13 de Março de 2009

O lado oficial deixou o livro morno - Desvirando a página, a vida de Olavo Setubal

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Olavo Setubal teve uma vida de grandes realizações, é verdade que a origem foi privilegiada, a formação também, mas quantos não conseguem sequer utilizar da primeira para alcançar a segunda? Olavo conseguiu e andou com pernas próprias, teve familiares e amigos que lhe abriram portas mas foi lá e fez, antes, racionalizando tudo. O grupo Itaú é incontestavelmente um dos grandes cases de sucesso no mundo empresarial brasileiro.

Mas com todo o poder que foi alinhavando em torno de si não conseguiu tudo, não virou governador de São Paulo, nem presidente da república. Apostou suas fichas no cavalo errado e preferiu não mergulhar mais fundo num mundo complexo como a política. Apesar de me considerar muitas vezes explorado pelo Banco Itaú, e de certa forma até um contribuinte modesto na formação daquele império, já paguei religiosamente (é verdade que sou ateu, mas paguei mesmo) todos os ALTOS juros cobrados pela instituição, acredito que seu estilo de gestão teria contribuído para uma verdadeira modernização do estado brasileiro. Mas os autores, Ignácio de Loyola Brandão e Jorge Okubaro, não souberam explorar essa frustração, aceitaram que foi mais uma página virada na vida dele, duvido que tenha sido assim lá no íntimo.

E esse defeito se estende ao longo do texto, eles deveriam chamá-lo de Dr. Olavo, se curvaram diante da imponência e tradicionalismo do personagem, é claro que é uma biografia oficial. Já fui ghost-writer de biografia, não é fácil tentar abrir o olho do biografado para mostrar uma obra verdadeira, não apenas com as conquistas bonitas, mas Loyola tem uma trajetória como escritor, por isso acho que em alguns momentos os “comentários sobre papai” ou as considerações sobre o “doutor Olavo” deveriam dar lugar a uma investigação mais forte, mas isso é o material que restou para quem for escrever a outra biografia, a não oficial, segmento que deveria ganhar muito mais força no Brasil.

Talvez a de Olavo demore um tanto, mas será delicioso, talvez para os meus filhos e netos saberem também um pouco do lado menos nobre do Itaú, do que os que ficaram do outro lado na política achavam do Olavo, e também, seria muito bom se os Villela tivessem tido uma voz mais forte, por mais que o time esteja ganhando, os homens são vaidosos…

Desvirando a página, a vida de Olavo Setúbal, Global Editora, serve para conhecer a formação desse grande grupo empresarial, é um estímulo ao investimento em gestão, vale a leitura para quem é do meio empresarial, para o público geral, peca por não conter elementos mais humanos de uma grande família. Ou será que os sete filhos, só dois não envolvidos na dinâmica do grupo, nunca tiveram que presenciar o tão característico gesto de bater com as palmas da mão na mesa e ouvir um “está resolvido” de um pai formal e concentrado no trabalho, não sabendo como administrar uma crise familiar?

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