Arquivo: Abril de 2009



Plano B - Plan B - In the bubble by John Thackara 6

capaplanob4x6.jpgEsse é o sexto post sobre o livro Plano B preparado pelo autor. No final dele estão os links para os detalhes do livro no site, ou então para os sites de venda das livrarias. Aproveite tudo o que o John tem a dizer, qualquer dúvida, cheque no site dele: www.thackara.com. Aliás, ele me confirmou hoje que estará no Brasil na primeira semana de novembro, depois darei maiores detalhes:

EXTRACT - LEARNING

You may remember the advertisement for an information services company that featured a water pipe, tied in a knot, over a person’s head. A solitary drop of water dripped out of the pipe’s open end. The ad’s visual metaphor and accompanying text were about the removal of information blockages. A good information system, the ad seemed to suggest, will pour information into our heads, a bit like filling up a bucket.

Pipe-and-bucket thinking pervades policy to do with learning and education. The British government is even building a “National Grid of Learning” that will connect all schools to the Internet. It’s a great political metaphor—knowledge for all, just like water or electricity. But it’s an outdated model of learning. Learning is a complex, social, and multidimensional process that does not lend itself to being sent down a pipe—for example, from a website. Knowledge, understanding, wisdom—or “content,” if you must—are qualities one develops through time. They are not a thing one is sent.
What design principles should we apply in the development of networked learning?

Design Principle 1: Time and Tempo

The first design principle concerns time and tempo. Of the many damaging pressures placed on learning ecologies, time is probably the harshest. A first design task is to relieve that pressure. Time is a valuable resource within a school or daily life, yet the ways in which it is organized are often standardized and come with high costs and wastage. We also focus the great majority of our attention on formal learning time—school and college—forgetting that, between birth and age sixteen, 85 percent of our waking time is spent out of school. In the United States, to put time further into perspective, children aged nine to fourteen spend nine hundred hours a year in school—but fifteen hundred hours a year watching television. When a Dutch researcher, Jos Baeten, studied the 168 hours available in an eighteen-year-old student’s week, he found that 16 were spent in formal lessons, and 9 in self-study—which left 143 hours for other activities: 58 for sleeping, 20 for social and family commitments, 26 for relaxation, 14 for traveling, and 13 for eating and “pausing”; 10 hours were spent in paid work.

continue…

Informações sobre o livro:

Comprar Plano B na Livraria Cultura

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Um dia ainda vai ser elogio - mulher da vida!

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Precisava escolher um livro para minha coluna na Gazeta Mercantil, os de negócios tradicionais foram menos interessante do que esse sobre a tão falada profissão mais antiga do mundo. Resolvi falar para executivos sobre uma carreira não tão tradicional, mas de alguém empreendedora, que além de uma ONG, (as empresas não adoram apoiar as ONGs?), montou também uma grife, a Daspu e agora lança Filha, mãe, avó e puta.

Sim, Gabriela Leite é essa figura intrigante. Entrou em segundo lugar na Filosofia da USP, trocada depois pela Sociologia antes do abandono e do início da prática da antropologia do homem nos mais variados ambientes de baixa prostituição de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

A leitura é agradável, não espere muito, poderia ser um pouco mais emocional, mas entendo a preocupação da autora em continuar a defender a causa das prostitutas. Gabriela tem uma força incrível, apesar de eu ainda continuar a colocar  em dúvida seu recorde de 78 programas num dia, não é o meu hábitat, mas imagino que com todos os protocolos necessários uns 15 minutos sejam indispensáveis para “gastar” com um cliente, e isso já dão mais de 19 horas, seguidas, sem intervalo. Mas fica a dúvida, no resto, acreditei em tudo.

A leitura mostra que existem outras configurações de vida além da tradicional e que elas podem sim ganhar respeito e serem interessantes e construtivas. Gabriela trouxe uma discussão importante sobre a condição de vida dessas mulheres, confesso que faltou ouvir dela um pouco de filosofia sobre o sentimento do cliente, algo que fosse além do espaço para extravasar as fantasias, mas é um enorme começo.

