não o que se produziu, a preguiça e a conveniência também amarram a academia de humanidades. As universidades que deveriam lutar pela produção do novo, acabam incentivando seus membros a se tornarem burocráticos, falando sobre obviedades que não serão lidas.
Há números impressionantes, se há duas décadas um livro de uma editora acadêmica vendia aproximadamente 1200 cópias, esse número caiu para aproximadamente 300 cópias, ou seja, está faltando filtro. Não é uma postura elitista, é uma realidade, pessoas que sequer valorizam o livro e o conhecimento estão se utilizando deles para ter um upgrade e daí, da igualdade teórica, utilizar da preguiça e do comodismo para ao invés de combater a necessidade de não acomodação, pensar pouco e produzir minimamente. Acontece em vários mercados, mina-se critérios, até passíveis de crítica, encontra-se as fragilidades e de dentro não melhoram nada, apenas fazem os mais persistentes olharem para o sistema e também acreditarem que não vão vencer. Quem está preocupado com a qualidade e a mediocrização dos livros e das pessoas deve ler.
