Arquivo: Maio de 2009



Abercrombie, uma experiência sociológica de consumo

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Amigos do meu filho de 12 anos e amigos meus, pais e usuários da Abercrombie me recomendaram comprar roupas para ele nesta loja, “última moda” nos Estados Unidos, e, consequentemente, mundo ocidental (talvez já tenha se alastrado ao oriental) a fora.

Já sabia um pouco e tinha resolvido não fazer, mas hoje, decidi checar se não era puro preconceito, confesso que tenho alguma coisa contra esses galhos na cabeça do que me parece ser um alce, do logotipo da loja.

Foi a segunda vez que passei em frente, existe toda uma preparação para as filas, que, pela segunda vez não existiam, marketing é isso, simule algo, e muitas vezes ele acontece. Fomos em frente, de cara, um negão todo musculoso, sem camisa e no limite dos pelos pubianos, lá dentro, além de uma música altíssima (ah, a loja não tem vitrine), mulheres em roupas curtas dançando alegremente, ou estou ficando velho, ou é o local mais próximo a um puteiro que estive, a iluminação é exatamente igual a essas boates para diversão. As roupas não tem nada demais, a maioria dos “modelos” são negros, a enorme maioria dos clientes, brancos, uma enorme conotação sexual, um prato cheio para Gore Vidal.  Não comprei nada, mas foi divertido, dá uma reflexão muito grande sobre nós humanos. Não comprei porque não são esses valores que quero passar para os meus filhos, tive minha decisão reforçada quando vi que na saída, além do negão hiperdefinido sem camisa, tinha também uma fotógrafa, tirando polaroids das pessoas que pousavam ao lado dele, cada um faz o que quer, mais pais e mães dos consumidores Abercrombie, ficam próximos dos galhos do alce…

A discussão está interessante na Book Expo America

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Para onde caminha o mundo do livro? Essa discussão me tomou os dois últimos dias. Não é fácil, além do esforço de passar o dia ouvindo diferentes sotaques, é muita informação nova.

O que dá para sacar é que:

1) o livro se deu bem em ser conservador, não embarcou imediatamente e pelo menos não viu o seu negócio acabar, como o das gravadoras;

2) a recessão chegou, a feira deste ano está 21% menor do que a de 2007, último ano em Nova York, mas o mercado americano em 2008 foi de 40 bilhões de dólares, isso mesmo, 40 bilhões de dólares, só os livros impressos em papel, o mercado brasileiro em 2008 deve ficar entre 3 e 4 bilhões, de reais, é muita diferença. Nos Estados Unidos existem mais de 120.000 editoras ativas…;

3) o digital é inevitável, como será? Ninguém sabe, mas é bom estar preparado;

4) é bom ver os cachorros grandes brigando pelo livro: Amazon, Google, Microsoft, todos bem maiores do que as gigantescas editoras americanas, todos querendo de um modo ou outro dar uma bicadinha no mercado, é porque tem mercado

5) Aqui se publica muito coisa boa, mas a quantidade de lixo é incrível, deve ser porque os profissionais da indústria gostam, êta povinho medíocre…

6) Chega, as outras questões da feira vou colocar no planejamento estratégico da Virgília e dos outros negócios que toco.

Gazeta Mercantil

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Morreu hoje a Gazeta Mercantil, na verdade, o que aconteceu hoje foi o enterro (não foi o primeiro, não sei se será o último), apesar do imenso esforço das pessoas que lá trabalhavam, a situação era insustentável há muito tempo.

Escrevi por quase dois anos lá, alguns bastidores são por demais complexos. Sempre o fiz por gostar de escrever e falar sobre livros, por ter amigos que respeitava, mas sempre tive dramas de consciência por saber como tudo aquilo era tratado pelo dono.

Aliás, não foi apenas privilégio do dono Nelson Tanure tratar o jornal dessa forma, a família Levy “brincou” de jornal, uma brincadeira que sempre confere enorme poder político. Não tenho condições de avaliar a história toda, mas é um capítulo triste da história da mídia, num momento onde o digital ameaça e requer respostas rápidas, talvez tenha sido melhor assim, retirar o time de campo. A mídia séria carece de quem guerreei com o melhor das intenções e recursos, para o bem do jornalismo. Centenas de pessoas ainda esperam receber seus direitos, numa situação que se arrasta há anos, é um emaranhado de decisões políticas e judiciais, que agora deve aumentar.