Leitura recomendada para todas as candidatas a princesas, aos candidatos e também aos clientes. As candidatas a princesas podem descobrir que o mundo é um pouco mais cruel e algumas concorrentes não terão outra opção a não ser cair na vida. Aliás, ao escrever isso me dei conta que dificilmente se poderia ter um elogio maior do que mulher da vida, mas a Gabriela gosta mesmo é de ser chamada de puta, ou agora, de ex-puta. Se você é mineiro, leia para se defender ou então, ficar um pouco mais criativo…

Marcelo Coelho e a Serrote

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Como alguém no mínimo metido a inteligente, comprei logo que saiu o meu exemplar da Serrote, revista cultural (ensaios, idéias e literatura) do Instituto Moreira Salles. Aliás, eis um espaço para uma denúncia: Não sei se é coincidência, mas desde a fusão do Itaú com o Unibanco, notei uma certa alteração na programação dos cinemas do Unibanco Arteplex, vejo lá filmes que antes pareciam não casar com as salas, espero que não tenha nada a ver com isso, que não seja uma pressão por mais retorno ou ebitda nos ingressos, uma popularização, já existem muitos Cinemarks por aí para oferecer os blockbusters (por ironia, operação fracassada dos Moreira Salles).

O que estou insinuando é que, se no lado do negócio os Setúbal-Villela venceram, no lado cultural, sempre preferi os Moreira Salles. Gasto sim meu tempo com a viagem do João Moreira Salles na Piauí, cabe lembrar que num número, quando houve uma denúncia sobre um editor meu amigo, denúncia justa e merecida, liguei para tirar um sarro e é óbvio que ele não tinha visto, preocupado de início, tranquilizou-se após constatar que no mercado das livrarias ninguém lia a Piauí. Eu leio e isso talvez me condene a editar livros que precisam brigar mais por espaço nas livrarias com outros que se vendem sozinhos, vender eles vendem, acrescentam ao caixa das lojase editoras, mas muito pouco ao estoque de conteúdo dos leitores…

Comprei a Serrote há três semanas e fiquei aliviado ao ler a coluna do Marcelo Coelho hoje na Folha, minha pilha da Piauí tem apenas o número de abril, a próxima deve sair apenas semana que vem, acho que no feriado, encaro isso e fico em dia. Já a Serrote aguarda a leitura de no mínimo o artigo do Google e o futuro dos livros e os aforismo do Kafka, mas corre-se o risco de um fato positivo, a pressão é só quadrimestral, causar um efeito indesejado, deixá-la de lado porque tenho tempo e apenas colecioná-la e não aproveitar de seu conteúdo e estética. Vou fugir disso, o artigo do xará Coelho também colocou mais pressão no meu feriado. Dê uma verificada, acho que vale dedicar um tempo para pensar e refletir, porque depois, quando já não for possível, não adiantará reclamar…

Livros e outras artes - Mano Brown na Virgília

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O novo livro da Virgília, Mergulho na base da pirâmide, que está para ser lançado a qualquer momento terá o prefácio do rapper Mano Brown e dá continuidade ao trabalho de utilizar das outras artes para ter um livro diferente.

Mano Brown não facilita para o consumo, faz um texto forte, agressivo, como seu costume: “Saber vender bem para estas pessoas não significa ter respeito e ética para com elas. “Açúcar para os diabéticos”, o importante é a venda”, referindo aos que serão uma boa parte dos leitores do livro. Caberá aos marketeiros tomar uma decisão sobre como encarar essa realidade, o livro é verdadeiro e vai lá dentro, por isso é forte. Em breve mais informações.

Espelho LIX

Ser humano é embarcar em qualquer moda que pareça novidade e de onde se intua que não é necessário enfrentar as questões que se sabem complexas…

Socorro! Inundado de informação! Quem precisa de um filtro?

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Ontem à noite assisti a entrevista do Silvio Meira na Marília Gabriela, ja falei sobre ele aqui, que levantou o tema. Hoje, tem uma ótima entrevista com o Marcelo Coutinho, meu contemporâneo de GV na Gazeta Mercantil, sugiro a leitura.

