27 de Março de 2009

Entre os muros da escola, e na escola do meu filho

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Ontem assisti ao Entre os muros da escola, vencedor da última Palma de Ouro de Cannes, 2008. O filme é bastante comentado e tinha bastante vontade de assistir antes mesmo do incidente que quase aconteceu na escola do meu filho na semana passada, quando um aluno levou um revólver, nesta semana a discussão chegou aos jornais.

Primeiro o filme. O assunto é interessante e necessário para quem tem filhos e participa diretamente da questão, mas é interessante e necessário para qualquer habitante do planeta, se a escola perde sua função e não se encontra nada para substituí-la, a coisa fica feia. O filme é chato, dentro da escola, na verdade basicamente dentro das aulas de francês, talvez se mostrasse o comportamento de outros professores eu me incomodasse menos, mas é preocupante perceber não só o nível cada vez mais baixo nas escolas, como os desafios que os professores encaram. Confesso que eu não toparia isso, ainda tenho vontade de dar aulas, mas só se for numa faculdade de primeira linha, com pessoas minimamente interessadas, se não, continuo gulosamente com tudo o que aprendi apenas para os que comigo convivem…

O escândalo da escola do meu filho, o Gracinha em São Paulo, foi de um aluno que levou a arma do pai e mostrou para os amigos. Avisados pelo pai de um dos espectadores do garoto de 14 anos, o pai, portanto o proprietário da arma, e a mãe do menino foram até a escola “denunciar” o filho e depois entregar a arma à polícia federal. Numa escola que prima pela liberdade e democracia, aberta a discussão. O garoto está suspenso e além das discussões oficiais, várias paralelas. Eu já coloquei para o meu filho que sou contra a expulsão do garoto, ele cometeu um erro, sim, mas não deve receber uma punição extrema, prefiro que a discussão se estenda e todos possam aprender, ainda mais que a tragédia e nenhum acidente aconteceram. Qual seria a chance de acontecer isso com o meu filho? Zero. Não tenho arma em casa e já sugeri a escola que faça uma pesquisa com os pais para saber o percentual de portadores de armas, algo que julgava que tendesse ao traço devido ao perfil do colégio. Ou seja, a insolência já domina as escolas públicas na França e em todo mundo, mas aqui, mesmo os pais mais preocupados com seus filhos não sabem o que fazer e acredito que poucos vão ter a paciência de assistir o Entre os muros, os que forem estimulados pela crítica amplamente positiva, terão que ter um tanto de persistência, o assunto é bom, mas a abordagem é bem chata.

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