Agora não faço mais resenhas na mídia impressa, mantenho aqui os comentários sobre minhas leituras.

Paixão, aposentadoria e vida, Mario Benedetti

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Acabei minha “homenagem” ao Mario Benedetti, mas não tenho dúvida que o maior beneficiado fui eu. Recomendo fortemente a leitura de A trégua, seu principal romance, relançado o ano passado pela Alfaguara. Benedetti é “dos meus”, grupo de escritores que escrevem do jeito que eu gosto. Críticos, densos, profundos, mas elegantes, entendem de gente.

O livro conta a história de um “velho” a beira da aposentadoria, sim, os homens já se aposentaram aos 50 anos. Viúvo, ganha uma novo gás ao se apaixonar por uma funcionária, com metade da sua idade. A vida ganha um outro colorido, outra perspectiva, a ex-mulher um novo papel, os filhos reagem de maneira diferente, alguns percebem a melhora, outro não, tarde demais para retomar diálogos que sequer se iniciaram.

O formato é de diário, eis alguns exemplos da prosa de Benedetti, como a resposta a um amigo para quem pediu dinheiro emprestado e este lhe questionou: ”Sim, no mesmo, porque, se tenho de pagar esse preço invasivo de lhe abrir minha vida íntima, meu coração, meus intestinos etc., prefiro conseguir o dinheiro em qualquer outro lugar, onde só me cobrem juros” (passei por situação parecida, sei do que ele fala…). Ou então, para definir os diretores de uma empresa: “Para esta pobre gente, em contraposição, o máximo é conseguir sentar-se nas poltronas de dirigentes, experimentar a sensação (que para outros seria tão incômoda) de que alguns destinos estão em suas mãos, alimentar a ilusão de que resolvem, de que dispõem, de que são alguém. Hoje, no entanto, ao observá-los, eu não conseguia encontrar neles um cara de Alguém, mas sim de Algo. Parecem-se Coisas, e não Pessoas. […] E padecem a mais horrível variante da solidão: a solidão daquele que nem sequer tem a si mesmo.” (este cara já esteve numa empresa…).

Insisto que vale a leitura.

O primeiro livro digital (Kindle) a gente nunca esquece?

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O Kindle havia chegado ontem, é bonito, não tem cara de livro. Liguei, segui metade do menu de boas-vindas e descobri que já estava conectado, não é necessário fazer nada, conexão automática (isso aqui nos Estados Unidos), você navega na loja, baixa amostras, mas não consegui comprar.

Hoje, seguindo as dicas do blog do Antonio Carlos (http://www.acarlos.com.br/blog/2008/06/amazon-kindle-como-usar-no-brasil/) criei as condições e comprei por $ 14,95 um livro que na versão em papel custa 25. Ao longo do tempo vou perceber se foi economia ou não, porque já gastei no aparelho, na capa…

Mas considerei a experiência muito mais positiva do que imaginava. É fantástico ter uma livraria na ponta do seu dedo. Assisti a uma palestra hoje na feira do livro (os comentários faço amanhã) que a pessoa falava que com o Kindle passou a comprar muito mais livros e também a ler mais. Hoje acabei A trégua (faço o post também amanhã) então não li o primeiro livro, amanhã vou levá-lo comigo para fazer testes, mas já deu para perceber que muita coisa ainda vai mudar, estamos no meio do furacão, espero aqui descobrir algumas saídas para o meu negócio.

Ah, comprei um livro chamado Buying in, para trabalho, fala sobre a relação dos jovens com o consumo, achei que era apropriado para um aparelho com este fim.

