29 de Abril de 2009

Um dia ainda vai ser elogio - mulher da vida!

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Precisava escolher um livro para minha coluna na Gazeta Mercantil, os de negócios tradicionais foram menos interessante do que esse sobre a tão falada profissão mais antiga do mundo. Resolvi falar para executivos sobre uma carreira não tão tradicional, mas de alguém empreendedora, que além de uma ONG, (as empresas não adoram apoiar as ONGs?), montou também uma grife, a Daspu e agora lança Filha, mãe, avó e puta.

Sim, Gabriela Leite é essa figura intrigante. Entrou em segundo lugar na Filosofia da USP, trocada depois pela Sociologia antes do abandono e do início da prática da antropologia do homem nos mais variados ambientes de baixa prostituição de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

A leitura é agradável, não espere muito, poderia ser um pouco mais emocional, mas entendo a preocupação da autora em continuar a defender a causa das prostitutas. Gabriela tem uma força incrível, apesar de eu ainda continuar a colocar  em dúvida seu recorde de 78 programas num dia, não é o meu hábitat, mas imagino que com todos os protocolos necessários uns 15 minutos sejam indispensáveis para “gastar” com um cliente, e isso já dão mais de 19 horas, seguidas, sem intervalo. Mas fica a dúvida, no resto, acreditei em tudo.

A leitura mostra que existem outras configurações de vida além da tradicional e que elas podem sim ganhar respeito e serem interessantes e construtivas. Gabriela trouxe uma discussão importante sobre a condição de vida dessas mulheres, confesso que faltou ouvir dela um pouco de filosofia sobre o sentimento do cliente, algo que fosse além do espaço para extravasar as fantasias, mas é um enorme começo.

Leitura recomendada para todas as candidatas a princesas, aos candidatos e também aos clientes. As candidatas a princesas podem descobrir que o mundo é um pouco mais cruel e algumas concorrentes não terão outra opção a não ser cair na vida. Aliás, ao escrever isso me dei conta que dificilmente se poderia ter um elogio maior do que mulher da vida, mas a Gabriela gosta mesmo é de ser chamada de puta, ou agora, de ex-puta. Se você é mineiro, leia para se defender ou então, ficar um pouco mais criativo…

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