Abercrombie, uma experiência sociológica de consumo
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Amigos do meu filho de 12 anos e amigos meus, pais e usuários da Abercrombie me recomendaram comprar roupas para ele nesta loja, “última moda” nos Estados Unidos, e, consequentemente, mundo ocidental (talvez já tenha se alastrado ao oriental) a fora.
Já sabia um pouco e tinha resolvido não fazer, mas hoje, decidi checar se não era puro preconceito, confesso que tenho alguma coisa contra esses galhos na cabeça do que me parece ser um alce, do logotipo da loja.
Foi a segunda vez que passei em frente, existe toda uma preparação para as filas, que, pela segunda vez não existiam, marketing é isso, simule algo, e muitas vezes ele acontece. Fomos em frente, de cara, um negão todo musculoso, sem camisa e no limite dos pelos pubianos, lá dentro, além de uma música altíssima (ah, a loja não tem vitrine), mulheres em roupas curtas dançando alegremente, ou estou ficando velho, ou é o local mais próximo a um puteiro que estive, a iluminação é exatamente igual a essas boates para diversão. As roupas não tem nada demais, a maioria dos “modelos” são negros, a enorme maioria dos clientes, brancos, uma enorme conotação sexual, um prato cheio para Gore Vidal. Não comprei nada, mas foi divertido, dá uma reflexão muito grande sobre nós humanos. Não comprei porque não são esses valores que quero passar para os meus filhos, tive minha decisão reforçada quando vi que na saída, além do negão hiperdefinido sem camisa, tinha também uma fotógrafa, tirando polaroids das pessoas que pousavam ao lado dele, cada um faz o que quer, mais pais e mães dos consumidores Abercrombie, ficam próximos dos galhos do alce…