Espero que ele tenha mais utilidade do que o meu iPod, útil no início dos meus treinos, mas facilmente trocados pela terapia do pensar. Falarei mais sobre isso. Sou fascinado pelos livros, pela minha biblioteca mas também tenho algumas quedas para a tecnologia…

New Museum, cuidado com os jovens…

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Visitei pela primeira vez o New Museum, perto do Soho e de China Town. Se a primeira impressão é a que vale, vou precisar vencê-la para voltar. A exposição em cartas, Younger than Jesus é conceitualmente interessante, um painel de artistas mais jovens que Cristo.

Essa casca de banana acima faz parte da exposição, de que para mim salvou-se apenas um vídeo feito por uma alemã, abordando a questão da mulher e a maturidade. De resto, saí com a certeza de que se esses jovens representam bem a geração de artistas, ou a arte está com problemas, ou o tal cristo sabia muito pouco pela idade que morreu ou eu não sei olhar o que meu neto no futuro verá como algo transformador, de ruptura.

Tentei comparar com o Bacon, mas aí foi sacanagem, dois extremos.

Frick Collection, um belo mergulho no passado.

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Há mais de 15 anos não visitava a Frick Collection, 5a. avenida, pouco abaixo do Metropolitan. O acervo não mudou, mudei eu, conheço mais arte, aprimorei meu senso estético. Ainda é um belo passeio, a casa do magnata do aço Henry Frick é capaz de botar qualquer um para pensar, para que tudo isso? Pelo menos, deixou algo interessante para a comunidade.

Algumas obras interessantes,  de Vermeer e Holbein acima, mas também Velasquez, El Greco, Degas, Rembrandt, entre vários outros. Quase não se tem mais de um quadro do mesmo pintor, a coleção foi aumentada por seus filhos depois da morte do empresário há 90 anos e foi aberta ao público há mais de 70 anos.

Além de quadros há muita tapeçaria, porcelana e móveis. O ponto fraco é o vídeo, é claro que é oficial, mas destaca o quanto o magnata fez questão de pautar sua coleção por obras que não retratassem a violência, algo que ele repudiava veementemente. É óbvio que esse era seu discurso, mas um ex-contador virou um homem tão rico assim, explorando a fabricação do aço? Seus antigos empregados não deveriam conhecer muito bem essa sua faceta… Foram vingados por Joseph Duveen, o marchand que deve ter tirado muita grana dele… Um dos poucos que deve ter conseguido… Vale uma visita para quem não conhece.

Francis Bacon e as top models

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Só um museu como o Metropolitan para colocar duas exposições que parecem tão distantes sob um mesmo teto: Francis Bacon e Modelos como musas. O Metropolitan é daqueles museus enormes, que você só tenta visitá-lo de forma “completa” da primeira vez, depois descobre que apesar de caro, sim os museus em NY custam agora 20 dólares, o jeito é mesmo focar em algo específico, a menos que suporte ficar dias dentro de um mesmo lugar.

A ala americana foi restaurada, mas mesmo assim fui apenas para ver a retrospectiva de centenário de nascimento de Francis Bacon. Acho que é imperdível, Bacon é um pintor difícil, não é fácil simpatizar com suas interpretações do ser humano, não é fácil nos vermos comparados a um bicho qualquer, termos o lado animal retratado, incomoda. Incomoda mas é necessário, descobri por que tanto boca (uma das obras citadas por Vargas Llosa em Elogio da madastra é exatamente uma de suas cabeças), Bacon queria retratar tão e bem as bocas quanto Monet o pôr-do-sol.

Como Bacon, também acho que pela boca é possível conhecer muito bem um homem. Se tiver um tempo, vale mergulhar na história desse que foi um dos mais importantes pintores do século XX e que teve dois amantes mortos na véspera da inauguração de duas importantes exposições.

Sai de lá, o Metropolitan conseguiu muitos quadros e também algumas fotos, base para os quadros, fisicamente cansado mas resolvi dar uma desanuviada na exposição sobre as modelos como musas. Entrei de cara meio amarrada e me surpreendi positivamente. Foi um contraste ótimo para a temática de Bacon. É incrível como o mundo da moda é falsamente glamoroso, por detrás de todos aqueles clicks especiais, residem os mesmo animais dos quadros de Bacon, as pequenas imagens acima retratam a mesma coisa, consegue perceber?