Confesso que ando meio cabisbaixo, exagero, com a hipótese do fim dos jornais, o pior é que tem uma parte da “galera” que não está nem aí, acha que já deveria ter acabado. Fico triste em imaginar a perda do meu companheiro, talvez quem já causou mais ciúme na minha mulher, várias batidas na porta seguidas de um “vai demorar” e muita reflexão, leio 4 jornais por dia há mais de duas décadas (um período de três, quando o Valor não existia e num período que abandonei a Gazeta) e ainda complemento com o Globo de final de semana. Para onde viajo leio o jornal local e sofro na volto com uma pilha enorme me esperando.

Já fui formado, espero que o meu filho tenha a mesma chance, assumo como minha a responsabilidade de mostrar que nem tudo que é googado é confiável, faz sentido, vale a pena.

Voltando ao Coutinho, veja sua análise sobre a cultura do fã, criada por Henry Jenkins ou então a discussão sobre hard news x análise a la Economist e a necessidade de se criarem novos modelos de negócios. Que você vai precisar de um filtro, vários filtros, não tenho dúvida, aliás, um filtro de informação vai ser muito mais indispensável do que um filtro solar, sem este você vai queimar a pele e ganhar um câncer, sem o de informação, você vai queimar os neurônios e ficar maluco…

Livro Fetiche, sua biblioteca merece

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É com inveja, já sei que ela nunca é positiva, mas eu gostaria sim de ter editado e lançado esses livros. O trabalho da Companhia das Letras é incrível, eu já comprei os três. Precisando tomar um contato profundo com a obra de Lygia, consciente de que dificilmente teria uma obra da Beatriz Milhazes nas minhas paredes, comprei os três, e depois decido o que vou ou consigo ler.

Além da edição atualizada os livros trazem posfácios de autores ou estudiosos interessantes da literatura brasileira e outros textos, sejam entrevistas, depoimentos ou prefácios originais. Um belíssimo trabalho, até para quem já tem ou leu. Qualquer biblioteca merece várias edições de uma boa obra, por que não de Invenção e memórias, As meninas e Antes do baile verde.  Nesse caso, a obra de Lygia estava sendo meio maltratadinha lá na Rocco. Parabéns ao Luiz Schwarcz e toda sua equipe. Se eu fiquei com inveja para editar, muitos escritores ficarão com inveja para ter sua obra em padrão parecido…

Tudo para ser mais milionário - Hollywood invade a Índia

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Na semana passada fui assistir com o meu filho Quem quer ser um milionário, ganhador do último Oscar. Até me emocionei, mas me decepcionei ao ler uma entrevista com o Vik Muniz classificando este, como o melhor filme a que viu nos últimos 10 anos. Para a salvação da arte do Vik no meu conceito prefiro crer que ele vai pouco ao cinema.

Sim, é interessante e instrutivo fazer com que o número de pessoas que assiste a um filme premiado pelo Oscar se depare com imagens da Índia com aquela estética, cumpre a função de fazer refletir e enxergar uma diversidade que geralmente preferimos esconder de nossos olhos e mente, porque pega pesado, mas é também colocar a mesma estrutura de clichê de filme de amor, de herói maltratado, de bem e mal numa nova estética. Para padrão de Oscar não deixa de ser uma evolução, mas é perigoso, esses senhores querendo ficar mais milionários ainda, fazem de tudo, na primeira vez podem chamar a atenção, nas seguintes, banalizar. E aí, eu, você e todo mundo passamos a aceitar que lá é assim porque é assim, depois respiramos aliviados que é lá, e não aqui. Vik, se quiser algumas dicas de filme, comente aqui que dou, assumo que se já existia uma pulga atrás da orelha sobre o seu trabalho, essa pulga caminhou um pouquinho mais para dentro…

Grandes empresários ainda querem negociar…

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Empresários de várias gerações estiveram prestigiando Renato Ochman no noite de autógrafos do Vivendo a negociação na Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim na última quinta. O mais sênior foi o Abraham Kasinsky, fundador da Cofap e hoje na ativa em sua empresa de motocicletas. Um dos mais jovens, Zeco Auriemo da JHSF, empreendedora do Shopping. Andre Brett representou a corrente da moda, e Pedro Grendene com sua mulher Tânia Bulhões, os calçados e os aromas. Mas esse não é um blog de fotos ou coluna social, se fosse, não faltaria material. Vários setores estiveram representados, mostrando o prestígio do autor e o reconhecimento da sua capacidade e conhecimento quando o assunto é negociação.

