Arquivo: Março de 2009



Para acompanhar como São Paulo expandiu

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Se você tem um mínimo de curiosidades e afeições a mapas, acho que eles nos dão uma certa sensação de não estar perdido, vale a pena dar uma olhada neste livro: Desenhando São Paulo - Mapas e literatura (1877-1954) das historiadoras Maria Lucia Perrone Passos e Teresa Emídio, ah, é claro, se mora por aqui.

É impressionante notar como alguns espaços verdes, ou sei lá o quê,  que estavam nos mapas na primeira metade do século XX foram preenchidos, por ruas. Não sei se foi a demanda de pessoas por casas e apartamentos ou então a necessidade de políticos homenagearem suas bases ou famílias, mas São Paulo ganhou alguns milhões de habitantes deste então.

Além de interessantes mapas e toda a informação sobre as fontes e o local para pesquisa desses mapas, existem textos sobre a cidade, escritos pelos mais diferentes escritores, a maioria em tons ufanistas. Mas é uma ótima fonte de pesquisa, um coffee table book dos mais interessantes. 

Só até este final de semana - Albers na Pinacoteca

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Até este final de semana quem estiver em São Paulo pode ver na Pinacoteca a exposição de Joseph e Anni Albers. Ele trabalhando com telas e ela com tecidos, construindo tramas que me impressionaram até mais do que o trabalho dele.

Albers já na casa dos trinta anos resolveu abandoar o que fazia e ser o mais velho aluno da Bauhaus, então um projeto iniciante em Weimar. Encontrou-se e recuperou o “tempo perdido” vindo a ser um de seus expoentes mais importantes e dos primeiros a ser convidado para ir aos Estados Unidos, primeiro na escola experimental de BlackMountain e depois em Yale. Confesso que da exposição, o que mais gostei foi do vídeo, vale a pena, aprende-se não só sobre esse casal, mas também sobre a Bauhaus e sobre a opção de ser artista e questões de ensino de arte.

Como fui na semana passada, pude sair e ir até o Instituo Tomie Ohtake conferir uma outra exposição, aí só dele, mas já encerrada.

Mas impagável mesmo foi quando uma senhora, na casa dos 80 e tantos anos veio me pedir para explicar sobre a instalação do Chelpa Ferro no atrium principal da Pinacoteca. Tentei, mas ela não teve paciência para me entender…

Inveja - Loredano e a economia das palavras

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Mais uma vez expresso minha “inveja” com o talento e a capacidade do Loredano de dizer coisas com um resultado que eu, e muitos outros escritores, teríamos dificuldade, utilizando palavras. 

Reproduzo esta charge do Estadão de hoje, de onde recomendo também a leitura do artigo vizinho da página 2, do Demétrio Magnoli sobre PMDB, Maranhão e Sarney, três coisas que talvez não se dissociem, para azar das coisas boas que existem, principalmente no Maranhão…

 E, ironia do destino, talvez um aviso para o Ronaldo Fenômeno, que é sempre visto por onde anda: até quando se escaneia um jornal, sua sombra aparece (olhe a imagem que se forma atrás da cabeça da charge). Mas justiça seja feita, aí a associação, ou a brincadeira, é apenas com o peso do bicho escolhido para a charge do Loredano, é comum alguém falar, estava um porco de gordo…

Revista para quem gosta de estórias e tem bom gosto

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Há duas semanas fiz uma descoberta tardia mas absolutamente prazerosa e necessária. Descobri que existem uns malucos lá em Curitiba que não só tem um gosto estético dos mais apurados, mas tem também um gosto literário bem afinado.

 É a revista Arte e Letra Estórias - já estão comemorando o primeiro aniversário (edições trimestrais) e são muito, mas de muito bom gosto mesmo, daquele tipo de produto que dá vontade de comprar, ler e não emprestar para ninguém, com medo de extravio ou dano. Os nomes, alguns com textos inéditos no Brasil, geralmente são contos, com grande destaque para a identidade visual dos números, incluem: Saramago, Mallarmé, Queirós, Tezza, Casares, Mencken, Chesterton, Coetzee, Pirandello, Assis, Benedetti, Schnitzler, Auster entre outros. Acabei de comprar a número 4, ou melhor, a D, que ainda não chegou.