As obras do MoMa são muito interessantes, mas as da Strand, ainda mais…

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Visitar o MoMa é garantia de ver alguns dos principais quadros dos séculos XIX e XX, visitar a Strand, é garantia de ver obras também muito valiosas. Há livro de toda espécie lá, lançamentos, barganhas, raros. Como é bom ir em livraria onde se é do negócio, se gosta de livro e se encontra público para isso. Quando passar por Nova York vá até a Broadway com a 12th, com certeza vai olhar para aspectos distintos do mundo para os quais ainda não tinha olhado.

Não há ferramenta de busca que se iguale ao passear por uma bela livraria, olhando autores, capas, acaso, outras pessoas.

León Ferrari e Mira Schendel no MoMa

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Visitei hoje o MoMa e a exposição da Mira Schendel e do León Ferrari, dois dos mais importantes artistas latino-americanos do século XX. Conheço pouco a obra da Mira, do Léon, mais, visitei há dois anos o seu ateliê em Buenos Aires, um velhinho simpático, animado e cheio de vida, de vontade de provocar.

Lutou contra a ditadura argentina, o que o levou ao Brasil, perdeu seu filho, o que o levou de volta à Argentina, briga sempre com a igreja, o cristo pregado no avião aí de cima não é das coisas mais “fortes” que já fez. A exposição é bacana, mas não me pareceu tão comentada em Nova York.

Mais destaque recebe o design brasileiro na lojinha do museu, esse sim merece vitrine e muita repercussão.

Nas outras salas do museu é interessante como com um mínimo de frequência você vai criando e educando o olhar, descobri hoje um quadro do Matisse que eu não conhecia e vale a pena, Lição de piano.

Tem também uma colagem de um alemão, Marcelo Odenbach que além de muito bonita, contém uma ironia que eu gosto, chama-se: You can’t see the forest for the threes, todos os caules das árvores são páginas de jornal. A foto não é profissional…

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Espelho LXII

Ser humano é fingir que dá ao outro o que ele gosta, mesmo consciente de que não precisa de nada daquilo, pelo contrário. Daria mais trabalho e menos retorno educar para a verdade…

TV, Maisa, Silvio Santos, Miguel Falabella e a nossa imbecialização

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O caderno Mais de hoje traz alguns artigos interessantes sobre o Brasil, a cultura e o nível das coisas por aqui. Se na revista há todo o rico trabalho do Satyros, companhia de teatro que ajudou no renascimento da Praça Roosevelt em São Paulo, no Mais a questão é sobre o abuso das crianças, seja a utilização da Maisa no programa de auditório do dono do SBT, seja da escolha errada de livros para a terceira série pela Secretaria da Educação (quadrinhos com conteúdo adulto), seja da opinião do Ronaldo Fenômeno, preferindo que seu filho seja mesmo criado na Europa, onde supostamente falará menos palavrão e será menos malandro, isso sim é que é cuspir no prato que comeu…

Ao tratar da televisão o psicanalista Renato Mezan fala sobre Maisa e todas as “sacanagens” que o apresentador faz com a criança, pensando única e exclusivamente em audiência, e também coloca uma declaração de Miguel Falabella afirmando que a televisão trata o espectador como alguém com idade mental média de 9 anos. Fiquei muito surpreso ao ler essa declaração.

Minhas diferenças com o Silvio Santos vêem de anos, há décadas que não entendo como ele consegue fazer a contabilidade pessoal fechar, se de um lado são creditados muitos milhões, não é possível que não se importe em condenar suas colegas de auditório e os espectadores de seu canal a pior das imbecilidades, a incapacidade de pensar, de reagir. Sempre imagino ele, um gênio do mal, chegando em casa e rindo muito de quem com ele divide o palco ou aplaude as besteiras que são mostradas, tudo isso, pelo conforto de dirigir seus carrões ou viver nos condomínios imitando o mundo ideal na Flórida. Ainda sonho com um dia em que a consciência vai lhe impor algumas compensações…

Agora fui surpreendido pelo Falabella, dá uma declaração da qual concordo, mostra consciência da questão, mas por que faz então? A resposta de que é para financiar as atividades em outros meios já não vale mais. Acorda Falabella, já acumulou o suficiente para não ter mais que jogar esse jogo, eleve a idade média dos seus espectadores, o país, mesmo sem saber, não suporta mais tamanha idiotice. O riso fácil dos dominados é a contra-partida do riso fácil dos dominadores, saia dessa equação!