Como diz uma das frases do Quem disse o quê? no final do livro: Fazer bons negócios é ver primeiro. Vai deixar passar? Sim, sei que sou suspeito, mas se fosse você, daria no mínimo uma verificada na livraria, daí decida.

Eu sou Carmen Miranda, e você? Teste que livro você é…

O Leonardo Fiorito me mandou um link de um tal teste, fui conferir, acho que tudo relacionado a livros, vale, faça o teste e descubra que livro nacional você seria. Eu descobri que sou a biografia da Carmem Miranda, escrita pelo Ruy Castro, e você? Clique nos livros abaixo e teste.

Eis a resposta do meu teste…

Ruy Castro

 

Você é… “Carmen – Uma biografia”, de Ruy Castro

Boa história é com você mesmo. Adora ouvir, contar, recontar. As de pessoas interessantes e revolucionárias são as suas preferidas. Tem gente que liga para você só para saber das últimas fofocas. E confesse: com seu jeitinho manso e detalhista, você dá aos fatos um sabor todo especial. Além disso, não se contenta em reproduzir o que já foi dito. Por isso, se fosse um livro, você só poderia ser uma boa biografia, daquelas que faz os leitores deitarem na rede do fim de semana e se entregarem às peripécias de uma grande personagem. Aliás, você já pensou na profissão de repórter? Ou de escritor?
“Carmen – Uma Biografia” (2005), sobre Carmen Miranda, é uma das aclamadas biografias publicadas por Ruy Castro, também jornalista e tradutor, considerado um dos maiores biógrafos brasileiros.

O preconceito também ajuda!

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Resisti até há poucos minutos em me render ao fenômeno Suzan Boyle, depois da coluna do Contardo resolvi checar o vídeo e constatar que serei um velhinho insuportável, coitados dos meus filhos. Sim, acredito que ela cante bem, mas será que alguém acha que aquele júri só descobriu isso depois, será que não era nada ensaiado? É tanto preconceito, tanta imagem pré-formada e tudo isso arranca lágrimas, todos fingem por um momento que a tal gordinha com cara de boba vai vencer por causa do seu talento. Será que vai? Não deveria ser assim?

Seria ótimo que Suzan Boyle abrisse um caminho, mas aposto que será apenas um fenômeno isolado, no máximo, possível para poucos, como tem sido desde que Suzan já esteve mais perto do padrão de beleza, isso há alguns séculos…

Para amigos ou caçadores de autógrafos!

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Para quem é amigo do Renato Ochman, está precisando dar uma polida nas habilidades negociais ou então ver uma belíssima livraria, é só aparecer a partir das 19hs de hoje na Livraria da Vila do Shopping Cidade Jardim em São Paulo e pegar o seu autógrafo no exemplar de Vivendo a negociação, da Virgília/Saraiva, é claro. Vale pelo livro, vale pelo visual.

Lágrima

E viva a mediocridade humana! Mesmo reconhecendo a importância da diversidade, é com um misto de inveja, raiva e desconsolo que reproduzo a notícia que o tal do Dan Brown acabou finalmente seu novo livro. Depois de um atraso de anos, sai em Setembro The lost symbol. O que me deixou assim foi a tiragem inicial: 5 milhões de cópias, a maior da história da Random House.

Tom Hanks terá seus dólares garantidos…

É possível amar demais? Autores e idéias

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Para quem é de São Paulo eis uma dica das mais interessantes. O romancista Tales Guaracy criou e apresenta junto à Livraria da Vila no Shopping Cidade Jardim os encontros Autores e Idéias.

