18 de Março de 2009

Grande livro - o pior foi ter lido…

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Acabei hoje a leitura de Foi apenas um sonho de Richard Yates, leitura inspirada após assistir o filme de Sam Mendes, reforço, injustamente tão pouco tempo em cartaz em São Paulo.

Já tinha achado o filme denso, daqueles que fazem pensar, mostram o que pode te acontecer se der aquela bobeada, li o livro com muito interesse, o tema é bem desenvolvido, sai-se dele mas assustado ainda, mais precavido para não acabar a vida tendo como arma apenas o volume do aparelho de surdez, temo isso sim, não quero essa vidinha confortável e medíocre, mas isso tem um preço, para quem não sabe minha participação no livro E se eu tiver que escolher… foi apresentar a questão das ordens que Sponville se inspirou em Pascal e objetiva dar algumas indicações para que se possa fazer escolhas. O pior de ter lido é o aumento da responsabilidade para não ir pelo mesmo caminho, como sempre a ignorância é mais fácil.

Yates constrói dois personagens principais que se permitiram sonhar, fugiram das rédeas curtas da vida padrão, e se deram mal. Se deram mal porque não conseguiriam ou porque não tiveram forças para ir até o final? O livro não é sobre isto. Ele quer mostrar como é difícil um relacionamento manter algo de verdadeiro e o pior, que duas pessoas, carregando suas condições de formação, acabam ao fugir de enfrentar alguns pontos, estragando não apenas o próprio futuro, mas o dos outros também. Não é fácil encarar tudo de frente, o natural é fugir para o aconchego da mediocridade, ou do riso fácil. Faz diferença chegar ao fim da vida preservado pela fuga? Para mim faz, não é isso que quero, estou teoricamente preparado para encarar algumas pedreiras…

O único defeito do livro é a capa. Entendo as dificuldades do mercado editorial e o impulso que a repercussão do cinema pode dar, mas ainda tenho tendência a um purismo. Livro para ler e reler de tempos em tempos e checar se a vida está Wheeleriando… Ou pior, se já está Campbellizada…

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