Invenção e memória - Lygia Fagundes Telles

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Acabei a leitura do relançamento da Lygia Fagundes Telles. Os comentários à edição já havia feito. Gostei do livro, mas por ele não me encantei, a discussão sobre a memória é interessante, cai como uma luva para quem cruza a barreira dos 40, acredito que mais jovens não consigam entender a densidade e profundeza da mesma, invenção e memória são duas coisas facilmente distinguíveis, já quem dobrou os 40 já começa a ter outra visão do mundo, tudo fica menos definido, a possibilidade é sempre mais concreta.

É fácil no livro perceber a maturidade e domínio de Lygia, é interessante saber algumas coisas da história cultural do Brasil, mas até mesmo pelo número de grifos, fica demonstrado que a autora não me laçou pelo estômago, foi um ato intelectual até o final. Vou insistir na obra.

Deste, meus preferidos foram Heffman, Rua Sabará, 400 e A chave na porta. Do depoimento de Ana Maria Machado não encontrei na leitura o que ela apontou. Preferi então os depoimentos de Saramago e da própria autora. Vargas Llosa também trabalha muito nessa questão da memória, da invenção, da ficção, da verdade, assunto para gente séria e grande, e isso Lygia é.

Lágrima pela obra - Zé Rodrix: Já cantei muito suas músicas

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Anteontem morreu Zé Rodrix, cedo, 61 anos. Desde um último show do Joelho de Porco, ainda no Pool Music Hall em São Paulo, não tinha tanto contato, mas já ouvi muito Casa no campo na voz da Elis Regina. E várias outras músicas do tempo de Sá, Rodrix e Guarabira, num período da minha vida, Sá e Guarabira eram os mais recorrentes, ainda na vitrola, e várias músicas tinham a participação de Rodrix que depois enveredou para a propaganda e apareceu bem menos no cenário artístico. Sobre a irreverência do Joelho de porco, não consigo lembrar muito. Mas algumas músicas de Rodrix ainda seguirão no meu repertório emocional.

Hoje me dei conta do quanto cantei e me emocionei com Casa no campo, num período onde morava no interior e o que eu mais sonhava era vir para São Paulo, talvez fosse o que Jung chamava de arquétipo…

Programa para dar inveja: A janela às 14 hs

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Tive uma tarde das mais interessantes, e baratas. Fui assistir ao filme argentino A janela, de Carlos Sorín. Não precisava, mas me dei a desculpa de utilizar o filme num artigo que estou escrevendo para uma revista, sobre empresas familiares. Fui ao Espaço Unibanco e como sou cliente Itaú, fiquei surpreso quando o caixa me disse o preço: R$ 2,50, isso mesmo, há tempos não gastava apenas isso, o conteúdo do filme me agradou muito.

Fui interessado em analisar a relação pai-filho. Ganhei uma “porrada” sobre o fim da vida. Mas a porrada é boa, forte, verdadeira. Mostra os limites a que eu, você, e qualquer pessoa que não seja surpreendido por um acidente, iremos enfrentar. Mas o último dia de Antonio serve para mostrar muito das relações, que talvez a idade dos personagens façam crer que é o padrão passado, mas ouso dizer que é padrão humano, um pai e um filho que se distanciaram. Não se tem muitos elementos, mas marca o preparo e os detalhes para a tal recepção, é claro que a maioria das coisas são em vão, nem sempre se tem tempo para o planejado, eis o crucial na vida, não se pode contar com esse tempo. Para a champagne ser aberta com pompa e circunstância na hora desejada, muitos detalhes precisam ser cuidados.

Vale a pena assistir, quase liguei para o meu pai, ainda não o fiz, talvez me aproxime do filme… Não tenho idéia de qual será o meu último sonho, não lembro dos primeiros, mas, pelo visto, vou lembrar!

