Conteúdo - Quartim de Moraes: popular x saber
Tem na página 2 do Estadão de hoje um artigo do editor A. P. Quartim de Moraes sobre essa questão da qualidade do conteúdo, do que é um bom livro?
As necessárias regras de gestão no setor livreiro também trouxeram algumas questões mais complexas, não só no Brasil, é claro que para atingir público grande é muito mais fácil não exagerar, não dificultar, ficar no básico, no fácil. O problema é quando as pessoas se acostumam a isso, a mediocridade é nefasta, se apodera das pessoas, é um instrumento poderoso.
Editoras e livrarias hoje gostam muito de livro que vende, não sou contra isso, é um prazer enorme fazer algo e ver isso ser aceito e adotado pelas pessoas, mas hoje se chegou ao exagero. Sempre me questionei sobre o que chamei dilema “Silvio Santos”, antes era praticamente só ele, hoje, basta ligar a televisão e ficar imaginando se aqueles apresentadores são daquele jeito junto às suas famílias ou é apenas um jeito de ser que garante a sua confortável sobrevivência. Imbecilizam as pessoas. Na última segunda li na coluna da Sonia Racy uma interessante entrevista com o cineasta Heitor Dhalia que está deixando a O2 para fundar sua própria empresa, em parceria com uma iraniana que atua de Paris. O sonho dele é também o meu, fazer coisas de qualidade e que possam atrair o público. Ele tem 5 anos a menos do que eu que devo ter uns 20 a menos que o Quartim, todos brigando contra a mediocridade, ou talvez, não querendo assumir a perda das ilusões.
O segredo vende bem por que? Desafio, aliás, dou 3 livros para quem conhecer alguém que mudou sua vida depois da leitura dele e de tantos outros. Vende bem porque fala o que as pessoas querem ouvir, querem, para ficar na mesma. É claro que para as livrarias é muito mais fácil vender 1 milhão dele do que várias centenas ou milhares de autores que não fazem falsas promessas, até algumas vezes nem sabem onde querem chegar, mas estão mais alinhados com a essência humana. Cuidado para não perder seu tempo visitando as livrarias erradas e, pior, lendo a maioria desses livros que querem apenas resolver o problema do autor, ou, ainda pior, de um autor que não entendeu nada ainda dessa confusão que é o mundo…
