22 de Abril de 2009

Se a vida é uma arte, onde está o seu museu?

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Como iria resenhar, li até o fim. Zygmunt Bauman é daqueles que tem uma produção tão profícua que dá um certo trabalho acompanhar, poderia ser condensado em menos obras, mas é um pensador lúcido e interessante. Neste último livro lançado no Brasil, A arte da vida, pela Zahar, Bauman defende que as pessoas são e precisam ser as responsáveis por suas escolhas e que são essas, os verdadeiros guias de qualquer vida, portanto, a possibilidade de colocar o “escolhente” na trilha de uma vida feliz, ou o mais próximo disso que se possa chegar. Sei que não há nenhuma novidade nisso, mas ele não apela para a auto-ajuda barata.

A arte é a da constituição de nossa identidade. Recomendo a leitura do livro, acho que ele foi cruel com um pensador ao qual sou muito simpático, Nietzsche, por mais cruel que Nietzsche o seja, mas o livro é bem amparado e mostra a evolução dos conceitos de felicidade ao longo da história da humanidade.

Coloca os paradoxos de consumo e quase aponta uma escala, não apontada e identificada por mim, do dinheiro e do tempo. Muitas pessoas começam a pagar cada vez mais caro pelos presentes que dão para impressionar e mostrar amor, alguns quebram antes de descobrir que quem recebia preferia o presente não monetizável, simples, atenção e sentimento.

Mas se você não for ler, acho que deveria, mesmo considerando que o livro poderia ser mais curto ou condensado com alguns dos sentimentos da “série líquida”, fique com um extrato para refletir: “a incerteza é o hábitat natural da vida humana -  ainda que a esperança de escapar da incerteza seja o motor das atividades humanas.”

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