A literatura em perigo - Tzevetan Todorov
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Se dependesse de mim a literatura está mesmo em perigo, tal como instiga o autor deste livro, búlgaro, residente na França. O li em fevereiro, gostei bastante mas tinha esquecido de postar.
O perigo real a que se refere o autor é a maneira como aos jovens é oferecida a literatura e como o falar da literatura vem substituindo seus melhores textos, ou seja, uma onda de críticos e estudiosos acaba chegando mais às pessoas do que os próprios autores. Exceção da informação que leu aos 8 anos um livro de 223 páginas de seu avô em uma hora e meia, o restante das informações servem como inspiração para que a literatura pode representar e oferecer na vida de uma pessoa e até mesmo como um guia de leitura e entendimento dos movimentos estéticos.
No final deste pequeno livro, são 94 páginas que devem ter me tomado mais tempo que o livro de 223 ao menino Todorov, além de menções da ótima correspondência entre Flaubert e George Sand, quando esta o acusa de não o ver na literatura que produzia, há, um pouco antes, a definição do papel vital que a literatura tem a cumprir e “mas é por isso que é preciso tomá-la no sentido amplo e intenso que prevaleceu na Europa até fins do século XIX e que hoje é marginalizado, quando triunfa uma concepção absurdamente reduzida do literário. O leitor comum, que continua a procurar nas obras que lê aquilo que pode dar sentido à sua vida, tem razão contra professores, críticos e escritores que lhe dizem que a literatura só fala de si mesmo ou que apenas pode ensinar o desespero. Se esse leitor não tivesse razão, a literatura estaria condenada a desaparecer num curto prazo.
Como a filosofia e as ciências humanas, a literatura é pensamento e conhecimento do mundo psíquico e social em que vivemos. A realidade que a literatura aspira compreender é, simplesmente (mas, ao mesmo tempo, nada é assim tão complexo), a experiência humana. […] a literatura faz viver as experiências singulares; já a filosofia maneja conceitos. Uma preserva a riqueza e a diversidade do mundo, e a outra favorece a abstração, o que lhe permite formular leis gerais. “