Não só virei consumidor como também um entusiasta, eu sei o quanto é difícil viver de fazer literatura de qualidade no país, essas iniciativas precisam ser divulgadas, quem tiver meios, que o faça, as grandes histórias e estórias, agradecem.  

Descobri na livraria Cultura, mas você pode dar uma checada no site, é só clicar na revista acima ou no link abaixo:

 Arte e Letra Estórias

Plano B - Plan B - In the bubble by John Thackara 2

capaplanob3x56.jpg Aqui vai o segundo post sobre o livro Plano B preparado pelo autor. No final de deste post estão os links para os detalhes do livro no site, ou então para os sites de venda das livrarias. Aproveite tudo o que o John tem a dizer, qualquer dúvida, cheque no site dele: www.thackara.com:

EXTRACT: SPEED

From Real Time to Quality Time

The English travel writer Bruce Chatwin told about a group of white explorers who were trying to force the pace of their African porters. The porters, within sight of their destination for the day, sat down and refused to move. As they explained to their

Have we reached a similar juncture, when it comes to speed? For generations, speed and constant acceleration have defined the way we communicate, eat, travel around, and innovate products. Our designed world reinforces the value we place on speed. We produce and consume at an ever-increasing pace, and speed is worshipped uncritically as an engine of investment and innovation. Michael Dell’s proclamation is typical: “Velocity, the compression of time and distance backward into the supply chain, and forward to the customer, is the ultimate source of competitive advantage,” he said in 1999. Or as Hitachi more punchily put it in the 1990s, “Speed is God, Time is the Devil.” (Hitachi’s current slogan is “Inspire the Next.”) Time scarcity has always been a feature of industrial life, but the Internet has ratcheted up the pressure. Clock time is being supplanted by Internet-enabled “real time.” The probable author of this term, at least in a business context, is Don Tapscott. He wrote in 1995 that “the new economy is a real time economy. Commerce becomes electronic as business transactions and communications occur at the speed of light rather than the post office. The new enterprise is a real time enterprise—continuously and immediately adjusting to changing business conditions.” Tapscott began discussing the real-time enterprise in his 1992 book Paradigm Shift and fully developed the idea in The Digital Economy. The growth of networked communications has accelerated the emergence of an always-on, 24/7 society whose premise is that if anything can happen anytime, it should happen now.

But the signs are that speed is a cultural paradigm whose time is up. Economic growth, and a constant acceleration in production, have run up against the limited carrying capacity of the planet. The carrying capacity of business is also under pressure. When continuous acceleration is the default tempo of innovation, it leads to “feature bloat” in products and the phenomenon, which we are seeing now, of consumers who resist the pressure to upgrade devices or software continually. Absolute speed—in computers, as much as in cars—remains powerfully attractive for many of us, but acceleration seems to have lost its allure. Many of us want faster computers, but we also want to live more balanced lives—lives lived at speeds we determine, not at speeds dictated by the logic of systems beyond our control.
continue…

Informações sobre o livro:

Comprar Plano B na Livraria Cultura

Comprar Plano B na Livraria Saraiva

Buy In the Bubble at Amazon

Quem gosta de livros, gosta mais do que os outros - O leitor

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Assisti a O leitor e confesso que chorei, no filme tive certeza de estar de uma forma ou outra ligado ao mundo dos livros, ao simplesmente me emocionar com os livros velhos que Hannah, a personagem de Kate Winslet pode passar a ler depois de velha, supostamente preferiu ir para a prisão a ter que confessar que era analfabeta.

Como diria Daniel Piza, o pior analfabeto é aquele que não quer ler, ou algo parecido, a ex-oficial nazista apreciava um pouco de boa história, alguém poderia até dizer que a literatura servia de preliminares para a analfabeta. Na prisão pode a partir das gravações criar seu próprio método de alfabetização. Para quem como eu aprendeu a ler por meio da Caminho Suave (alguém lembra dessa cartilha?), aprender com clássicos da literatura já deve servir para tirar um pouco o atraso.

Preste muita atenção nas expressões do professor de direito. Elas dizem muito da crise de valores que passamos hoje, herança de toda a permissividade peemedebista e similares.

Acabei de ler também o ótimo ensaio de Tzvetan Todorov, A literatura em perigo, ou seja, estou flertando com a literatura, cada vez mais apaixonado, mas fica para um próximo post.