Radiohead, um amante e um estranho no ninho
![]()
![]()
Admiro muito o trabalho do Isay Weinfeld, tanto que passei a ouvir Radiohead depois de ler uma entrevista dele falando sobre a banda. Devo ter uns dois Cds, não baixei o último e portanto não contribuí na definição do preço do download, mas resolvi ir ao show que aconteceu domingo em São Paulo.
Sim, porque é um grupo para iniciados, mais “cabeça”, achei que me sentiria o máximo em casa dentro do possível dos grandes eventos de música pop. Gostei? Nem tanto, queria ter pego o Los Hermanos, mas o local escolhido para o show, depois de várias obras viárias, inviabilizou, escutei as últimas músicas na negociação sobre quanto pagar para parar o carro na rua (me dei bem, “apenas” 10 reais, perto e no final estava lá, intocado), toda essa infra-estrutura, ou melhor, a falta dela, é algo muito chato nos eventos no Brasil, odeio fazer comparações que parecem apenas mostrar o quanto somos atrasados, não é o caso, mas assisti um show do Genesis em Chicago onde a organização era infinitamente superior, mas deixa para lá, se apenas isso precisasse mudar no Brasil, estaríamos todos indo ao cinema, teatro, shows pops e clássicos e principalmente, lendo muitos livros…
É claro que quem escreve nunca tinha ido em nenhum local de música eletrônica, por isso, consegui prestar atenção nas duas primeiras músicas do Kraftwerk. Pode ser uma heresia, mas se eu fosse fazer música eletrônica, seria exatamente aquilo que faria, um jogo de palavras e sons, achava que era por falta de talento, vou rever minha auto-estima. Depois, só olhei novamente para o palco quando percebi que os imóveis “músicos” tinham sido substituídos por bonecos ou robôs, a brincadeira é boa, mas metade nem deve ter percebido.
Começou o show, pontual, o clima melhorou, mas eu saí mais cedo, estava cansado, tinha muito a fazer no dia seguinte e aprendi bastante ao ler os comentários na imprensa ontem e hoje. É incrível notar o que a paixão faz aos olhos e até no racional da gente. Vou guardar o artigo que o Isay escreveu hoje na Ilustrada, acredito que minha memória vai permitir que eu leve comigo as impressões e de tempos em tempos, contraste com o artigo, e passo a procurar quem é o meu Radiohead.