O velho e bom livro ainda causa repercussão…

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Fiquei impressionado com a repercussão do post sobre o livro Honestidade por aproximação, sobre a história da FAAP, as visitas ao blog quase triplicaram. Reforço minha posição de que tudo deve ser investigado, mas fico feliz de ver o velho e bom livro, um produto dos tempos do Gutemberg, servindo de inspiração para ações em tempos de Tim Bernes-Lee…

Conteúdo - Quartim de Moraes: popular x saber

Tem na página 2 do Estadão de hoje um artigo do editor A. P. Quartim de Moraes sobre essa questão da qualidade do conteúdo, do que é um bom livro?

As necessárias regras de gestão no setor livreiro também trouxeram algumas questões mais complexas, não só no Brasil, é claro que para atingir público grande é muito mais fácil não exagerar, não dificultar, ficar no básico, no fácil. O problema é quando as pessoas se acostumam a isso, a mediocridade é nefasta, se apodera das pessoas, é um instrumento poderoso.

Editoras e livrarias hoje gostam muito de livro que vende, não sou contra isso, é um prazer enorme fazer algo e ver isso ser aceito e adotado pelas pessoas, mas hoje se chegou ao exagero. Sempre me questionei sobre o que chamei dilema “Silvio Santos”, antes era praticamente só ele, hoje, basta ligar a televisão e ficar imaginando se aqueles apresentadores são daquele jeito junto às suas famílias ou é apenas um jeito de ser que garante a sua confortável sobrevivência. Imbecilizam as pessoas. Na última segunda li na coluna da Sonia Racy uma interessante entrevista com o cineasta Heitor Dhalia que está deixando a O2 para fundar sua própria empresa, em parceria com uma iraniana que atua de Paris. O sonho dele é também o meu, fazer coisas de qualidade e que possam atrair o público. Ele tem 5 anos a menos do que eu que devo ter uns 20 a menos que o Quartim, todos brigando contra a mediocridade, ou talvez, não querendo assumir a perda das ilusões.

O segredo vende bem por que? Desafio, aliás, dou 3 livros para quem conhecer alguém que mudou sua vida depois da leitura dele e de tantos outros. Vende bem porque fala o que as pessoas querem ouvir, querem, para ficar na mesma. É claro que para as livrarias é muito mais fácil vender 1 milhão dele do que várias centenas ou milhares de autores que não fazem falsas promessas, até algumas vezes nem sabem onde querem chegar, mas estão mais alinhados com a essência humana. Cuidado para não perder seu tempo visitando as livrarias erradas e, pior, lendo a maioria desses livros que querem apenas resolver o problema do autor, ou, ainda pior, de um autor que não entendeu nada ainda dessa confusão que é o mundo…

Sexto sentido ou tormenta?

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Você já viu um vídeo do TED com a professora do Media Lab do MIT Patti Maes? É sobre sexto sentido. Depois de assistir, ficar muito impressionado, mostrar para minha mulher, é que de fato entendi o tal do sexto sentido.

O sexto sentido não é o que a tecnologia vai fazer por nós, muito bem ilustrado nos 8 minutos da apresentação, aliás, o TED é uma ótima fonte de conteúdo de primeiríssima linha, não só tecnológico, mas sim, o que faremos apesar da tecnologia, deu para perceber? Com tudo o que o pequeno aparelho que está sendo desenvolvido é capaz de fazer, sexto sentido de verdade será a atitude humana de ainda assim manter para si a tomada de decisão, ou seja, caminhamos de vez para assumir de vez a imperfeição da espécie, diante de todos os recursos, ainda aposto que manteremos um espaço para nossas vaidades, desejos e sutilezas, resta saber se após consultarmos a resposta certa ou não, aí já será um estudo para os psicólogos do futuro.

 Vídeo do sexto sentido, clique aqui. Ah, o livro mostrado foi lançado por mim na Negócio Editora ainda em 2002, é do mexicano Juan Enriques, coloquei o nome em português de O futuro e você.