A esperança vencida pelo desespero - Um jogador - Dostoiévski
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Estava fazendo um trabalho sobre risco e resolvi ao invés de livros técnicos, buscar na literatura. Há tempos tinha comprado Um jogador de Fiódor Dostoiévski, li rápido, num dia que o computador quebrou.
Esperava algo mais forte e denso, existe sim poucos momentos que demonstram o que se passa na cabeça de alguém que acredita que vai resolver sua vida numa roleta, mas serve para qualquer jogo. De resto, alguns esteriótipos, aliás, preferia que fossem apenas isso, mas são mesmo constatações, mulheres em busca de homens endinheirados. Quebrados, esperando a morte e a herança e disputas e dúvidas amorosas.
Há a metáfora da vida, é difícil saber a hora de parar, para o bem e para o mal, quando se está ganhando ou quando se está perdendo. Acho que cada um de nós tem um jogador dentro de si, seja o narrador, seja a avó. Dostoiévski o escreveu em 20 dias, nem um escritor do seu porte consegue o milagre de em tão pouco tempo produzir algo maravilhoso, é bom, mas está longe de outros livros dele.
Mas, se não o fizesse, perderia os direitos sobre a obra pelo prazo de nove anos, fez bem em fazer… Se não o fizesse, talvez não existissem O idiota, O eterno marido, Os demônios, O adolescente, Diário de um escritor e Irmãos Karamazóv, viciado em jogo, teve inclusive que fugir um período dos credores.