Na segunda fui ver o último, anteriormente havia acontecido com o Walcyr Carrasco. A entrevista, um pouco indisciplinada, cacoete do ofício era a jornalista Marília Gabriela. O tema, amar demais, refletido em seu último livro Eu que amo tanto. Não li, fui ontem comprar, mas confesso que o preço e o projeto gráfico me desanimaram, optei por ficar com a discussão que  foi das mais interessantes.

Acho Marília Gabriela uma pessoa das mais interessantes e corajosas, fui ver sua peça sobre a Hillary Clinton, na verdade sobre uma mulher forte e poderosa e não gostei da sua performance como atriz, mas concordo e aplaudo sua inquietude em tentar dar valor e sentido a vida, não querer ficar taxada e acomodada como entrevistadora. Triste é ouvir de alguém de seu nível e preparo o quanto as pautas ficam sujeitas a mediocridade da televisão, e que nos dias de hoje, um canal a cabo, devido aos números envolvidos, não tem espaço para coisas um pouco menos massificadas. A discussão foi rica e capaz de deixar nas mulheres, sejam as que amam demais, nas infelizes e desencontradas, nas culpadas, nas vazias e peruas, nas batalhadoras a sensação de que mulheres são mesmo uma espécie à parte, se a Marília Gabriela mostra-se uma mãe frágil e ainda preocupada com a culpa por possivelmente ter estado ausente em algum momento, não cobro mais da minha mulher a “obrigação” do equilíbrio, vou confortá-la que é assim, mas talvez, seja melhor sentir-se culpada entrevistando, cantando, atuando, testando seus limites do que simplesmente se deprimindo em casa. Mulheres deveriam prestar atenção. Homens também, todos deveriam olhar quando e quem será o próximo entrevistado…

Se a vida é uma arte, onde está o seu museu?

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Como iria resenhar, li até o fim. Zygmunt Bauman é daqueles que tem uma produção tão profícua que dá um certo trabalho acompanhar, poderia ser condensado em menos obras, mas é um pensador lúcido e interessante. Neste último livro lançado no Brasil, A arte da vida, pela Zahar, Bauman defende que as pessoas são e precisam ser as responsáveis por suas escolhas e que são essas, os verdadeiros guias de qualquer vida, portanto, a possibilidade de colocar o “escolhente” na trilha de uma vida feliz, ou o mais próximo disso que se possa chegar. Sei que não há nenhuma novidade nisso, mas ele não apela para a auto-ajuda barata.

A arte é a da constituição de nossa identidade. Recomendo a leitura do livro, acho que ele foi cruel com um pensador ao qual sou muito simpático, Nietzsche, por mais cruel que Nietzsche o seja, mas o livro é bem amparado e mostra a evolução dos conceitos de felicidade ao longo da história da humanidade.

Coloca os paradoxos de consumo e quase aponta uma escala, não apontada e identificada por mim, do dinheiro e do tempo. Muitas pessoas começam a pagar cada vez mais caro pelos presentes que dão para impressionar e mostrar amor, alguns quebram antes de descobrir que quem recebia preferia o presente não monetizável, simples, atenção e sentimento.

Mas se você não for ler, acho que deveria, mesmo considerando que o livro poderia ser mais curto ou condensado com alguns dos sentimentos da “série líquida”, fique com um extrato para refletir: “a incerteza é o hábitat natural da vida humana -  ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor das atividades humanas.”

Multimídia? O homem da tarja preta

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Fui assistir a O homem da tarja preta, peça de estréia do psicanalista Contardo Calligaris no teatro. Admirador assumido das reflexões de Contardo as quintas na Folha de S. Paulo, incluí-o na lista daqueles que viram alvo de meu escrutínio, para ver se param em pé, nas várias áreas que se metem. Já li seu romance e continuei preferindo o articulista, agora vi sua estréia no teatro e ainda fico com o articulista.

