Novo livro do Chico Buarque - tem um bom autor, mas as críticas se rasgaram para o personagem do autor
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Se você lê jornais e revistas, deve não ter ficado imune ao bombardeio do lançamento do novo livro do Chico Buarque, Leite derramado. Irretocável a estratégia, todo mundo deu, alguns, mais de uma vez e eu, para não me sentir um peixe fora d’água, resisti no sábado, mas comprei no domingo.
A posse me fez relaxar um pouco, mas finalizei a leitura nesta semana. Acredito que já tinha lido tanto sobre o livro que precisei de alguns dias para desintoxicar… Gostei bastante, mas concordo, se não me engano com o Eduardo Gianetti, que afirmou que o personagem não atrai a simpatia do leitor. Sim, existe uma decadência do Brasil descrita numa linguagem madura, muitas vezes ácida, noutras poética, na maior parte do tempo sofisticada sem ser pedante, sem ser chata.
Mas o tal Eulálio não me deixou querendo saber o que mais tinha acontecido com os seus, essa é a grande ausência, não conseguiu formar a filha, nem mesmo a Matilde no meu desejo de ir além. Você vai sabendo, os capítulos funcionam quase como grandes parágrafos que o conduzem, criam o fluxo, mas não me criaram uma realidade paralela, não adicionaram mais histórias, comecei a ler Questões de honra na livraria no outro dia e, apesar de uma linguagem mais pobre, além de comprar, comecei a me envolver mais com a história, vamos ver no que vai dar, depois informo.
Ah, muita boa a estratégia das duas capas, li a outra. Escolha a sua, talvez você se empolgue mais como a maioria, mas se Eulálio está na mesma posição de Cubas, talvez tenha faltado a viagem pelo túnel da morte para dar uma outra pitada. Para quem gosta de comparações, Chico não ultrapassou Machado, mas essa verdade cabe ao tempo.