Não gostei da peça, o ator competente mas não me causou simpatia, asseguro que não foi pelo traje, nem pelas fantasias, é claro que quando se tem altas expectativas tudo é mais complicado, mas desde o diálogo inicial em off fiquei cismado. Sendo até mesmo um pouco cruel, o diálogo me lembrou mais o resquício do que assisti de O analista de Bagé, que parece finalmente o Luís Fernando Veríssimo conseguiu que o Claudio Cunha mudasse o título. Sim, fui assistir a esta peça há uns 20, 25 anos, quando achava que o texto era de um intelectual, o ator e diretor era alguém de teatro, confesso que só tinha clara certeza, aos 17, 18 anos, de saber que a atriz não era ninguém muito além de uma gostosa que pousava para a Playboy. Mas foi essa a associação causada.

Durante a peça ouvi risos para mim indevidos e confesso que a música final me deixou muito frustrado, mas é melhor não contar. Num esforço de avaliar se era identificação com o personagem, imbui-me de uma reflexão, acho que não, a não certeza é apenas precaução para não ser radical, estamos falando do trabalho de um analista, minhas fantasias não passam pelas mesmas do protagonista e que o novo homem não quer ser a “puta da internet”, por mais que tenha acesso a uma pornografia virtual facilitadíssima. Acho que os clichês foram exagerados, pareceu esforço de intelectual para se popularizar.

Vivendo a negociação - novo livro da Virgília nas livrarias

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Se você quer aprender ou rever seus conceitos e estratégias de negociação a Virgília acaba de lançar um livro que pode e muito contribuir para isso: Vivendo a negociação - Estratégias, técnicas negociais e jurídicas e modelos de contrato para fechar o melhor negócio.

O advogado Renato Ochman é um especialista em negociações, acostumado a estar dos dois lados de negociação de venda e compra de empresas, de ações, ativos ou direitos, Renato coloca no livro não só toda a teoria e prática que utiliza no seu dia-a-dia, como também as principais minutas de contratos utilizadas. Se essas minutas não servem para como o seu advogado na negociação, com certeza auxiliam você a entender melhor todos os passos técnicos que muitas vezes podem o deixar na defensiva. As minutas servem para que você discuta mais abertamente com o seu advogado ou conselheiro na próxima negociação, seja ela de algo pessoal, seja a mais importante delas na sua empresa.

Dê uma conferida nos detalhes do livro aqui no site. Se preferir comprar diretamente, tem a opção da Cultura e da Saraiva.

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Menu do livro no site da Virgília

Novo livro do Chico Buarque - tem um bom autor, mas as críticas se rasgaram para o personagem do autor

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Se você lê jornais e revistas, deve não ter ficado imune ao bombardeio do lançamento do novo livro do Chico Buarque, Leite derramado. Irretocável a estratégia, todo mundo deu, alguns, mais de uma vez e eu, para não me sentir um peixe fora d’água, resisti no sábado, mas comprei no domingo.

A posse me fez relaxar um pouco, mas finalizei a leitura nesta semana. Acredito que já tinha lido tanto sobre o livro que precisei de alguns dias para desintoxicar… Gostei bastante, mas concordo, se não me engano com o Eduardo Gianetti, que afirmou que o personagem não atrai a simpatia do leitor. Sim, existe uma decadência do Brasil descrita numa linguagem madura, muitas vezes ácida, noutras poética, na maior parte do tempo sofisticada sem ser pedante, sem ser chata.

Mas o tal Eulálio não me deixou querendo saber o que mais tinha acontecido com os seus, essa é a grande ausência, não conseguiu formar a filha, nem mesmo a Matilde no meu desejo de ir além. Você vai sabendo, os capítulos funcionam quase como grandes parágrafos que o conduzem, criam o fluxo, mas não me criaram uma realidade paralela, não adicionaram mais histórias, comecei a ler Questões de honra na livraria no outro dia e, apesar de uma linguagem mais pobre, além de comprar, comecei a me envolver mais com a história, vamos ver no que vai dar, depois informo.

Ah, muita boa a estratégia das duas capas, li a outra. Escolha a sua, talvez você se empolgue mais como a maioria, mas se Eulálio está na mesma posição de Cubas, talvez tenha faltado a viagem pelo túnel da morte para dar uma outra pitada. Para quem gosta de comparações, Chico não ultrapassou Machado, mas essa verdade cabe ao tempo.